A dislexia de Sam Bell: de dificuldade a superpoder
Sam Bell, 47, saiu da escola aos 17 anos sem diagnóstico e enfrentou bullying por ser ‘barulhenta’ e ‘intensa’. Após ser diagnosticada com dislexia, ela transformou suas características em um trunfo, tornando-se estilista de cinema e dona de salão. Hoje, ela contrata aprendizes com o mesmo transtorno.

Infância marcada por críticas
Sam Bell abandonou a escola aos 17 anos. As razões, segundo ela, estavam diretamente ligadas à dislexia, embora o diagnóstico só viesse pouco tempo depois. Durante toda a vida escolar, ouviu de professores que era “muito barulhenta, travessa demais, muito intensa”. Além disso, esses rótulos a acompanharam até a saída dos estudos, momento em que se viu sem perspectivas de trabalho. Consequentemente, sem diploma, a única certeza era de que algo precisava mudar – e rápido.
Pouco tempo após deixar a escola, Sam finalmente recebeu o diagnóstico de dislexia. A descoberta, em vez de abatê-la, trouxe um novo entendimento sobre si mesma. Ademais, “Chamo de superpoder”, costuma dizer, em vez de encarar como uma limitação. Portanto, a partir dali, ela começou a ressignificar os anos de dificuldade.
O medo da leitura em voz alta
Sam Bell conta que, no colégio, enfrentava dificuldades e que ler em voz alta na classe era assustador. Além disso, ela sabia que não iria ler tão bem quanto os demais e que as outras crianças iriam zombar dela. Portanto, para evitar essa situação, comportava-se muito mal de propósito, na esperança de ser expulsa de classe. Dessa forma, a tática, embora arriscada, evitava a exposição que tanto temia.
Consequentemente, sem diploma e sem um caminho claro, a pressão familiar aumentou. Sam Bell disse à BBC que sua mãe a expulsaria de casa se não conseguisse um emprego. No entanto, a única oferta que tinha era sua personalidade extrovertida – a mesma que, na escola, era vista como excessiva.
O primeiro emprego e a surpresa
A salvação veio de um salão de beleza. Em seguida, o proprietário a contratou como aprendiz, pagando um salário semanal de 45 libras (cerca de R$ 310, na cotação atual). Sam lembra que, ao começar, não queria ser cabeleireira. Contudo, ficou surpresa ao descobrir que seu trabalho consistia, basicamente, em conversar com os clientes o dia todo, enquanto lavava cabelos e varria o salão.
“Adorei aquilo”, afirmou. “Foi libertador ouvir que eu era boa em alguma coisa.” Além disso, pela primeira vez, sentiu que suas características – a intensidade, a facilidade de comunicação – eram reconhecidas como qualidades, e não como defeitos. Consequentemente, aqueles traços, que os professores consideravam defeitos, se transformaram na chave para o seu crescimento profissional.
O “superpoder” que impulsiona a carreira
Hoje, aos 47 anos, Sam Bell colhe os frutos. Principalmente, dirige o próprio salão e atua como estilista para grandes produções de cinema, televisão e moda. Além disso, ela não esconde o orgulho ao falar sobre a dislexia e faz questão de usar o termo “superpoder” para descrever o que a sociedade costuma ver como limitação.
Além de gerenciar o salão, Sam mantém uma política de portas abertas para quem enfrenta desafios semelhantes. Por exemplo, todos os anos, ela reserva vagas de aprendiz para jovens com dislexia, repetindo o gesto que mudou sua vida. Dessa forma, a ideia é mostrar que o transtorno não precisa ser uma barreira, mas sim um impulso para encontrar caminhos alternativos de realização.
Uma história que inspira além-fronteiras
A reportagem detalha como os rótulos da infância se transformaram em combustível para o sucesso. No entanto, a fonte não detalhou se Sam planeja expandir seu projeto de contratação de aprendizes além do próprio salão. O que fica claro é que sua trajetória ressignifica a noção de que dificuldades de aprendizagem são sinônimo de fracasso. Em resumo, para Sam Bell, a dislexia deixou de ser um fardo e se tornou o centro de uma carreira brilhante.























