Senado paraguaio analisa impeachment de Santiago Peña
O Senado do Paraguai começou a analisar o pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña. Após a Câmara aprovar a abertura do processo, os senadores convocaram sessão extraordinária para sexta-feira, quando Peña apresentará sua defesa.

O Senado do Paraguai iniciou nesta quinta-feira, 5, a análise do pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña. A sessão extraordinária foi convocada pelo presidente da Casa, Basilio Bachi Núñez, após a análise da renúncia de Peña ser adiada por falta de quórum. O chefe do Executivo será ouvido pelo plenário na sexta-feira, 6, às 10h, quando apresentará sua defesa.
A decisão ocorre em meio a uma crise política e financeira que abala o país vizinho. Na terça-feira, 3, o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank por insuficiência de capital, desencadeando protestos e pedidos de afastamento do mandatário.
Deputados pedem admissão integral da denúncia
Durante a sessão, os deputados designados como procuradores solicitaram formalmente a admissão e a aceitação integral da denúncia contra o presidente Santiago Peña, segundo o portal paraguaio ABC. O pedido foi apresentado após a Câmara dos Deputados aprovar, por unanimidade, a abertura do processo de impeachment.
Na mesma sessão da Câmara, os parlamentares também aprovaram, por 48 votos a 30, um pedido de abertura de processo de impeachment contra o vice-presidente, Pedro Alliana. No entanto, o processo contra Alliana foi rejeitado posteriormente.
Peña anuncia renúncia, mas Câmara não aceita
No início da tarde desta quinta-feira, Peña anunciou sua renúncia ao cargo em um vídeo publicado nas redes sociais. Apesar do anúncio, parlamentares da oposição sinalizaram que não vão aceitar a renúncia de Peña.
“Não aceitamos a renúncia de Santiago Peña. É preciso realizar o processo de impeachment contra ele e o vice-presidente Alliana”, afirmou a senadora Esperanza Martínez, do Partido da Participação Cidadã, em uma publicação nas redes sociais.
Senado adia análise por falta de quórum
Após a renúncia, o Senado abriu uma sessão para votar o pedido de renúncia de Peña, mas adiou por falta de quórum após manobra da base aliada. Diante do impasse, o presidente do Senado, Basilio Bachi Núñez, convocou a Casa para uma sessão extraordinária na noite desta quinta.
Bachi Núñez então encerrou os procedimentos de impeachment do dia e convocou oficialmente uma sessão extraordinária do Senado para sexta-feira, 6, às 10h, quando Santiago Peña comparecerá perante o plenário para apresentar sua defesa.
Presidente diz que exercerá direito de defesa
Minutos antes, o presidente paraguaio retornou às redes sociais e afirmou que se submeterá ao processo de impeachment e exercerá seu direito de defesa perante o Congresso.
“Diante da continuidade do processo de impeachment, comparecerei e exercerei meu direito à defesa. Farei isso com argumentos e provas, em respeito à Constituição e às instituições da República”, escreveu o presidente na rede social X.
Multidão protesta em frente ao Congresso
Do lado de fora do Congresso Nacional, uma multidão se reuniu para protestar e acompanhar os acontecimentos da sessão extraordinária. Por meio de alto-falantes, transmissões de telefones celulares e rádios portáteis, cidadãos afetados pela crise do Ueno Bank e membros de sindicatos acompanharam ao vivo as apresentações dos procuradores.
A crise política e financeira que atinge o país sul-americano começou na terça-feira, 3, após o Banco Central do Paraguai (BCP) decidir intervir no Ueno Bank por insuficiência de capital.
Ligações de Peña com o Ueno Bank
Antes do processo, Peña teve ligações com o Ueno. Em abril do ano passado, o presidente admitiu que tinha investimentos na Ueno Holding, empresa ligada ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno.
O ABC afirmou que, antes de se desfazer das ações, Peña tinha 6,144 bilhões de guaranis (cerca de R$ 5,51 milhões na cotação atual) em participação acionária.
O desfecho do processo de impeachment deve movimentar a política paraguaia nos próximos dias. A sessão de sexta-feira será decisiva para o futuro do presidente Santiago Peña e para a estabilidade institucional do país. Acompanhe as atualizações no Boca no Trombone.























