Tombamento de igrejas em Ponta Grossa é adiado
Superlotação e protestos levam à suspensão da sessão do Compac

A reunião do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac), programada para a noite desta terça-feira (13), no Cine Teatro Ópera, em Ponta Grossa, foi adiada após a presença de um grande número de fiéis católicos, que excedeu a capacidade do Auditório B, onde o evento estava marcado. Com a superlotação e a manifestação de protestos fora do local, o conselho optou por adiar a discussão sobre o tombamento de seis igrejas do município.
No horário previsto para o início dos trabalhos, às 18h30, a comunidade que conseguiu ocupar os assentos do auditório começou a rezar coletivamente. Ao mesmo tempo, no lado externo do Cine Teatro Ópera, fiéis protestavam por não conseguirem acesso ao interior do prédio. De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, o Auditório A, que possui capacidade significativamente maior, não pôde ser utilizado porque o Corpo de Bombeiros não emitiu a autorização necessária a tempo para a liberação do espaço ampliado.
Ao som de cantos de louvor que se espalhavam pelo saguão de entrada, a Polícia Militar foi acionada durante o clima de tensão e manifestações. O Compac iniciou a sessão, mas a interrompeu por alguns minutos, decidindo adiar formalmente o evento com nova data e local ainda a serem divulgados.
O secretário municipal de Cultura, Alberto Portugal, afirmou que a mensagem sobre o tombamento tem sido distorcida. Ele destacou que a sessão gerou um clima de pânico, mas respeitou as manifestações, considerando-as legítimas. A reunião foi suspensa devido ao público excedente em relação à capacidade do local, o que colocou em risco o evento. A votação originalmente estava marcada para 29 de setembro em um parque público de grande capacidade. No entanto, uma nova lei surgida um dia antes exigiu parecer jurídico para garantir legalidade e transparência, levando à transferência para esta quarta-feira (14).
A pauta da reunião incluía o tombamento de seis templos religiosos de destaque em Ponta Grossa: a Catedral Sant’Ana, a Igreja São Sebastião, a Igreja Nossa Senhora do Rosário, a Igreja Sagrado Coração de Jesus, a Igreja São José e a Igreja Senhor Bom Jesus, localizada na Fazenda Santa Cruz.
O tombamento enfrenta resistência entre o poder público e as lideranças religiosas. Dom Bruno Versari, bispo da Diocese de Ponta Grossa, discordou da medida e pediu aos fiéis que se posicionem contra. Ele destacou que a manutenção dos templos históricos e artísticos vem sendo feita há décadas com recursos da própria Igreja Católica e reforçou a necessidade de autonomia na gestão das estruturas de culto. A posição foi apoiada pela ACIPG, associação comercial, industrial e empresarial de Ponta Grossa.
A legislação municipal também entra em cena. Em agosto, a prefeita Elizabeth Schmidt (PL) promulgou a Lei Municipal 16.036/2026, que determina que imóveis de instituições religiosas só podem ser tombados com autorização escrita e expressa dos seus representantes legais. Como a lei foi aprovada após o início dos processos das seis igrejas envolvidas, o procedimento continua no conselho competente. Ao mesmo tempo, a Câmara aprovou o Projeto de Lei 312/2026, apresentado pelo vereador Julio Kuller (PL), que prevê a inclusão de um representante da Mitra Diocesana no Compac, ainda pendente de sanção pelo Executivo.
As autoridades culturais devem divulgar uma nova data para a realização da reunião do conselho.
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