Trabalhadores do transporte coletivo em Ponta Grossa divulgaram que na próxima segunda-feira (13) será realizada uma paralisação mobilizada por trabalhadores insatisfeitos com a condução das negociações pelo sindicato da categoria. O movimento indica uma mudança no cenário do conflito, com a base se organizando de forma mais direta. O SINTROPAS (Sindicato dos Motoristas, Cobradores e Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo de Ponta Grossa e Região) desconhecia informações sobre paralisação.
A reportagem conversou com organizadores da paralisação, que manteremos o sigilo da fonte, que revelaram que a decisão pela paralisação partiu da própria categoria, que afirma não se sentir representada nas tratativas conduzidas até agora.
“A maioria está com o mesmo intuito, porque é um direito nosso”, afirmou um trabalhador.
Um dos organizadores do movimento ainda completou:
“Nosso salário tinha que ter sido reajustado, nem que fosse só a inflação”.
Críticas diretas ao sindicato
As declarações revelam um clima de insatisfação interna. Segundo o trabalhador, há percepção de que as decisões não estariam sendo plenamente compartilhadas com a categoria.
“O sindicato faz do jeito dele e não passa pra categoria, traz propostas quando tem interesse próprio, e não o interesse dos trabalhadores”, disse o organizador
Outro ponto levantado é a rejeição às propostas anteriores.
“Foram feitas propostas, ajustes, e os funcionários não aceitaram. Por isso foi para dissídio”.
Impasse segue no TRT-9
A Viação Campos Gerais (VCG) disse que foi feita uma proposta pela empresa, e que o sindicato da categoria não aceitou, os e que o processo seguiu para julgamento. Em outras palavras, o indicativo ocorre em meio ao dissídio coletivo que tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-9), onde ainda não houve decisão definitiva. Apesar de uma audiência já realizada, não houve consenso entre as partes.
O sindicato reivindica a reposição integral da inflação pelo INPC, estimada em 4,49%, além de um ganho real de 8%. Já a VCG apresentou propostas ao longo das negociações, sendo a mais recente com reposição inflacionária e aumento real de 1,51%, totalizando 6%.
A empresa sustenta que os percentuais oferecidos seguem parâmetros comuns da Justiça do Trabalho e reforça que buscou alternativas dentro de sua realidade financeira, mantendo o compromisso com a continuidade do serviço.
Bastidor indica possível reabertura de diálogo
Um ponto novo pode influenciar o rumo das negociações. Segundo os trabalhadores, o presidente do sindicato teria encaminhado um áudio questionando a possibilidade de retomar as tratativas com a empresa.
No conteúdo, ele menciona que, diante da demora no julgamento do dissídio, poderia haver espaço para uma nova negociação. O posicionamento ocorre após a rejeição, por parte dos funcionários, das propostas anteriores apresentadas pela empresa, mesmo após ajustes realizados ao longo do processo.
Com isso, o caso foi encaminhado ao TRT-9, onde aguarda julgamento. Até o momento, no entanto, não houve definição sobre os índices salariais.
Paralisação começa na segunda
A mobilização está prevista para começar na segunda-feira (13), a partir das 7h da manhã, com impacto em diversos terminais da cidade.
“Vai ser em todos os terminais. Parou no Central, vai parar nos de ponta também”, afirmou o trabalhador, citando regiões como Nova Rússia, Oficinas e Uvaranas.
A previsão inicial é de paralisação parcial, com duração aproximada de duas horas.
Categoria unida e pode ampliar movimento
Os trabalhadores afirmam que o movimento ganhou força e pode se intensificar nos próximos dias.“A categoria agora se uniu e não quer mais saber o que o sindicato pensa”, finalizou.
Outro ponto levantado é a comparação com o reajuste da tarifa do transporte coletivo.“A passagem vai subir e todo mundo vai pagar. Mas o nosso salário não foi reajustado nem pela inflação”, criticou o organizador.
Cenário segue indefinido
A expectativa agora gira em torno de uma decisão do TRT-9 ou de uma possível retomada das negociações entre as partes.
A paralisação do transporte coletivo em Ponta Grossa, agora impulsionada diretamente pelos trabalhadores, evidencia não apenas o impasse entre empresa e sindicato, mas também um momento de forte mobilização interna da categoria.
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