Trump suspende sanções contra parceiros da Rússia
Donald Trump suspendeu sanções que taxariam em até 100% produtos de países compradores de petróleo russo. A medida, aprovada pelo Congresso há um mês, visava pressionar Moscou a negociar o fim da guerra. O recuo gerou críticas internas e da Ucrânia.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu as sanções econômicas que estavam previstas para entrar em vigor contra parceiros comerciais da Rússia. A decisão foi publicada em decreto a menos de 48 horas do início da cobrança das tarifas, que poderiam chegar a 100% sobre produtos importados de cinco países que mais compram gás ou petróleo bruto russo.
No documento, Trump afirmou que a suspensão é do interesse dos Estados Unidos, mas não detalhou qual seria esse interesse. A medida havia sido aprovada há um mês pelo Congresso americano, onde o Partido Republicano, do próprio presidente, tem maioria.
Recuo de última hora gera críticas
A mudança de posição provocou reações imediatas. Parlamentares americanos criticaram a decisão, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, classificou a suspensão como uma recompensa para Vladimir Putin. O recuo também aumentou a tensão entre Washington e Kiev, aliada dos Estados Unidos no conflito.
China e Índia, dois dos principais compradores de commodities russas, já haviam manifestado preocupação com as sanções. A regra valeria para qualquer país que, a partir da data de vigência, adquirisse petróleo ou gás da Rússia. A intenção original era ampliar a pressão econômica sobre Moscou para forçar o Kremlin a negociar o fim da guerra contra a Ucrânia, iniciada no começo de 2022.
Pressão interna e inflação em alta
O aumento do custo de vida nos Estados Unidos pode estar por trás da suspensão das sanções. Desde o início da guerra no Irã, em fevereiro, o valor do diesel subiu 68% no país. Esse aumento encareceu o frete e foi repassado aos consumidores, elevando os preços de alimentos e outros produtos.
Em setembro, a inflação americana chegou a 3,7% na comparação com o mesmo mês de 2025. Pesquisas indicam que a rejeição ao governo Trump atingiu o maior patamar desde a eleição, puxada por eleitores descontentes com os preços mais caros. No dia 3 de novembro, ocorrem as eleições para o Congresso americano, e a economia deve ser um tema central.
Acordo com Putin para liberar diesel
Na semana passada, Trump anunciou um acordo com Vladimir Putin para liberar diesel da Rússia no mercado internacional. A medida pode aliviar a pressão sobre os preços dos combustíveis nos Estados Unidos, mas contraria a estratégia de isolamento econômico da Rússia defendida por aliados ocidentais.
A suspensão das sanções e o acordo com Putin indicam uma guinada na política externa americana em relação ao conflito. Enquanto isso, a Ucrânia segue dependente do apoio ocidental para enfrentar a invasão russa, e a decisão de Trump pode redefinir o equilíbrio de forças na região.
O Portal Boca no Trombone continuará acompanhando os desdobramentos dessa decisão e seus impactos na economia global e na geopolítica.
Fonte
- g1.globo.com
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