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Vereador denuncia perseguição política a comerciantes após a eleição em Ponta Grossa

Vereador critica lista compartilhada pelo WhatsApp contra comerciantes supostamente ligados ao PT; divulgação pode trazer consequências jurídicas dependendo do conteúdo.

Vereador denuncia perseguição política a comerciantes após a eleição em Ponta Grossa
Foto: Reprodução
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O vereador Geraldo Stocco (PV) denunciou nesta segunda-feira (26) a circulação de uma lista que incentiva o boicote a empresas em Ponta Grossa após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Segundo o parlamentar, o material compartilhado em grupos de WhatsApp aponta estabelecimentos cujos proprietários supostamente apoiaram ou votaram em Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A situação ganhou repercussão depois que Stocco publicou um vídeo nas redes sociais condenando a iniciativa. O vereador classificou a atitude como uma demonstração de intolerância política e alertou para os possíveis prejuízos aos comerciantes da cidade.

“Recebi uma lista de comércios que devem ser boicotados em Ponta Grossa, segundo uma minoria absurda de pessoas. Esse fanatismo, com todo respeito, não leva a lugar nenhum”, declarou.

O parlamentar também criticou a tentativa de prejudicar financeiramente estabelecimentos em razão de preferências partidárias atribuídas aos seus proprietários. Para ele, divergências eleitorais não devem se transformar em ataques à atividade comercial.

Stocco pede respeito às diferenças políticas

Durante a manifestação, Geraldo Stocco afirmou que o encerramento da disputa eleitoral deveria representar um momento de respeito às escolhas individuais e de valorização da economia local.

“A eleição passou, reflita um pouco. Cada um é livre para escolher o seu voto, proferir a sua opinião, mas esse tipo de atitude é caluniosa, é criminosa, não vale a pena. É inaceitável ver um negócio desse e não falar nada”, afirmou o vereador.

Stocco também ressaltou que o município precisa de união para fortalecer o desenvolvimento econômico, independentemente das posições políticas dos moradores.

“Vamos pôr a mão na consciência, valorizar o que é nosso, ajudar a nossa cidade, ajudar o nosso estado. É disso que a gente precisa, de união. Esse extremismo, tanto da direita, quanto da esquerda, não leva a lugar nenhum”, completou.

Ao final do vídeo, o parlamentar orientou a população a não compartilhar a relação de estabelecimentos.

Divulgar lista de boicote a empresas é crime?

A circulação de listas que incentivam o boicote a empresas em Ponta Grossa levanta questionamentos sobre os limites da liberdade de expressão e as consequências legais de ataques motivados por divergências políticas.

No Brasil, defender que consumidores deixem de frequentar determinado estabelecimento não configura, por si só, um crime. Entretanto, a situação pode ter consequências jurídicas quando envolve ameaças, acusações falsas, ofensas à honra ou outras condutas ilícitas.

O Código Penal prevê, por exemplo, os crimes de calúnia, quando alguém atribui falsamente a outra pessoa a prática de um crime, e difamação, quando há imputação de um fato ofensivo à reputação de alguém.

A legislação também pune ameaças de causar mal injusto e grave. Assim, a eventual responsabilização de quem produz ou compartilha uma lista depende do conteúdo divulgado, das circunstâncias e das provas disponíveis.

Além da esfera criminal, o Código Civil estabelece a possibilidade de reparação por danos materiais ou morais quando uma conduta ilícita provoca prejuízos a terceiros.

Boicote pode prejudicar comerciantes de Ponta Grossa

Além das questões jurídicas, a divulgação de listas dessa natureza pode provocar consequências econômicas e sociais.

Entre os possíveis efeitos estão a perda de clientes, danos à imagem dos estabelecimentos, conflitos entre consumidores e comerciantes e a disseminação de informações não verificadas.

Também é importante lembrar que o voto é secreto no Brasil. Dessa forma, atribuir a empresários determinada escolha eleitoral sem confirmação pode alimentar boatos e expor pessoas a constrangimentos.

A repercussão do caso reforça o debate sobre intolerância política e respeito às diferenças depois das eleições, especialmente quando posicionamentos partidários passam a interferir nas relações comerciais da comunidade.

O BNT Online opta por não divulgar os nomes dos estabelecimentos mencionados, evitando ampliar a exposição dos comerciantes e a circulação de informações sobre preferências políticas que não foram verificadas individualmente.

 

Leia também: Delegado da Polícia Civil alerta para riscos da violência digital contra crianças e adolescentes

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Fabiano Blageski
Autoria
Fabiano Blageski
Radialista em Ponta Grossa, atuou em rádios, TV e sites, com experiência no microfone e nos bastidores. Apaixonado por comunicação, entretenimento e notícias, também é promoter de eventos, assessor de imprensa, destacando-se pela versatilidade e busca constante por aprendizado.
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