Paraná registra mais de 11,7 mil violações contra mulheres em 2026
Violência contra a mulher no Paraná já registra 11.744 violações em 2026. Ponta Grossa aparece com 436 casos no levantamento do MDHC.

A campanha Agosto Lilás amplia em todo o país as ações de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. A mobilização busca informar a população sobre os diferentes tipos de violência, divulgar os direitos das vítimas e incentivar tanto a denúncia quanto a procura por serviços de acolhimento e proteção.
Em 2026, a campanha ocorre em um momento simbólico: neste mês de agosto, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Considerada um dos principais instrumentos legais brasileiros de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, a legislação criou medidas protetivas de urgência e fortaleceu mecanismos de prevenção, responsabilização dos agressores e assistência às vítimas.
O aniversário de duas décadas da legislação também chama a atenção para os desafios que permanecem. Dados do Painel do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), atualizados em 10 de agosto de 2026, apontam que o Paraná já contabiliza 11.744 violações contra mulheres neste ano.
O conceito de violação adotado pelo Ministério engloba fatos que atentem contra os direitos humanos da vítima, incluindo situações como maus-tratos, exploração sexual e tráfico de pessoas.
Apesar do número de registros de violações, foram contabilizadas 1.480 denúncias efetivadas no Paraná. Segundo o MDHC, esse indicador representa a quantidade de vezes em que usuários procuraram a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos para formalizar uma denúncia.
Em 2025, o Paraná encerrou o ano com 14.507 violações contra mulheres registradas.
Ponta Grossa soma 436 casos
Entre os municípios paranaenses, Curitiba apresenta o maior número registrado até 10 de agosto, com 2.523 casos. Londrina aparece com 731, enquanto Ponta Grossa soma 436 violações contra mulheres em 2026.
Também constam no levantamento Cascavel, com 381 registros; Maringá, com 362; Foz do Iguaçu, com 305; São José dos Pinhais, com 256; Araucária, com 158; Pato Branco, com 55; e União da Vitória, com 30.
Para Daniele Dower Ronqui, coordenadora do curso de Psicologia da Universidade Unopar, o atendimento às vítimas precisa ocorrer em um ambiente seguro e acolhedor.
“O acolhimento às vítimas de violência é um aspecto fundamental na luta contra a violência de gênero. Sobretudo o apoio emocional psicológico, que é essencial para ajudar as mulheres a superarem o trauma e reconstruírem suas vidas. A violência contra a mulher é uma violação dos direitos humanos e pode ter consequências devastadoras para a saúde física e mental dessas mulheres”, alerta.
Segundo a especialista, além da assistência psicológica, também é fundamental garantir que as mulheres tenham acesso a informações sobre seus direitos e sobre os serviços disponíveis.
“Muitas vítimas de violência não estão cientes de seus direitos ou dos serviços que podem acessar, como abrigos, assistência jurídica e programas de apoio financeiro. Informar e orientar essas mulheres sobre suas opções é essencial para empoderá-las e ajudá-las a tomar decisões informadas sobre seu futuro”, explica.
Como buscar atendimento no Paraná
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) mantém atendimento específico para mulheres vítimas de violência doméstica, familiar ou sexual. Mulheres com 18 anos ou mais podem registrar pela internet o Boletim de Ocorrência relacionado à violência doméstica e familiar.
O registro também pode ser feito presencialmente em uma unidade da Polícia Civil ou em uma Delegacia da Mulher nos municípios que possuem atendimento especializado.
Daniele destaca ainda que o enfrentamento à violência depende da integração entre os diferentes serviços da rede de proteção.
“A colaboração entre diferentes entidades pode garantir que as vítimas recebam um atendimento abrangente e coordenado. Este processo não só beneficia as mulheres individualmente, mas também contribui para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária”, enfatiza.
Violações contra mulheres em cidades do Paraná em 2026
Dados atualizados até 10 de agosto:
Curitiba: 2.523 casos
Londrina: 731 casos
Ponta Grossa: 436 casos
Cascavel: 381 casos
Maringá: 362 casos
Foz do Iguaçu: 305 casos
São José dos Pinhais: 256 casos
Araucária: 158 casos
Pato Branco: 55 casos
União da Vitória: 30 casos
Veja mais
Dupla é presa após ameaçar pedestre com faca e roubar celular em Ponta Grossa
























