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Política

Voto útil ganha força entre Lula e Flávio na reta final

A campanha de Flávio Bolsonaro intensifica o apelo ao voto útil contra Lula, mesmo que a migração entre adversários não mude a soma dos votos. Especialista explica os efeitos psicológicos e estratégicos dessa tática.

Voto útil ganha força entre Lula e Flávio na reta final
Crédito: www.gazetadopovo.com.br
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A reta final da eleição presidencial colocou o chamado voto útil no centro da estratégia de Flávio Bolsonaro (PL) contra o opositor, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A campanha passou a pedir abertamente o voto de eleitores que têm como primeira opção outros adversários de Lula, explorando a percepção de que a disputa está concentrada entre os dois primeiros colocados.

O resultado mostra uma oscilação favorável a Flávio em relação à rodada anterior do mesmo instituto, divulgada em 1º de setembro. Naquele levantamento, Lula e Flávio apareciam empatados numericamente no segundo turno, ambos com 44%.

Campanha aposta na antecipação do voto

É nesse cenário que a campanha de Flávio Bolsonaro passou a incentivar o voto útil, pedindo abertamente o voto de eleitores que têm como primeira opção outros adversários de Lula. A campanha também passou a explorar a percepção de que a disputa está concentrada entre os dois primeiros colocados.

“Matematicamente, mudanças entre os candidatos de baixo não alteram a chance de segundo turno, mas é bastante comum que os eleitores antecipem o voto do segundo turno já no primeiro”, afirma Guilherme Russo, diretor de Inteligência da Quaest.

Dois movimentos sob o mesmo nome

O diretor de Inteligência da Quaest diferencia dois movimentos que normalmente acabam reunidos sob o mesmo nome. O primeiro ocorre quando eleitores abandonam candidaturas com menor intenção de voto para migrar para aquela que enxergam como a principal força capaz de enfrentar o líder.

Na disputa presidencial, por exemplo, isso poderia acontecer caso eleitores de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos ou Romeu Zema decidissem antecipar o voto em Flávio Bolsonaro. Nesse cenário, a troca não altera a soma dos votos dos adversários de Lula, mas pode ampliar a vantagem de Flávio sobre os demais nomes e consolidá-lo como principal adversário do presidente.

Componente psicológico pesa na decisão

Há, ainda, um componente psicológico. “As campanhas fazem isso por dois motivos: primeiro, porque muitas pessoas não entendem que não faz diferença nas chances do primeiro colocado ganhar; e, segundo, porque a antecipação do voto é um processo psicológico que dá mais peso ao voto”, afirma Russo.

Na prática, o eleitor pode avaliar que votar em um candidato com poucas chances de avançar tem menos impacto do que escolher outro que aparece competitivo nas pesquisas. Para as campanhas, esse comportamento também ajuda a criar uma demonstração de força. Quanto maior a distância para os demais candidatos do mesmo campo político, maior a possibilidade de que se consolide como a principal alternativa ao opositor.

Matemática explica por que não muda

Para entender por que trocar o voto entre adversários do líder não reduz a vantagem dele, basta analisar uma conta estatística simples. Imagine uma eleição em que o primeiro colocado tenha 40% dos votos válidos e todos os seus adversários, somados, tenham 60%. Ainda que haja uma grande migração entre os nomes que estão atrás, a divisão interna dos 60% muda, mas o primeiro colocado permanece com os mesmos 40%.

Para presidente e governador, vence no primeiro turno quem obtiver maioria absoluta dos votos válidos. Se ninguém alcançar esse patamar, os dois candidatos mais votados disputam o segundo turno. Brancos e nulos ficam fora desse cálculo. É por isso que, do ponto de vista estatístico, não existe uma necessidade de concentração de votos em um único adversário apenas para garantir a realização da segunda etapa.

Quando a migração altera o cenário

A situação muda quando o eleitor deixa de votar em um adversário para escolher o líder ou quando alguém que pretendia votar em branco, anular ou não comparecer decide votar em um candidato. Nesses casos, a relação entre os votos válidos efetivamente se altera.

Se a migração entre adversários não muda necessariamente a realização do segundo turno, ela pode ser decisiva para definir quem estará nele. “Há uma estratégia para alterar o resultado do primeiro turno, para além de um efeito psicológico”, afirma o diretor de Inteligência da Quaest.

Pesquisas orientam o voto útil

As pesquisas também ajudam as campanhas a identificar candidaturas com maior espaço para receber esse tipo de voto. Segundo Russo, uma combinação de baixo conhecimento, baixa rejeição e trajetória de crescimento pode indicar potencial para avançar na reta final. Já candidatos estagnados tendem a ter menos espaço para atrair eleitores que passam a considerar a competitividade na hora de decidir o voto.

“Um candidato que vem crescendo nas pesquisas tende a ser objeto de receber voto útil mais do que um candidato que esteja estagnado”, afirma. A fonte não detalhou quais candidatos se encaixam nesse perfil na atual disputa.

O voto útil, portanto, é uma ferramenta de campanha que mexe com a percepção do eleitor e pode influenciar a dinâmica do primeiro turno, mesmo sem alterar a soma total de votos contra o líder. Para o eleitor de Ponta Grossa e dos Campos Gerais, entender essa lógica pode fazer diferença na hora de decidir o voto.

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Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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