Agricultores europeus trabalham à noite no campo devido ao calor
Agricultores da Europa adaptam rotina para lidar com o calor extremo, realizando colheitas à noite e usando holofotes. Na Inglaterra e na Itália, produtores relatam queda de até 20% na produção. A mudança climática torna modelos de plantio obsoletos.

Agricultores europeus estão alterando seus horários de trabalho para escapar das altas temperaturas. Na Inglaterra e na Itália, produtores rurais recorrem a holofotes, lanternas e turnos noturnos para manter a colheita e cuidar dos animais. As ondas de calor têm desafiado rotinas estabelecidas há décadas no campo.
Trabalho noturno vira necessidade na Inglaterra
Às 2h, holofotes iluminam as máquinas que percorrem a fazenda da família de Eleanor Gilbert, em Berkshire, na Inglaterra. Aos 24 anos, ela faz a colheita no escuro para aproveitar o leve orvalho que se deposita sobre a colza. Por volta das 10h, ela passa a colher trigo e continua ao longo do dia. Depois de duas ou três horas de sono, a agricultora da sexta geração volta ao campo e recomeça.
“É quase como estar com jet lag”, disse Gilbert: “você não consegue dormir no meio dia — simplesmente não é normal.”
Medidas contra o calor extremo se espalham pela Europa
As ondas de calor estão obrigando agricultores de toda a Europa a mudar como e quando trabalham. Entre as adaptações adotadas estão:
- Colheita noturna com holofotes e lanternas
- Cobertura de plantações com telas de sombreamento
- Resfriamento de galpões de gado
- Horários tardios para alimentar os animais
- Abandono de calendários de plantio aperfeiçoados ao longo de décadas
Essas medidas ajudam a lidar com as altas temperaturas. A fonte não detalhou quais países adotam cada medida nem o custo dessas adaptações, mas o cenário é descrito como generalizado.
Colheita sob as estrelas na Puglia
O veterano Pietro Cifarelli cultiva grãos e leguminosas perto de Altamura, na região da Puglia, sul da Itália. O trabalho noturno tornou-se uma necessidade para ele.
“Das 11h até as 18h ou 19h, não dá para fazer nada”, disse Cifarelli, de 60 anos. “Se você encostar em uma peça de metal, literalmente queima as mãos.”
Segundo ele, seus grãos-de-bico pretos e lisos precisam ser colhidos depois de esfriarem durante a noite: de dia, as vagens ficam tão secas e quebradiças que as sementes se espalham assim que as plantas são tocadas.
“Nós meio que sabíamos que isso estava por vir, mas sempre achamos que seria um problema com o qual nossos filhos provavelmente teriam de lidar”, disse ele. “Aconteceu muito, muito mais rápido.”
Queda na produção e planejamento revisto
A produção caiu até 20% em algumas fazendas, segundo a Coldiretti, o maior sindicato de agricultores da Itália. No Reino Unido, a União Nacional dos Agricultores defende o desenvolvimento de variedades agrícolas mais resistentes e o planejamento do armazenamento de água durante as secas.
Na Riverford, Singh-Watson passou quatro décadas registrando datas de plantio e colheita e elaborando modelos destinados a prever quando as hortaliças estariam prontas para os clientes. As oscilações de temperatura e de precipitação tornam esses cálculos cada vez mais inúteis.
“Todas essas informações, você poderia simplesmente rasgar e jogar fora”, disse ele: “elas simplesmente não têm valor algum.”
Lacunas e acompanhamento
Os agricultores citados descrevem uma adaptação forçada pelas condições climáticas. A fonte não detalhou as consequências para a saúde dos trabalhadores, o número de agricultores afetados ou o impacto econômico nas pequenas propriedades. O Portal Boca no Trombone continuará acompanhando as novas informações sobre o tema.
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