Sánchez antecipa eleições na Espanha após protestos
Pressionado por protestos por moradia e desgaste político, o premiê espanhol Pedro Sánchez anunciou a antecipação das eleições legislativas. O pleito estava previsto para 2027, mas ocorrerá após derrota no Congresso e queda de popularidade.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou neste domingo a convocação de eleições legislativas antecipadas. A decisão ocorre em meio a uma onda de protestos por moradia digna e ao desgaste político de seu governo, que sofreu uma derrota no Congresso na última sexta-feira. As eleições estavam inicialmente previstas para 2027.
Em pronunciamento solene a partir do Palácio da Moncloa, residência oficial, Sánchez afirmou que um Conselho de Ministros extraordinário será convocado nesta segunda-feira para formalizar o processo. O líder socialista está no poder desde 2018 e enfrenta uma crise de popularidade sem precedentes.
Crise de moradia desencadeia protestos
O estopim da crise foi o despejo da idosa Maricarmen Abascal, de 87 anos, em 23 de setembro. Ela não podia mais pagar o aluguel do apartamento onde vivia havia mais de 70 anos e se tornou símbolo da crise de moradia que afeta o país. O imóvel foi adquirido por uma empresa de investimentos que pretendia aumentar o aluguel em 275%.
Desde então, milhares de espanhóis saíram às ruas para defender o direito a uma moradia digna. No sábado, dezenas de milhares de pessoas protestaram em Madri e em várias cidades espanholas. Centenas de manifestantes acampam há mais de uma semana na Puerta del Sol, no centro da capital, para pressionar por reformas.
Derrota no Congresso evidencia fragilidade
O anúncio de Sánchez ocorre após a derrota política sofrida na sexta-feira no Congresso, que evidenciou as dificuldades de seu governo de coalizão minoritária para aprovar propostas no Parlamento. O governo tentou obter a aprovação de um pacote de medidas em meio à onda de protestos, mas não conseguiu reunir apoio suficiente.
A fragilidade parlamentar se soma a outros fatores de desgaste. Após oito anos no poder, Sánchez está enfraquecido por escândalos de corrupção envolvendo familiares e pessoas próximas, entre elas sua mulher e colaboradores do Partido Socialista. A fonte não detalhou os casos específicos.
Oposição lidera pesquisas e comemora
As pesquisas de opinião mais recentes colocam o principal partido conservador de oposição, o Partido Popular (PP), à frente dos socialistas. No entanto, o PP não obteria maioria absoluta e poderia ser obrigado a negociar com a extrema direita do Vox, terceira força política do país.
O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, reagiu ao anúncio: “Se oito anos não foram suficientes, por que querer mais quatro?”. Seu partido vinha defendendo a convocação de eleições antecipadas e comemorou o fato de os espanhóis poderem “finalmente” se pronunciar.
Outras crises pressionam o governo
Além da moradia, Sánchez enfrenta críticas por sua gestão da crise no enclave de Ceuta, no norte da África, onde milhares de migrantes vindos do Marrocos entraram em massa no fim de julho. A situação nessa fronteira terrestre europeia com a África se deteriorou, com muitos migrantes ainda vivendo em acampamentos improvisados.
Isso provocou tensões e manifestações quase diárias da população local, que exige o retorno à normalidade. O acúmulo de crises contribuiu para a decisão de antecipar o pleito, que agora deve ocorrer em data a ser definida pelo Conselho de Ministros.
A antecipação das eleições na Espanha pode ter reflexos na política europeia e nas relações com o Brasil, especialmente em temas como comércio e cooperação. O Portal Boca no Trombone continuará acompanhando os desdobramentos dessa crise e seus impactos para os leitores da região de Ponta Grossa e Campos Gerais.























