Ponta Grossa se consolida como potência do agronegócio por Izaltino Cordeiro dos Santos
O agronegócio em Ponta Grossa evoluiu do tropeirismo à alta tecnologia, tornando o município referência em pesquisa, produção e agroindústria.
A história do Agronegócio em Ponta Grossa, é marcado pela transição do tropeirismo e da agricultura de subsistência, para um dos polos agroindustriais mais robustos do Brasil.
O desenvolvimento da agropecuária em Ponta Grossa, é registrada basicamente em quatro ciclos evolutivos.
Primeiro Ciclo do Tropeiro e da Pecuária (Séc. XVIII à XIX) – teve a sua origem de ocupação com uma agricultura inicial, intimamente ligada ao Caminho das Tropas e às sesmarias doadas no início do século XVIII.
Neste primeiro ciclo, se praticava a Pecuária Extensiva, que ocupava vastas áreas de pastagens naturais dos Campos Gerais e favoreciam a criação de gado e os pousos de tropeiros, sendo esta, a principal base econômica inicial.
Segundo Ciclo foi o da imigração e a criação da “Fazenda-Modelo” (Início do Séc. XX) – foi o início da Agricultura Familiar e a chegada de imigrantes europeus, que modificou o cenário com a introdução de novas culturas. A produção básica de subsistência (milho, feijão e mandioca), passou a incorporar a batata inglesa e outros cultivos.
Na pesquisa, em 1912, o município ganhou a Fazenda-Modelo de Criação do Paraná, criada para desenvolver atividades de seleção e cruzamento de gado e pesquisar o cultivo de plantas forrageiras.
Já na década de 1970, ligada ao Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária Meridional – IPEAME, denominou-se Estação Experimental de Criação. Mais tarde, foi incorporada à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA e em 1978 passou à administração do Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR. E em 2019 passou à administração do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – IDR-Paraná, vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento – SEAB.
No início da década de 1980, a Estação Experimental – Fazenda Modelo, iniciou as pesquisas com cruzamentos entre raças bovinas, para formar uma raça composta para produção de carne.
A proposta era entregar aos pecuaristas uma raça pronta, capaz de reunir grande parte das qualidades de mestiços obtidos pelo cruzamento entre animais das raças Caracu, Canchim, Aberdeen Angus e Charolês. O resultado obtido, após mais de 30 anos de estudos, foi a raça PURUNÃ, cujo nome é uma homenagem à Serra do Purunã, que delimita os Campos Gerais do Paraná e fica próxima à Fazenda-Modelo, em Ponta Grossa, onde os cruzamentos e pesquisas foram desenvolvidos.
O Purunã é a primeira raça bovina desenvolvida no Paraná, reconhecidaoficialmente pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no ano de 2016.
Ainda no início do século XX, por volta de 1.914, Ponta Grossa tornou-se referência em pesquisa agrícola. Com a instalação da Estação Experimental do Trigo no ano de 1921, surgiu a primeira variedade de trigo do Brasil, denominada de PG 1 (Ponta Grossa 1), originada de seleções do trigo “Polysú”, que levou o nome do pesquisador Jorge Polysú, marcando a pesquisa inicial no melhoramento genético do trigo. A esse patrimônio científico somaram-se a Unidade de Beneficiamento de Sementes de Vila Velha, formando um dos mais tradicionais e completos complexos públicos de pesquisa agropecuária do Paraná.
Terceiro Ciclo – iniciou-se na década de 1970, marcando o melhoramento genético da soja em Ponta Grossa. O pesquisador Francisco Terasawa,desenvolveu cultivares como a FT-Cristalina, que viabilizou a expansão da soja no Cerrado brasileiro, especialmente nas regiões de Mato Grosso, Goiás, Bahia e Mato Grosso do Sul.
A grande revolução da agricultura, aconteceu com advento do Plantio Direto, na década de 1970. Com o pioneirismo do Plantio Direto na Palha, Ponta Grossa se tornou um dos maiores berços do Plantio Direto na Palha do Brasil.Essa técnica, ideal para os solos da região, revolucionou a conservação do solo e a produtividade agrícola.
Foi nesse momento que produtores visionários, como Franke Dijkstra e Manoel Henrique Pereira (Nonô Pereira), desenvolveram e difundiram o Sistema de Plantio Direto na Palha, uma das maiores revoluções da agricultura moderna. A partir das experiências iniciadas na região em 1976 e da criação do Clube da Minhoca em 1979, Ponta Grossa sediou, em 1981, o 1º Encontro Nacional de Plantio Direto, levando essa tecnologia para todo o Brasil e posteriormente para outros países.
Na Inovação e Pesquisa, Ponta Grossa sedia polos de pesquisa de ponta, como a unidade do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – IDR-Paraná, que exerce papel estratégico no desenvolvimento da agropecuária paranaense, conduzindo pesquisas em feijão, milho, cereais de inverno, fruticultura, sistemas agroflorestais, erva-mate, manejo e conservação do solo e da água, agroecologia e tecnologia de sementes. O Polo de Pesquisa e Inovação de Ponta Grossa se destaca com o Programa de Melhoramento Genético do Feijoeiro do IDR-Paraná, contribuindo com o desenvolvimento de cultivares, como IPR Sabiá, IPR Urutau, IPR Águia, IPR Tapicuru e IPR Quiriquiri. Esses materiais elevaram a produtividade, a qualidade dos grãos e a resistência às principais doenças da cultura, fortalecendo a competitividade da cadeia produtiva e contribuindo para consolidar o Paraná como um dos maiores produtores de feijão do Brasil.
Em 1977, se instalou também em Ponta Grossa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, na área pertencente ao Ministério da Agricultura, chamada de Fazenda Modelo.
Nas linhas de pesquisas, a Embrapa atua em 03 (três) Centros Nacionais:Embrapa Soja, Embrapa Arroz e Feijão e Embrapa Florestas, com pesquisas em sistemas de produção e desenvolvimento de cultivares.
Em Ponta Grossa, a Embrapa desenvolve pesquisas nas culturas de Soja (convencional e Transgênica), Feijão (Preto, Carioca e especiais), Trigo e Triticale.
Quarto Ciclo – foi o desenvolvimento do Pólo Agro Industrial e Tecnológico com foco produtivo, o município consolidou-se como um grande produtor de grãos e cereais especialmente soja, trigo e milho, além de possuir forte expressão na pecuária leiteira e corte.
Na Agroindústria, a cidade abriga a maior concentração de indústrias do interior do Paraná, com forte atuação de empresas de moagem de grãos, laticínios e processamento de alimentos.
Em Ponta Grossa, o agronegócio continua sendo motor de desenvolvimento, com alta tecnologia empregada na agricultura local, infraestrutura rodoferroviária consolidada, presença de grandes cooperativas e alta rentabilidade das commodities agrícolas. O município é um dos maiores polos agro exportadores do Paraná, altamente valorizado, destacando-se nacionalmente como um importante polo logístico e de transformação, posicionando-se como uma das maiores potências na exportação de derivados de soja (como óleo e farelo), abrigando gigantes indústrias multinacionais.























