Antiga Catedral de Ponta Grossa começou a ser demolida há 48 anos; relembre a história
Templo que marcou a paisagem e a memória da cidade foi derrubado em 1978 para dar lugar à atual Catedral Sant’Ana

Há 48 anos, Ponta Grossa começava a perder um dos edifícios mais marcantes de sua história. Em 1978, no inicio do mês de junho, teve início a demolição da antiga Catedral Sant’Ana, localizada no alto da colina central da cidade. O templo, conhecido por sua arquitetura imponente, foi substituído pela atual Catedral, construída no mesmo terreno.

A decisão de derrubar a antiga igreja ainda desperta debates entre historiadores, pesquisadores e moradores. Embora problemas estruturais e a falta de espaço para receber o número crescente de fiéis tenham sido apresentados como justificativas, parte da população defendia a preservação do edifício, considerado um dos principais símbolos arquitetônicos de Ponta Grossa.
Igreja acompanhou o crescimento da cidade
A história da Catedral está diretamente ligada à formação de Ponta Grossa. A Paróquia Sant’Ana foi criada em 1823, período em que o povoado começava a se organizar ao redor da igreja dedicada à padroeira do município. No início do século XX, diante do crescimento da cidade, o arquiteto italiano Nicolau Ferigotti foi contratado para elaborar um novo projeto para o templo.
As obras começaram em 1906 e a igreja foi inaugurada em 1910, destacando-se pelas torres, pela cúpula e pelos elementos arquitetônicos de inspiração europeia, conforme documentos da epóca encontrados pelo BnT Online. Com a criação da Diocese de Ponta Grossa, em 10 de maio de 1926, a Igreja Matriz Sant’Ana foi elevada à condição de Catedral, tornando-se oficialmente a sede religiosa da Diocese.

Por estar localizada em um dos pontos mais altos da área central, a antiga Catedral podia ser vista de diferentes regiões. Durante décadas, o prédio serviu como referência geográfica, religiosa e afetiva para a população ponta-grossense.
Problemas estruturais e falta de espaço
Registros históricos apontam que o edifício começou a apresentar problemas estruturais ainda durante a década de 1940. Ao mesmo tempo, o aumento da população e do número de fiéis levantou discussões sobre a capacidade do templo. Durante o governo do bispo Dom Geraldo Micheletto Pellanda, foram analisados projetos e alternativas para o local. A Diocese decidiu pela demolição da antiga Catedral e pela construção de uma igreja maior, capaz de atender às novas necessidades pastorais.
A decisão, entretanto, não foi recebida de maneira unânime. Parte dos moradores e defensores do patrimônio histórico tentou impedir a destruição do prédio. Pesquisas acadêmicas sobre o episódio apontam que a demolição se transformou em um marco das discussões sobre memória e preservação arquitetônica em Ponta Grossa.

O edifício histórico tinha aproximadamente 72 anos quando foi derrubado. Imagens do processo de demolição mostram paredes, torres e partes da estrutura sendo retiradas gradualmente, alterando completamente uma das paisagens mais conhecidas da cidade.
Atual Catedral levou décadas para ser concluída
Após a retirada do antigo templo, a construção da nova Catedral Sant’Ana começou em 1979. O projeto adotou linhas arquitetônicas modernas e dimensões maiores, contrastando com as características da construção anterior. As obras passaram por diferentes etapas e se estenderam durante aproximadamente três décadas.

A conclusão oficial ocorreu em 23 de julho de 2009, durante uma celebração de bênção e dedicação da igreja, com a participação de representantes religiosos, autoridades e fiéis. Atualmente, a Catedral Sant’Ana permanece como sede da Diocese de Ponta Grossa e um dos principais pontos religiosos e turísticos do município. No entanto, fotografias, documentos e relatos sobre a antiga construção continuam despertando interesse e alimentando discussões sobre a importância da preservação do patrimônio histórico.

Quase cinco décadas depois, a demolição da antiga Catedral permanece como uma lembrança de uma Ponta Grossa que existe apenas nos registros históricos e na memória de quem teve a oportunidade de conhecer um dos edifícios mais emblemáticos da cidade.























