Nesta segunda-feira, 8 de dezembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a aprovação do registro da Butantan-DV, marcando um avanço significativo na luta contra a dengue. Esta vacina, desenvolvida pelo Instituto Butantan, é a primeira do mundo a ser administrada em uma única dose e oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, sendo indicada para indivíduos entre 2 e 59 anos.
A autorização concedida pela Anvisa permite que a vacina seja produzida e distribuída em todo o território brasileiro. O Ministério da Saúde destacou que pesquisas demonstram que a imunização confere proteção por um período de até cinco anos.
Atualmente, o Instituto Butantan já possui um estoque inicial de 1 milhão de doses prontas e projeta a produção de mais 25 milhões até o segundo semestre de 2026 e outras 35 milhões no ano seguinte. Para aumentar sua capacidade produtiva, o Butantan estabeleceu uma parceria com a empresa chinesa WuXi.
Em um compromisso firmado em 26 de novembro, a Anvisa e o Instituto Butantan concordaram em continuar os estudos e monitoramento da nova vacina. A inclusão da Butantan-DV no Programa Nacional de Imunizações (PNI) está prevista para janeiro de 2026, quando serão determinados os grupos prioritários para recebê-la.
Esper Kallas, diretor do Instituto Butantan, compartilhou informações sobre a eficácia da vacina, que demonstrou 74,7% de proteção geral contra a dengue. Além disso, a vacina mostrou 91,6% de eficácia na prevenção de casos graves ou com sinais de alerta e 100% na prevenção de hospitalizações. Isso sugere que as pessoas vacinadas que eventualmente contraírem o vírus terão menor risco de desenvolver sintomas severos.
Priscilla Perdicares, secretária estadual de Saúde em exercício, comentou sobre as vantagens da vacina de dose única: “Facilita a logística, aumenta a adesão das pessoas e vai acelerar a imunização da população”.
Com essa inovação, o Brasil se torna um líder global na disponibilização da vacina contra dengue na rede pública. Em dezembro de 2023, foi incorporada ao PNI outra vacina chamada Qdenga, fabricada pela farmacêutica japonesa Takeda. No entanto, esta última requer duas doses e é voltada exclusivamente para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos devido a limitações na produção internacional.
Importante destacar que a nova vacina brasileira não substituirá a Qdenga; o Ministério da Saúde ainda mantém um contrato com a Takeda para o fornecimento de 18 milhões de doses. Tanto a Butantan-DV quanto a Qdenga não têm autorização da Anvisa para serem aplicadas em pessoas acima dos 60 anos.
O desenvolvimento da Butantan-DV é fruto de mais de uma década de pesquisa colaborativa com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos. O pedido formal para o registro foi protocolado junto à Anvisa em 16 de dezembro de 2023.
Os resultados dos estudos clínicos indicaram uma eficácia de 79,6% na prevenção de casos sintomáticos durante a fase 2. Já na fase 3, os dados revelaram uma proteção de 89% contra formas graves da doença e com sinais alarmantes, confirmando segurança e eficácia por até cinco anos.
De acordo com dados do painel do Ministério da Saúde, o Brasil registrou aproximadamente 6,56 milhões de casos prováveis de dengue e 6.321 óbitos em 2024. Esse número representa um aumento alarmante em comparação aos 1,65 milhão de casos e 1.179 mortes reportados em 2023.
No ano corrente, até agora foram contabilizados cerca de 1,63 milhão de casos prováveis e 1.730 mortes relacionadas à dengue no país. O estado de São Paulo lidera as estatísticas com cerca de 55% das infecções registradas, totalizando aproximadamente 897 mil casos e 1.108 óbitos.
Fique bem informado e acesse ÚLTIMAS NOTÍCIAS FO BNTONLINE


















