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Ponta Grossa

Após assassinato da amiga, jovem fingiu estar morta para sobreviver em PG; caso vai a júri

Condenado a 24 anos pela morte de Thainá, Harion de Lima será julgado novamente, desta vez pela tentativa de homicídio contra a amiga da jovem que sobreviveu às agressões

Após assassinato da amiga, jovem fingiu estar morta para sobreviver em PG; caso vai a júri
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O caso Thainá, que ganhou repercussão em Ponta Grossa após o assassinato de uma jovem de 23 anos, em outubro de 2024, terá um novo julgamento no próximo dia 29 de setembro de 2026, às 8h30, no Tribunal do Júri da Comarca de Ponta Grossa. Desta vez, o processo envolve a tentativa de homicídio contra Bruna Maria Pasquetto, amiga da jovem assassinada, que também foi vítima de agressões e conseguiu sobreviver.

Um dos acusados é Harion de Lima, que já foi condenado a 24 anos de prisão pelo assassinato de Thainá Cristina Carneiro do Nascimento. A condenação ocorreu em março deste ano, durante um julgamento realizado no Fórum de Ponta Grossa.

O novo julgamento não representa uma revisão da condenação anterior. A Justiça analisará crimes cometidos contra outra vítima, embora os fatos estejam relacionados ao mesmo caso. Além de Harion, também serão julgados Wyllyan Wolter e Caroline Aparecida Caetano Valentim. Os três aparecem como réus no processo que tramita na Justiça de Ponta Grossa.

A sessão está confirmada na pauta oficial do Tribunal do Júri de setembro e será presidida pelo juiz Thiago Bertuol de Oliveira.

Relembre o assassinato de Thainá

Thainá Cristina Carneiro do Nascimento tinha 23 anos quando foi encontrada morta, em 12 de outubro de 2024, em uma área de mata na região dos bairros Ronda e Estrela, em Ponta Grossa. Segundo as informações reunidas pela Polícia Civil durante a investigação, o corpo da jovem apresentava sinais de violência, mutilação e queimaduras.

A investigação apontou que o assassinato teria ocorrido entre os dias 9 e 12 de outubro de 2024. Familiares da vítima procuraram as autoridades após o desaparecimento e relataram ter recebido informações de que Thainá havia sido assassinada e enterrada nas proximidades do fim da Rua Pedro Blageski.

Equipes policiais realizaram buscas na região indicada e localizaram o corpo em uma área de mata próxima a uma construção abandonada. A partir da localização do cadáver, a Polícia Civil iniciou uma investigação para esclarecer as circunstâncias da morte e identificar todos os envolvidos.

Amiga de Thainá foi agredida e sobreviveu após fingir estar morta

Dois dias depois da localização do corpo de Thainá, na madrugada de 14 de outubro de 2024, outra mulher foi vítima de uma tentativa de homicídio na mesma região de Ponta Grossa. A vítima foi identificada posteriormente como Bruna Maria Pasquetto, amiga de Thainá, que tinha 29 anos na época.

Conforme informações divulgadas pela Polícia Civil e publicadas pelo BnT Online naquele dia, Bruna foi espancada e atingida por golpes de faca. Para escapar dos agressores, ela fingiu estar morta e permaneceu no local até que fosse possível fugir. Depois de conseguir escapar, procurou ajuda e se escondeu na residência de moradores da região.

Bruna apresentava ferimentos provocados por facadas no braço e na perna. Ela recebeu atendimento do Siate, do Corpo de Bombeiros, e foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santana. Mesmo ferida, a sobrevivente prestou depoimento na 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa, contribuindo para as investigações sobre a tentativa de homicídio e o assassinato de Thainá.

Na ocasião, a Polícia Civil informou que os suspeitos de atacar Bruna seriam os mesmos envolvidos na morte da jovem.

Suspeita de furto de celular teria desencadeado as agressões

De acordo com os elementos reunidos no processo judicial, a violência contra Thainá e Bruna estaria relacionada à suspeita de furto de um aparelho celular. Durante as investigações, os acusados e as vítimas foram relacionados a uma sequência de acontecimentos envolvendo agressões, ameaças e restrição de liberdade.

Segundo o relato de Bruna à Polícia Civil, ela foi mantida contra a própria vontade em uma residência e sofreu agressões enquanto os envolvidos exigiam informações sobre o aparelho.

A vítima relatou que Harion teria utilizado uma faca, um punhal e um fio durante as agressões. Ela também afirmou que Wyllyan teria sido ameaçado e pressionado a participar da tentativa de homicídio.

Conforme a decisão de pronúncia proferida em julho de 2025, a acusação sustenta que a tentativa de homicídio contra Bruna teria ocorrido para assegurar a impunidade do assassinato de Thainá, crime sobre o qual a sobrevivente possuía informações.

A denúncia atribui aos dois homens a utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima e a tentativa de homicídio relacionada à impunidade de outro crime. Essas circunstâncias serão analisadas pelo Tribunal do Júri durante o novo julgamento.

Polícia Civil prendeu os primeiros suspeitos em outubro de 2024

A tentativa de homicídio contra Bruna levou a Polícia Civil a intensificar as buscas pelos envolvidos. Em 14 de outubro de 2024, dois homens foram presos em flagrante pelos crimes de tentativa de homicídio e tráfico de drogas. Na época, o delegado Guilherme Fontana, responsável pelas investigações, apresentou informações sobre as diligências realizadas pelas equipes policiais.

Um dos suspeitos também era investigado por possível envolvimento em outro homicídio, ocorrido em 11 de setembro de 2024, quando um homem foi morto a pauladas no bairro Ronda. A Polícia Civil prosseguiu com as investigações para apurar a relação entre a tentativa de homicídio contra Bruna e o assassinato de Thainá, ocorrido dias antes.

Operação Praesidium resultou na prisão de seis suspeitos

As investigações sobre a morte de Thainá continuaram nos meses seguintes. Em 13 de dezembro de 2024, a Polícia Civil de Ponta Grossa realizou a Operação Praesidium, por meio do Setor de Homicídios, com apoio do canil da Guarda Municipal.

A ação resultou na prisão de outros quatro suspeitos, elevando para seis o número de pessoas presas durante as investigações relacionadas ao assassinato da jovem. Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos apontavam para uma possível relação entre o crime e o tráfico de drogas. A vítima mantinha um relacionamento com um dos investigados.

A investigação também apontou que, após o homicídio, o corpo de Thainá teria sido mutilado e incendiado na tentativa de ocultar evidências. O nome da operação, Praesidium, significa proteção em latim e foi escolhido em referência ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Na época, a Polícia Civil informou que as investigações prosseguiriam para esclarecer a participação de cada suspeito nos crimes.

Harion foi condenado a 24 anos de prisão pela morte de Thainá

O assassinato de Thainá chegou ao Tribunal do Júri em março de 2026. A sessão havia sido marcada para o dia 17 daquele mês, no Fórum da Comarca de Ponta Grossa, conforme divulgado anteriormente pelo BnT Online. O processo analisou a responsabilidade dos acusados pela morte da jovem, encontrada em uma área de mata em outubro de 2024.

Ao final do julgamento, Harion de Lima foi condenado a 24 anos de prisão pelo assassinato de Thainá e pela ocultação do cadáver, conforme o resultado divulgado pela Banda B.

Wyllyan Wolter, que também respondia pelo assassinato da jovem, foi absolvido naquele julgamento. A absolvição de Wyllyan e a condenação de Harion dizem respeito especificamente ao processo relacionado à morte de Thainá. O julgamento marcado para setembro envolve outra vítima e acusações diferentes, razão pela qual os dois homens voltarão ao Tribunal do Júri.

Por que Harion será julgado novamente?

O processo que será analisado no próximo dia 29 de setembro trata da tentativa de homicídio contra Bruna Maria Pasquetto, ocorrida em 14 de outubro de 2024. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná, Harion de Lima e Wyllyan Wolter são acusados de tentativa de homicídio qualificado, cárcere privado e tortura.

Harion também responde por tráfico de drogas no mesmo processo. Caroline Aparecida Caetano Valentim é acusada de cárcere privado e tortura, mas não figura como ré pela tentativa de homicídio contra Bruna.

A denúncia foi recebida pela Justiça em 6 de novembro de 2024. Posteriormente, em 4 de julho de 2025, uma decisão de pronúncia determinou que os acusados fossem submetidos ao Tribunal do Júri. Na decisão, a Justiça considerou que existiam elementos suficientes para que as acusações fossem analisadas pelos jurados.

A pronúncia, entretanto, não representa condenação. A responsabilidade criminal dos acusados será definida durante o julgamento, após a análise das provas e dos argumentos apresentados pela acusação e pelas defesas.

Defesas contestaram as acusações

Durante a tramitação do processo, os acusados apresentaram diferentes versões sobre os acontecimentos. A defesa de Harion de Lima questionou a existência de provas suficientes de sua participação na tentativa de homicídio contra Bruna. Também solicitou, alternativamente, que a acusação de tentativa de homicídio fosse desclassificada para lesão corporal.

Em relação ao tráfico de drogas, a defesa argumentou que a quantidade de entorpecentes apreendida e os demais elementos do processo não seriam suficientes para comprovar a comercialização. A defesa de Wyllyan Wolter apresentou a tese de que ele teria agido sob coação de Harion.

Segundo os argumentos apresentados, Wyllyan também teria sofrido agressões e ameaças e estaria sendo obrigado a participar dos acontecimentos. A defesa de Caroline Aparecida Caetano Valentim, por sua vez, pediu sua absolvição, alegando insuficiência de provas sobre sua participação nos crimes.

A decisão de pronúncia determinou o encaminhamento dos acusados ao Tribunal do Júri para que as provas, as acusações e as teses defensivas fossem analisadas durante o julgamento.

Justiça determina escolta dos acusados e da sobrevivente

Em preparação para o julgamento, a Justiça de Ponta Grossa expediu, em 24 de agosto de 2026, um ofício à direção da Casa de Custódia do município. O documento determina a apresentação dos réus Harion de Lima e Wyllyan Wolter, mediante escolta armada, para participarem da sessão do Tribunal do Júri.

A requisição também inclui Bruna Maria Pasquetto, identificada como vítima no processo. Segundo o documento, os três deverão ser apresentados para a sessão marcada para 29 de setembro, às 8h30, com posterior retorno à unidade de origem.

O ofício foi assinado pelo juiz Luiz Carlos Fortes Bittencourt.

Justiça também solicitou documentos médicos de Harion

Além das providências relacionadas à apresentação dos envolvidos, a Justiça determinou a obtenção de documentos médicos referentes a Harion de Lima. Em ofício encaminhado à Casa de Custódia de Ponta Grossa, foram solicitados o prontuário médico integral do acusado e registros dos atendimentos realizados durante o período em que permanece sob custódia.

A determinação também inclui informações sobre eventual retirada de pontos cirúrgicos realizada na unidade prisional. Outro ofício foi encaminhado ao Hospital Regional de Ponta Grossa, solicitando registros de internações, atendimentos, exames e procedimentos médicos.

O documento também requisita informações sobre uma cirurgia abdominal relatada pelo acusado e eventuais atendimentos realizados em período próximo aos fatos descritos na denúncia. O hospital recebeu prazo de cinco dias para encaminhar os documentos, conforme a determinação expedida em 24 de agosto de 2026.

Os registros foram solicitados para fins de instrução processual. Os ofícios disponibilizados não esclarecem os motivos específicos da requisição nem apresentam conclusões sobre a condição de saúde do acusado.

Novo julgamento será realizado em 29 de setembro

O julgamento de Harion de Lima, Wyllyan Wolter e Caroline Aparecida Caetano Valentim está marcado para terça-feira, 29 de setembro de 2026, às 8h30, no Fórum da Justiça Estadual de Ponta Grossa. A sessão será presidida pelo juiz Thiago Bertuol de Oliveira, conforme a pauta oficial do Tribunal do Júri.

Durante o julgamento, serão analisadas as acusações relacionadas aos crimes cometidos contra Bruna Maria Pasquetto, além dos demais delitos atribuídos aos réus no processo. Os jurados deverão decidir sobre a responsabilidade de cada acusado a partir das provas apresentadas, dos depoimentos e dos argumentos da acusação e das defesas.

Caso seja novamente condenado, Harion poderá receber uma nova pena pelos crimes analisados neste processo, distinta daquela já aplicada pelo assassinato de Thainá. Wyllyan também poderá ser condenado ou absolvido das acusações relacionadas a Bruna, independentemente de sua absolvição no julgamento anterior, porque se trata de outra vítima e de fatos distintos.

A eventual responsabilidade criminal de Caroline será igualmente analisada no novo julgamento.

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Heryvelton Martins
Autoria
Heryvelton Martins
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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