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Trio vai a júri em Ponta Grossa por homicídio ligado a cárcere e desvios, diz polícia

Corpo de Ricardo de Oliveira Osinski foi encontrado na Estrada do Alagado, em março de 2025; três acusados vão a júri na próxima terça-feira (22)

Trio vai a júri em Ponta Grossa por homicídio ligado a cárcere e desvios, diz polícia
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Mais de um ano após o corpo de Ricardo de Oliveira Osinski ser encontrado na área rural de Ponta Grossa, três acusados pela morte irão a julgamento pelo Tribunal do Júri. Fernando Siqueira de Oliveira, Jane Mara de Souza e Pedro Henrique Pereira têm sessão marcada para a próxima terça-feira, 22 de setembro, às 8h30, no Fórum Estadual de Ponta Grossa. O processo tramita como ação penal de competência do júri e tem como assunto principal homicídio qualificado.

O julgamento representa uma nova etapa de um caso que, segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), envolveu desvios de dinheiro, cárcere privado, sedação da vítima e homicídio. A investigação começou em 26 de março de 2025, quando o corpo de Ricardo foi localizado nas proximidades da Estrada do Alagado, em Ponta Grossa.

O início do caso de homicídio

Segundo a investigação da Polícia Civil, os fatos anteriores à morte começaram em 11 de março de 2025, quando Ricardo sofreu um acidente em uma pousada e precisou ser hospitalizado.

A PCPR informou que o proprietário de uma clínica terapêutica, que estava cadastrado como contato de emergência da vítima, foi chamado. A partir do acesso aos pertences e ao celular de Ricardo, conforme a investigação, teriam começado movimentações bancárias em benefício da clínica e de pessoas ligadas a ela.

Ainda segundo a polícia, R$ 86,5 mil teriam sido desviados enquanto Ricardo permanecia hospitalizado. As movimentações teriam continuado depois de sua alta e até mesmo após sua morte. Ao longo de toda a investigação, a PCPR apontou a subtração de aproximadamente R$ 143,6 mil das contas da vítima.

Polícia aponta cárcere e sedação

Com o avanço das diligências, a investigação passou a sustentar que, após receber alta médica, Ricardo teria sido mantido em cárcere privado. Segundo a conclusão do inquérito policial, medicamentos controlados teriam sido administrados sem prescrição médica para manter a vítima sedada enquanto os recursos financeiros eram retirados de suas contas.

A Polícia Civil informou que o homicídio teria sido cometido quando a descoberta dos desvios financeiros se tornou iminente. Essa é a tese construída pela investigação e submetida posteriormente à Justiça, cabendo ao Tribunal do Júri analisar as acusações referentes ao crime contra a vida.

Corpo foi encontrado na Estrada do Alagado

Ricardo foi encontrado morto no dia 26 de março de 2025, na região da Estrada do Alagado. De acordo com a PCPR, o corpo apresentava diversos ferimentos provocados por arma branca. A descoberta deu início à investigação conduzida pelo Setor de Homicídios da 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa.

A Polícia Civil apontou desde as primeiras fases do inquérito a existência de indícios de motivação financeira e premeditação. Segundo o delegado responsável pela investigação, os suspeitos teriam se aproveitado da situação de vulnerabilidade da vítima para acessar contas e realizar transações.

Prisão do casal e avanço da investigação

Em abril de 2025, um casal proprietário de uma clínica de reabilitação foi preso durante a investigação. Na ocasião, a Justiça também autorizou buscas em endereços ligados aos investigados e o bloqueio de valores.

Entre os objetos localizados estavam duas bicicletas que, segundo a polícia, teriam sido compradas com dinheiro retirado da conta de Ricardo. A PCPR também apurou que, no dia seguinte à localização do corpo, teria ocorrido uma transferência de R$ 27,5 mil para a clínica.

Posteriormente, um terceiro investigado foi preso. Segundo a Polícia Civil, ele havia sido interno da clínica e confessou participação no homicídio durante a investigação, afirmando aos policiais que teria agido a mando do casal proprietário do estabelecimento. Trata-se de declaração prestada durante a investigação, que integra o conjunto de elementos que será apreciado judicialmente.

Esse investigado também teria indicado onde estavam escondidos cartões bancários e outros pertences da vítima. Conforme a PCPR, os objetos foram encontrados na residência do casal.

Três foram indiciados

Ao concluir o inquérito, em junho de 2025, a Polícia Civil informou ter indiciado três pessoas por homicídio qualificado, cárcere privado, furto qualificado e associação criminosa. A conclusão policial descreveu o caso como um esquema envolvendo apropriação de recursos financeiros, privação da liberdade da vítima e homicídio.

Atualmente, o processo judicial identifica como réus Fernando Siqueira de Oliveira, Jane Mara de Souza e Pedro Henrique Pereira. A vítima registrada nos autos é Ricardo de Oliveira Osinski.

Um dos réus fez colaboração premiada

O processo ganhou um novo elemento em 2026. Pedro Henrique Pereira firmou um acordo de colaboração premiada, posteriormente homologado pela Justiça. Durante audiência realizada em 11 de agosto, Pedro declarou ter celebrado o acordo de forma livre e espontânea e acompanhado de advogado. O juiz considerou preenchidos os requisitos legais e homologou a colaboração.

Segundo a decisão, entre os resultados apresentados pela colaboração está a identificação e individualização das condutas atribuídas aos coautores. Como o processo é de competência do Tribunal do Júri, o magistrado determinou que os jurados também sejam questionados sobre a efetividade da colaboração.

O termo disponibilizado pela Justiça não revela integralmente o conteúdo das declarações feitas por Pedro nem antecipa como elas serão utilizadas pelas partes durante a sessão.

Justiça manteve os três presos

Poucas semanas antes do julgamento, a Justiça voltou a analisar a situação dos acusados. Em decisão de 3 de setembro de 2026, o juiz Luiz Carlos Fortes Bittencourt manteve a prisão preventiva de Fernando, Jane e Pedro. O magistrado afirmou que permaneciam os fundamentos utilizados anteriormente para a prisão cautelar.

Na decisão, o juiz registrou que os elementos reunidos no processo apontam indícios de premeditação e mencionou também indícios de que os réus teriam ocultado provas, dificultando a elucidação dos fatos. Essas circunstâncias integram os fundamentos da decisão cautelar e não representam, por si só, uma condenação definitiva.

Júri acontece na próxima terça-feira

Os três réus deverão comparecer presos à sessão de julgamento. A Justiça expediu requisição para que Fernando Siqueira de Oliveira e Jane Mara de Souza sejam apresentados mediante escolta armada. Pedro Henrique Pereira, que está recolhido na Cadeia Pública de Wenceslau Braz, também teve a apresentação requisitada para o julgamento.

A sessão está marcada para terça-feira (22), às 8h30, em Ponta Grossa. Caberá aos jurados analisar as acusações relacionadas ao homicídio e os elementos apresentados pela acusação e pelas defesas. Até uma decisão definitiva, os três réus devem ser tratados como acusados, com preservação da presunção de inocência.

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Heryvelton Martins
Autoria
Heryvelton Martins
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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