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Política

Argentina perde 31 mil empresas e 245 mil empregos formais durante governo Milei

Argentina perde mais de 31 mil empresas e 245 mil empregos formais durante o governo Milei. Veja os dados sobre indústria, inflação e desemprego.

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Foto; Matias Martin Campaya/ EPA/Shutterstock
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A Argentina perdeu mais de 31 mil empresas e 245 mil empregos formais desde o início do governo do presidente Javier Milei, em dezembro de 2023. Os números fazem parte de levantamentos divulgados neste mês de setembro e mostram a redução da atividade empresarial e do emprego registrado no país vizinho.

Segundo o relatório Monitor Mensal de Empresas, elaborado pelo centro de pesquisas argentino Fundar, o país registrou uma redução líquida de 31.342 empresas entre novembro de 2023 e junho de 2026. O número representa uma queda de 6,1% no total de companhias registradas na Argentina.

O levantamento aponta que, somente em junho deste ano, houve uma redução de 709 empresas em relação ao mês anterior. A diminuição no número de estabelecimentos atingiu 14 dos 18 setores econômicos analisados desde o início do atual governo.

Fechamento de empresas atinge quase toda a Argentina

A redução da atividade empresarial foi registrada em praticamente todo o território argentino. De acordo com a Fundar, 23 das 24 províncias apresentaram diminuição no número de empresas desde o início do governo Milei.

A única exceção foi Neuquén, onde a exploração de gás natural na região de Vaca Muerta tem contribuído para o desenvolvimento econômico local.

Entre os segmentos mais afetados estão transporte e armazenamento, atividades imobiliárias e construção civil.

O setor de transporte e armazenamento registrou uma redução de 17,51% no número de empresas desde novembro de 2023. No setor imobiliário, a queda foi de 13,99%, enquanto a construção civil apresentou retração de 9,5%.

O levantamento também identificou o encerramento das atividades de empresas tradicionais, como a metalúrgica Din S.A., que fechou sua fábrica após 56 anos de funcionamento, e a indústria têxtil Clan Issime, que encerrou as atividades depois de mais de cinco décadas.

Argentina perde mais de 245 mil empregos formais

A diminuição no número de empresas ocorre paralelamente à redução dos postos de trabalho com carteira registrada no setor privado argentino.

De acordo com um levantamento do Centro de Economia Política Argentina (Cepa), 245.664 empregos privados formais foram perdidos entre novembro de 2023 e junho de 2026. O resultado representa uma queda de 3,9% no total de trabalhadores dessa categoria.

No mesmo período, o número de trabalhadores inscritos no regime de trabalho autônomo conhecido como monotributo aumentou em aproximadamente 169 mil, crescimento de 8,3%.

Segundo o Cepa, parte das vagas formais perdidas está sendo substituída por atividades independentes, que podem oferecer condições diferentes de proteção trabalhista e previdenciária.

A taxa de desemprego também apresentou crescimento. Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec) mostram que o desemprego atingiu 7,9% no segundo trimestre de 2026, aumento de 0,3 ponto percentual em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Indústria argentina registra retração

A indústria também enfrenta dificuldades no cenário econômico argentino.

Dados oficiais do Indec, divulgados pela Agência Brasil, mostram que a produção industrial acumulou uma retração de 2,6% nos 12 meses encerrados em julho de 2026.

Entre os segmentos pesquisados, a fabricação de equipamentos eletrônicos e médicos apresentou uma das maiores quedas, com redução de 19,1% no período.

A retração industrial ocorre em um contexto de mudanças na política econômica argentina, marcado por medidas de ajuste fiscal, redução de gastos públicos e abertura comercial defendidas pelo governo Milei.

Inflação cai, mas mercado de trabalho enfrenta dificuldades

Apesar dos resultados negativos no mercado de trabalho e na indústria, a Argentina apresentou uma redução significativa da inflação durante o governo Milei.

A taxa anual de inflação, que chegou a 289% em abril de 2024, recuou para 33,5% em agosto de 2026, considerando a variação acumulada dos 12 meses anteriores.

O economista Paulo Gala, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), afirmou à Agência Brasil que a valorização da moeda argentina contribui para o controle dos preços, mas também pode prejudicar a competitividade da indústria nacional.

Segundo o especialista, a redução da inflação ocorre em um contexto de cortes de gastos públicos, empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e valorização do peso argentino.

Governo Milei destaca crescimento do PIB e redução da inflação

O presidente Javier Milei contesta as avaliações negativas sobre o desempenho da economia argentina e aponta outros indicadores para defender os resultados de sua política econômica.

Em um discurso realizado no final de agosto, o presidente destacou o crescimento das exportações, o aumento do consumo privado e a redução da inflação.

Milei também ressaltou que o Produto Interno Bruto (PIB) argentino cresceu 4,4% em 2025, depois de apresentar retração de 1,3% em 2024.

O presidente argumentou que o fechamento de empresas precisa ser analisado em conjunto com a abertura de novos negócios e a evolução dos indicadores de emprego.

Os levantamentos divulgados em setembro mostram, portanto, um cenário de resultados distintos na economia argentina: enquanto a inflação apresentou redução e o PIB voltou a crescer em 2025, o número de empresas e de empregos privados formais permanece abaixo dos níveis registrados antes do início do atual governo.

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Diogo Laba
Autoria
Diogo Laba
Jornalista formado pela UEPG, atuo como repórter no BnT Esporte Clube e no jornalismo diário do BnT. Comprometido com uma cobertura responsável, dinâmica e pautada pela qualidade da informação.
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