Milei coloca barragens e hidrovias sob influência dos EUA
O governo de Javier Milei assinou um memorando com o Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA, permitindo participação americana em segurança de barragens e infraestrutura hidráulica. O documento, inicialmente em inglês, teve tradução divulgada mais de um mês após vigorar, gerando críticas de assimetria e acesso privilegiado a dados estratégicos.

O governo de Javier Milei assinou um memorando com o Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos, permitindo a participação norte-americana em atividades de segurança de barragens e gestão de infraestruturas hidráulicas na Argentina. Além disso, o documento, inicialmente redigido apenas em inglês, teve sua tradução oficial divulgada mais de um mês após entrar em vigor. Ademais, a negociação ocorreu em meio à ampliação da cooperação bilateral na estratégica Via Navegável Troncal, que abrange os rios Paraná e Paraguai.
Memorando assinado apenas em inglês
Segundo apuração do El Destape, o acordo foi elaborado pelo Corpo de Engenheiros dos EUA e apresentado às autoridades argentinas em formato praticamente concluído. Além disso, a Argentina teria tido participação limitada na redação das condições.
O memorando inclui cláusulas de confidencialidade que protegem informações, relatórios e dados técnicos produzidos durante as atividades de cooperação. Consequentemente, a ausência de divulgação ampla e o atraso na disponibilização do texto em espanhol levantaram questionamentos sobre a transparência do governo Milei ao negociar a participação de um organismo estrangeiro na gestão de infraestruturas sensíveis.
Relação assimétrica e dados estratégicos
A Agenda Malvinas afirmou que os termos do acordo criam uma relação assimétrica e que os Estados Unidos passam a ter acesso privilegiado a dados estratégicos da Argentina. Dessa forma, as cláusulas de confidencialidade, aliadas à origem externa do texto, reforçam a percepção de que o memorando pode limitar o controle soberano sobre recursos sensíveis. Além disso, a fonte não detalhou quais tipos de informações estariam sob sigilo, mas a menção a relatórios e dados técnicos sugere amplo alcance.
Cooperação avança sobre a hidrovia
O memorando foi assinado no mesmo período em que o governo argentino ampliava a cooperação com o Corpo de Engenheiros dos EUA na Via Navegável Troncal. Além disso, essa hidrovia, formada principalmente pelos rios Paraná e Paraguai, é fundamental para o escoamento da produção agrícola, mineral e industrial do país. Consequentemente, grande parte das exportações argentinas circula por ela.
Representantes dos dois países se reuniram em Buenos Aires em 7 de março de 2024 para iniciar a implementação do memorando relacionado à administração portuária e à hidrovia.
Reservas de água doce em jogo
A cooperação com os Estados Unidos envolve uma das maiores reservas de água doce do planeta, formada pelas bacias dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai e pelo aquífero Guarani. Nesse contexto, o Rio Paraná, que atravessa o estado do Paraná, é peça central tanto na hidrovia quanto na disponibilidade de recursos hídricos. Portanto, qualquer interferência externa nesse sistema pode ter reflexos diretos na região, que depende da via para transporte e da água para abastecimento e agricultura.
Transparência sob questionamento
A combinação de um documento assinado em inglês, com tradução tardia e cláusulas de sigilo, mantém o debate sobre a transparência do processo. Além disso, até o momento, a fonte não detalhou se houve consulta a outros setores do governo ou ao Congresso argentino. Ademais, o governo Milei não se manifestou publicamente sobre as críticas.
Enquanto isso, a influência dos EUA sobre as barragens e os recursos hídricos argentinos segue como tema sensível, especialmente para os moradores da Bacia do Paraná, que observam com atenção os desdobramentos do acordo.























