Bala de caramelo, por Renata Régis Florisbelo
Ele chegou todo de preto, a cor preferida, dele e minha. Elegância, mistério e magnetismo. Aquela cor cumpria o papel de acordar a memória, trazer flashes do passado, as cores dos sentimentos que ficaram acrisolados… Meu coração ainda não se libertou da cor da roupa que ele usa, no corpo que ele mostra, no desejo […]

Ele chegou todo de preto, a cor preferida, dele e minha. Elegância, mistério e magnetismo. Aquela cor cumpria o papel de acordar a memória, trazer flashes do passado, as cores dos sentimentos que ficaram acrisolados… Meu coração ainda não se libertou da cor da roupa que ele usa, no corpo que ele mostra, no desejo que só ele desperta. E aquela voz macia, um veludo de prazer que vem acariciar meus ouvidos. Doçura de voz que só ele tem.
O toque de displicência: se deixou perceber no flagrante da bala de caramelo tirada do bolso, descascada, rodopiada na nudez que o papel removido lhe provocava. Silêncio, meus olhos cravados nele, na boca que por fim agarrou a discreta bala. E me derreti tal qual aquela massa caramelizada, ela na boca eu fora, na periferia, no lado externo daquela camisa, calça e sapatos pretos.
Tonta, entorpecida, minhas pernas amoleceram, o coração derreteu e eu toda quase me fundi à massa da bala de caramelo que nunca mais terá vulgar sabor para mim.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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