Barbeiro de PG relata momentos de terror: “Eu só pedia pra Deus não me deixar morrer”
Em relato especial, o Barbeiro João Victor Pereira detalha como viu o atirador pelo espelho, o desespero durante os disparos e a bênção que recebeu enquanto lutava pela vida.

O ataque a tiros que deixou um morto e um ferido gravemente em uma barbearia no Jd. Castanheira, no último mês, ainda ecoa na memória de quem viveu o pesadelo de perto. Nossa equipe de jornalismo do BnT traz agora, com exclusividade, o relato emocionante do barbeiro João Victor Pereira, de 22 anos.
Recuperando-se no hospital após dias internado na UTI, o jovem detalhou os segundos de pânico que presenciou enquanto trabalhava no estabelecimento, localizado na Avenida Siqueira Campos, em Ponta Grossa.
O reflexo do perigo no espelho
O dia de trabalho seguia normalmente até que um detalhe no espelho mudou o rumo daquela tarde. João Victor conta que percebeu a aproximação do suspeito, mas tentou afastar o mau pressentimento instantes antes da tragédia.
“Eu estava atendendo o cliente e daí eu olhei no espelho e vi o reflexo… eu vi o cara vindo, sabe? Ele de capacete, e eu pensei assim: ‘Pô, que medo, né?’. Falei: ‘Não, deve ser só impressão, não vou pensar o pior’. E daí deixei e continuei atendendo.”
O desespero, a fuga e os tiros
A esperança de que fosse apenas um susto se desfez em instantes. O homem armado, com o rosto totalmente oculto, invadiu o local e abriu fogo diretamente contra o cliente, Hugo Moll, de 39 anos, que não resistiu. O barbeiro acredita que acabou sendo baleado por conta de sua reação instintiva de sobrevivência em meio ao caos.
“Nessa, o cara chegou e atirou no meu cliente. Eu, no desespero, fui sair correndo. Acho que ele se assustou também e acabou atirando em mim. Em vez de eu deitar, cair no chão ou ir pro outro canto, não… no desespero eu quis sair dali e corri. E daí ele se assustou e atirou. Não deu pra ver o rosto dele por conta que ele estava de capacete.”
Um clamor pela vida e uma bênção em meio ao sangue
Atingido e caído no estabelecimento, João Victor enfrentou a agonia de ver a vida por um fio. Consciente de sua juventude, o jovem apegou-se à fé em um dos momentos mais comoventes e dramáticos do seu relato.
“Já na hora ali, eu só pedia pra não morrer. Eu pedia pra Deus não deixar eu morrer. Falava que eu era muito novo e que eu sou uma pessoa boa, não tinha por que eu estar passando por aquilo, sabe? Então eu só pensava e falava: ‘Deus, não deixa eu morrer, deixa eu viver, eu não posso morrer’.”
Em meio à dor, um ato espiritual marcou aqueles minutos cruciais antes da chegada do socorro médico, trazendo um fio de esperança para o jovem.
“Eu pedi uma bênção também pro meu amigo. Ele me deu uma bênção ali na hora. Eu só pedi pra não morrer, queria que Deus me deixasse viver… e Ele me deixou.”
O andamento do caso
O atirador e seu comparsa continuam foragidos. Após o crime, a dupla sofreu um acidente com uma moto que possuía alerta de furto e fugiu a pé para uma área de mata. As autoridades seguem trabalhando na investigação para elucidar a motivação do ataque e prender os envolvidos nesta execução que abalou a cidade de Ponta Grossa.
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