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Bola Rolando: Operário pagou caro pela teimosia e agora não pode errar de novo

Após a saída de Luizinho Lopes, Operário Ferroviário precisa rever elenco, utilização da base e planejamento para reagir na Série B.

Operário
Foto: André Jonsson / OFEC
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O Operário Ferroviário chegou ao limite. A derrota para o Botafogo-SP por 2 a 1 não foi apenas mais um tropeço na Série B. Foi o retrato de um time sem reação, sem alternativa e que vinha há algum tempo dando sinais claros de que alguma coisa precisava mudar.

E mudou.

Luizinho Lopes deixou o comando técnico. Uma decisão que, diante do que vinha acontecendo, parecia inevitável.

Mas é bom deixar uma coisa clara: demitir o treinador não resolve tudo.

A sequência já era preocupante. Depois do empate em 2 a 2 com o Ceará, veio a derrota por 3 a 0 para o Juventude, em Caxias do Sul, e depois o novo revés diante do Botafogo-SP. Mais do que os resultados, incomodava a forma como o Operário vinha jogando.

Luizinho Lopes morreu abraçado à própria teimosia

Durante semanas, uma coisa ficou evidente: o Operário não tinha um plano B.

O time insistia praticamente na mesma maneira de jogar, insistia em determinados atletas e parecia incapaz de encontrar soluções diferentes dentro do próprio elenco.

Quando uma estratégia deixa de funcionar, o treinador precisa mexer. Testar. Criar. Buscar alternativas.

Isso não aconteceu na velocidade necessária.

Luizinho Lopes apostou até o fim em suas convicções. E, no futebol, convicção demais também pode virar teimosia.

Foi justamente essa teimosia que ajudou a transformar uma sequência ruim em uma crise.

O 4-3-3 permaneceu. Jogadores continuaram recebendo oportunidades mesmo atravessando fases ruins. Outros, que poderiam oferecer características diferentes, ficaram esperando espaço.

No fim, o treinador acabou pagando a conta.

O problema não estava apenas no banco

Seria confortável demais colocar tudo nas costas de Luizinho Lopes.

O Operário precisa olhar também para o elenco que montou e, principalmente, para as escolhas que vêm sendo feitas.

Há jogadores que estão muito abaixo do nível necessário para uma Série B. Outros parecem receber oportunidades por aquilo que fizeram no passado, não pelo que estão produzindo hoje.

E futebol não pode ser um museu de boas lembranças.

Um jogador pode ter sido importante há dois, três ou cinco anos. Pode ter marcado gols decisivos, conquistado títulos e criado identificação com a torcida.

Tudo isso merece reconhecimento.

Mas reconhecimento não pode garantir vaga no time.

História merece homenagem. Escalação precisa ser conquistada no presente.

Esse é um ponto que o Operário precisa rever urgentemente.

O clube não pode continuar contratando ou mantendo atletas apenas porque tiveram boas passagens anteriormente. Futebol profissional exige rendimento.

A base precisa deixar de ser apenas discurso

Outra questão precisa entrar seriamente no debate: as categorias de base.

O Operário tem jogadores sendo preparados dentro de casa, mas muitas vezes prefere insistir em atletas experientes que pouco estão entregando.

Por quê?

Schumacher, responsável pelas categorias de base e pelo time sub-20, conhece profundamente o ambiente do clube e os jogadores que estão surgindo. Quem assumir definitivamente o comando técnico fará bem se conversar muito com ele.

Não significa colocar dez garotos em campo de uma hora para outra.

Significa abrir espaço.

Significa entender que atletas como Zuluaga, Miranda e jovens que vêm sendo preparados precisam ser observados de verdade.

Grandes clubes brasileiros recorrem às categorias de base quando precisam de energia, velocidade e alternativas.

Por que o Operário deveria agir diferente?

Principalmente quando possui uma realidade financeira muito mais limitada.

O novo treinador encontrará um incêndio

Agora começa outro problema.

Quem assumir encontrará pouquíssimo tempo.

O próximo compromisso é contra o Goiás, no domingo (11), às 18h30, pela 33ª rodada da Série B.

Não existe mágica.

Pode chegar um treinador experiente, vencedor e cheio de boas ideias. Ainda assim, ele terá que conhecer rapidamente o elenco, conversar com a comissão permanente, avaliar a situação do departamento médico e descobrir quem realmente reúne condições de ajudar.

E há desfalques importantes.

Sem Coenu, expulso diante do Botafogo-SP, a defesa perde justamente uma de suas principais referências. Também existe preocupação com a condição de outros atletas.

Portanto, esperar uma transformação completa em poucos dias seria ingenuidade.

Operário precisa pensar além das seis rodadas

Talvez o ponto mais importante seja este.

O Operário ainda precisa competir nesta Série B.

Enquanto houver possibilidade matemática, precisa buscar o máximo possível.

Mas o planejamento de 2027 já deveria estar sobre a mesa.

Quem realmente deve permanecer?

Quem já demonstrou que não consegue entregar o necessário?

Quais jogadores da base podem subir?

Que perfil de treinador combina com aquilo que o clube pretende construir?

Porque trocar técnico e continuar repetindo os mesmos erros de montagem de elenco simplesmente adia o problema.

O próximo treinador não pode chegar apenas para apagar o incêndio de outubro.

Precisa ajudar o Operário a evitar outro incêndio em janeiro, fevereiro ou março.

Chegou a hora de mudar mais do que o treinador

A demissão de Luizinho Lopes encerra um ciclo.

Era necessária.

Mas pode significar muito pouco caso o Operário simplesmente troque uma peça e mantenha todo o restante funcionando exatamente da mesma maneira.

O clube precisa rever conceitos, contratações, renovações, utilização da base e critérios para montar o time.

A camisa do Operário é maior do que qualquer treinador e maior do que qualquer jogador.

Técnicos passam.

Jogadores passam.

Dirigentes passam.

O Operário Ferroviário fica.

E é justamente por isso que algumas decisões precisam ser tomadas pensando menos nas histórias individuais e muito mais no futuro da instituição.

Depois de tanta teimosia, o Fantasma não pode cometer o pior erro possível:

errar de novo.

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Ivan Vinícius
Autoria
Ivan Vinícius
Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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