Brasil e OMS cobram união mundial para evitar desigualdades em nova pandemia
A OMS e o Governo do Brasil destacam que fatores como mudanças climáticas, alterações ambientais e avanços biotecnológicos aumentam os desafios para monitorar e conter novos agentes infecciosos

Com o início da cúpula do G7, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, divulgaram uma carta aberta pedindo apoio dos líderes das maiores economias do mundo para a conclusão do Acordo Global sobre Pandemias.
A iniciativa busca transformar as experiências vividas durante a Covid-19 em ações permanentes de prevenção, preparação e resposta a futuras emergências sanitárias. O acordo foi aprovado em 2025, mas ainda depende da conclusão de etapas técnicas para entrar efetivamente em vigor.
BRASIL LIDERA NEGOCIAÇÕES
O Brasil está à frente das discussões sobre o anexo de Acesso a Patógenos e Partilha de Benefícios (PABS), considerado um dos pontos fundamentais do acordo. A proposta pretende estabelecer regras para o compartilhamento rápido de informações sobre vírus, bactérias e outros agentes com potencial de causar pandemias.
O objetivo é garantir que países que colaboram com dados e pesquisas também tenham acesso aos resultados obtidos, como vacinas, medicamentos, testes e novas tecnologias.
Segundo a carta assinada por Lula e Tedros, a cooperação precisa ocorrer de forma mais equilibrada. “Aqueles que partilham rapidamente patógenos com potencial pandêmico devem poder confiar que as vacinas e os tratamentos resultantes dessa partilha também chegarão às suas comunidades”, destaca o documento.
LIÇÕES DA COVID-19
A proposta surge após dificuldades enfrentadas durante a pandemia de Covid-19, quando países contribuíram com informações importantes para o desenvolvimento de soluções, mas tiveram limitações no acesso a produtos essenciais depois que eles ficaram disponíveis.
“O mundo precisa terminar o que começou”, afirmam Lula e o diretor-geral da OMS na carta, destacando que especialistas apontam riscos de novas pandemias nos próximos anos.
A próxima rodada de negociações sobre o anexo do acordo está prevista para julho. Em maio, os países envolvidos nas conversas ainda não chegaram a um consenso sobre os critérios para compartilhamento de informações e benefícios.
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da articulação da carta junto à OMS e afirmou que a conclusão do acordo é considerada estratégica para evitar a repetição das desigualdades observadas durante a crise da Covid-19.
“Concluir essa parte fundamental do acordo representa um passo estratégico para fortalecer a segurança sanitária global”, afirmou Padilha.
A OMS e o Governo do Brasil destacam que fatores como mudanças climáticas, alterações ambientais e avanços biotecnológicos aumentam os desafios para monitorar e conter novos agentes infecciosos.
Durante a pandemia de Covid-19, estimativas internacionais apontaram milhões de mortes e impactos econômicos globais bilionários. A expectativa é que o novo acordo fortaleça a capacidade de resposta dos países diante de futuras ameaças à saúde pública. (As informações são da Agência Gov)
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