Brasileiros enfrentam filas em Paris para votar
No primeiro turno das eleições presidenciais, brasileiros em Paris enfrentaram longas filas desde cedo. O consulado reforçou a estrutura e substituiu urnas com defeito. Pela primeira vez, Marselha também recebe votação.

Brasileiros que vivem em Paris enfrentaram longas filas na manhã deste domingo (4 de outubro de 2026) para votar no primeiro turno das eleições presidenciais. As filas começaram a se formar antes mesmo das 8h da manhã no horário local (3h em Brasília), quando as urnas abriram, e já se estendiam por cerca de seis quarteirões. O movimento intenso marcou o início da votação na capital francesa, onde milhares de eleitores estão registrados.
Entre os que aguardavam na fila, a babá Luíza Angélica Portella resumiu o sentimento de parte dos eleitores. “Eu não faço questão de votar, mas como somos obrigados, eu estou aqui”, disse. A declaração reflete a obrigatoriedade do voto para brasileiros no exterior, mesmo para quem está longe do país.
Democracia em destaque nas ruas de Paris
O cônsul-geral do Brasil em Paris, Fábio Mendes Marzano, acompanhou de perto a movimentação e elogiou o processo. “Está sendo, até agora, um espetáculo fantástico de democracia, como todos esperavam”, afirmou à RFI. A expectativa, com base no comparecimento registrado em eleições anteriores, é de que cerca de metade dos eleitores inscritos compareça às urnas.
A votação em Paris transcorreu com tranquilidade, apesar do grande fluxo. Duas urnas eletrônicas que apresentaram problemas foram substituídas, já que o TSE enviou para Paris um número maior de máquinas justamente com essa finalidade. “As seções ficam abertas até as cinco da tarde, mas, se precisar, esperaremos até a última pessoa que estiver na fila”, afirmou Marzano.
Posicionamento político e esperança de mudança
Para muitos eleitores, o voto é uma forma de se posicionar diante do cenário político brasileiro. “Com certeza tem que se posicionar, estamos contra uma potencial ditadura no Brasil”, disse a eleitora Mariana Lourenço. A fala evidencia a preocupação de parte da comunidade com os rumos do país.
Outro eleitor, o empreiteiro Karlysson Ataíde Cerqueira, expressou esperança de transformação. “Estou aqui com a esperança de que o Brasil seja um país próspero e que nós possamos mudar aquele país, que precisa ser mudado. Chega, não aguento mais”, declarou. As opiniões refletem a diversidade de expectativas entre os brasileiros no exterior.
Marselha estreia como nova zona eleitoral
Pela primeira vez, em 2026, há votação também no Consulado-Geral do Brasil em Marselha, o que evitou que muitos eleitores da região tivessem que se deslocar até Paris. A novidade atende a uma demanda antiga da comunidade brasileira instalada no sul da França.
De acordo com a cônsul-geral do Brasil em Marselha, Vera Cíntia Alvarez, 2.669 eleitores estão inscritos para votar na nova zona eleitoral. A expectativa é receber entre 1.300 e 1.500 votantes. A descentralização do processo facilita o acesso ao voto e reduz custos de deslocamento para os eleitores.
Estrutura e logística para o pleito
O consulado em Paris organizou a votação com seções distribuídas para atender a demanda. A substituição das urnas defeituosas foi rápida, graças ao envio de máquinas extras pelo Tribunal Superior Eleitoral. A medida garantiu que o fluxo de eleitores não fosse interrompido.
Em Marselha, a estrutura montada no consulado atendeu à nova zona eleitoral. A cônsul Vera Cíntia Alvarez destacou a importância da novidade para a comunidade local. A expectativa de comparecimento em Marselha segue o padrão de outras cidades, com cerca de metade dos inscritos.
Contexto das eleições no exterior
O voto no exterior é obrigatório para brasileiros maiores de 18 anos que estejam registrados em zonas eleitorais fora do país. As eleições presidenciais mobilizam a diáspora brasileira em todo o mundo. Em Paris, a comunidade é uma das maiores da Europa, o que explica as longas filas.
A votação no exterior segue o mesmo calendário do Brasil, com primeiro turno em 4 de outubro de 2026. Os eleitores que não comparecerem precisam justificar a ausência, sob pena de multa. A participação no exterior é vista como termômetro do engajamento político da comunidade.
Próximos passos e apuração
Após o fechamento das seções, as urnas eletrônicas transmitem os votos para o sistema do TSE. A apuração no exterior é integrada à contagem nacional. Se houver segundo turno, os eleitores no exterior votam novamente na data prevista.
O consulado em Paris informou que aguardará até a última pessoa da fila, se necessário. A medida garante que todos os eleitores presentes possam exercer o direito ao voto. A expectativa é de que o processo seja concluído sem maiores incidentes.
Para os brasileiros no exterior, o voto é uma forma de manter vínculo com o país e influenciar o futuro político. A participação em Paris e Marselha demonstra o interesse da comunidade nas eleições presidenciais. O resultado do pleito definirá os rumos do Brasil pelos próximos quatro anos.























