Buscando uma opinião médica online? Não comprometa sua saúde e sua privacidade
Consultar sintomas na internet pode ser perigoso. Entenda os riscos da cibercondria, as falhas da IA na saúde e como proteger seus dados de links maliciosos.

A tendência de buscar aconselhamento médico na internet não é completamente nova: a internet é um grande repositório global de informações, então bulas de remédios virtuais e até sites informativos como WebMD ou o Portal do Drauzio Varella se sagraram como exemplos de referência para esses assuntos há tempos.
Porém, o excesso de confiança e a falta de conhecimento e zelo pela privacidade de dados têm causado mais riscos à saúde e à integridade pessoal dos consulentes.
ARMADILHAS DIGITAI
Os resultados de pesquisas do Google infelizmente podem trazer riscos reais à privacidade de dados. Pesquisas de equipes de cibersegurança indicam grande incidência de links comprometidos com malwares (vírus) relacionados à busca por determinados termos e palavras-chave.
Alguns dos termos com mais potencial de links avariados observados foram “vacina de gripe perto de mim”, “teste de IST perto de mim” e “terapeuta perto de mim”. No entanto, a lista vai longe além dessas frases.
Uma maneira eficaz de analisar se o destino virtual é seguro antes mesmo de acessá-lo é usar uma ferramenta para verificar o link, analisando se ele tem potencial de risco. Elas estão disponíveis como funcionalidades online, em sites, mas também podem estar embutidas em utilitários como programas de VPN ou antivírus.
Basta copiar o link, colar no campo de endereço dessas ferramentas e pedir para que ela o analise, indicando risco ou não.
GUINADA VIRTUAL REMOTA
A pandemia de Covid de 2020 foi um momento de intensa transformação digital de serviços e hábitos, que reflete até hoje. As consultas médicas remotas e os diagnósticos virtuais foram estimulados naquele contexto para evitar o contato físico.
Muitas pessoas, em particular a população idosa, aumentaram muito o tempo de exposição a telas sem ter uma introdução ou educação sobre o mundo virtual. Nesse sentido, ficaram propensas à influência por informações não confiáveis “embaladas” com linguagem e design convincentes.
O hábito de verificar links e a procedência das informações não foi inteiramente absorvido pela população até hoje. Isso pode tomar contornos preocupantes quando alguém usa métodos ineficazes, não comprovados ou “alternativos” para tratar de uma condição sem passar por um médico, por exemplo.
Outra possibilidade ruim é o autodiagnóstico. Apesar de às vezes trazerem informações úteis, as consultas a bancos de dados online (mesmo os confiáveis) por leigos jamais substituem testes clínicos e uma opinião médica profissional.
Além disso, em casos mais extremos, a hipocondria pode se intensificar com a ansiedade da exposição às telas. A descrição do fenômeno da “cibercondria” combina o estresse e o medo de doenças graves com a angústia trazida por buscas obsessivas na internet.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL VERSUS SAÚDE MENTAL
Apesar das facilidades de busca geradas pela inteligência artificial (IA), essa nova tecnologia também tem criado problemas na busca de informação médica. Não é preciso ir nem um pouco longe para se deparar com eles: diversos erros aparecem logo na AI Overview.
Este breve resumo aparece sempre como primeira ocorrência numa busca feita pelo Google. Ele se baseia em links bem-colocados no sistema de buscas da plataforma. Porém, profissionais médicos apontam a ocorrência de falsas informações – que podem ser daninhas para alguém buscando um diagnóstico rápido ou remédios para uma condição, como citado pouco acima.
Por fim, há o risco aumentado da IA para casos de doença mental. Modelos de IA são conhecidos por “alucinar”, apresentando respostas estapafúrdias para perguntas ou comentários humanos. Por outro lado, episódios relatados no noticiário sugerem que humanos podem ter comportamentos delirantes engatilhados após conversas prolongadas com modelos de IA.
Um dos casos mais recentes, do suicida Joel Gavalas em Miami exemplifica esse novo risco. A família do homem de 36 anos pede responsabilização do Google por seu homicídio culposo.
CONCLUSÃO: CONSULTAR REAIS SÃO ESSENCIAIS
Em meio a todos esses desafios, as consultas médicas reais e os testes clínicos meticulosos e as receitas de remédios baseadas em diagnósticos formais seguem sendo os portos seguros da saúde. Eles podem ser falhos em diversas ocasiões, mas ainda seguem mais poderosos do que qualquer IA ou banco de dados no trato de pacientes reais.























