Campanha da Fraternidade 2026 propõe reflexão sobre moradia digna em Ponta Grossa, explica Padre Joel Nalepa

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Nilson de Paula
Nilson de Paulahttp://www.bntonline.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), mestre em Ciências Sociais Aplicadas pela mesma instituição e produtor cultural. Atua como pesquisador das rotinas e das produções jornalísticas, com foco em relações étnico-raciais, história e política, articulando comunicação, análise social e práticas culturais em sua trajetória profissional e acadêmica.
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A Campanha da Fraternidade 2026 foi oficialmente apresentada na Diocese de Ponta Grossa com o tema “Fraternidade e Moradia”, trazendo para o centro do debate a dignidade humana e o direito a condições adequadas de habitação. O lema bíblico escolhido — “Ele veio morar entre nós”, do Evangelho de João — reforça a dimensão espiritual e social da proposta.

Em entrevista ao Portal Boca no Trombone, o Padre Joel Nalepa explicou que o objetivo da campanha vai além da estrutura física de uma casa. Segundo ele, o foco está na valorização integral da pessoa. “Quando falamos de moradia, falamos de dignidade, de direitos respeitados e de condições que permitam uma vida plena”, destacou.

A Campanha da Fraternidade existe desde 1964, sempre articulando fé e compromisso social. Em 2025, o tema abordou a Casa Comum e a preservação ambiental. Agora, em 2026, a Igreja volta o olhar para a realidade habitacional — um desafio que também se faz presente em bairros de Ponta Grossa e municípios dos Campos Gerais, onde comunidades enfrentam carências estruturais, falta de saneamento e moradias precárias.

De acordo com o padre, embora não haja um levantamento fechado sobre o número de famílias sem moradia na Diocese, cada paróquia é chamada a identificar situações de vulnerabilidade em seu território. A proposta envolve tanto ações solidárias quanto mobilização por políticas públicas. “Água, infraestrutura e saneamento são parte da dignidade humana”, reforçou.

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A Campanha da Fraternidade 2026 também caminha junto com o período da Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa marcado por jejum, oração e caridade. Padre Joel explica que essas práticas incentivam o amadurecimento espiritual e despertam a consciência social. “O jejum nos recorda que há pessoas que passam fome todos os dias. A esmola nos convida à partilha concreta”, afirmou.

Ele lembrou que a abstinência de carne é obrigatória apenas na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, sendo facultativa nas demais sextas-feiras da Quaresma.

Outro ponto destacado é a coleta do Domingo de Ramos, marcada para 29 de março, destinada a projetos sociais ligados ao tema da campanha. Como sugestão prática, a presidência da CNBB propôs que cada paróquia ajude ao menos uma família a melhorar sua moradia.

Para Padre Joel, a transformação começa com responsabilidade individual e coletiva. “Não podemos esperar que tudo venha pronto. Fé também é compromisso com a realidade”, concluiu.

Leia mais: Protesto contra qualidade da água em Ponta Grossa mobiliza moradores nesta quarta (25)

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