Às margens da praia do Rio Vermelho, em Salvador, na Bahia, a Casa de Iemanjá se destaca como um ponto de devoção e cultura. O local recebe inúmeras oferendas para homenagear a orixá Iemanjá, considerada a senhora das águas.
Essa tradição atrai fiéis e curiosos, especialmente no dia 2 de fevereiro, quando se comemora o Dia de Iemanjá. A data concentra ações religiosas em diferentes endereços da capital baiana.
Origem e transformação do espaço
De Casa de Peso a santuário
A Casa de Iemanjá nasceu como uma Casa de Peso, onde os pescadores podiam pesar e vender suas pescas. A transformação em um pequeno santuário veio da devoção dos pescadores do Rio Vermelho à orixá que governa o mar.
Atualmente, os presentes são ofertados no local e depois entregues por pescadores para Iemanjá. Essa prática mantém viva uma tradição comunitária.
Ligação com a comunidade pesqueira
Roberto Pantaleão faz parte da Colônia de Pescadores Z1, responsável pelo cuidado diário da Casa de Iemanjá. Essa ligação direta com a comunidade pesqueira reforça o caráter coletivo do espaço.
Assim, a história do local se confunde com a fé e o trabalho das pessoas que dependem do mar.
Decoração e identidade visual
Participação popular e artística
No início da década de 1970, a Casa de Iemanjá passou a ser decorada com a participação da população. A decoração incluiu a adição de esculturas e pinturas ao longo dos anos, enriquecendo o ambiente.
Boa parte desse trabalho foi feita por artistas locais, que contribuíram para a identidade visual do santuário.
Ambiente interno e contribuições
A parte interna da Casa de Iemanjá possui várias imagens de Iemanjá e azulejos, criando um cenário colorido e simbólico. Betth Garcia, uma arquiteta formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), é uma das profissionais que participaram desse processo.
A fonte não detalha sua contribuição específica. Dessa forma, o espaço se tornou uma expressão artística e religiosa.
Mosaico como homenagem coletiva
Criação e instalação
Um mosaico do artista Ed Ribeiro foi inaugurado na Casa de Iemanjá em 2008. Ed Ribeiro ofereceu a obra aos pescadores, que aceitaram o presente, integrando-a ao patrimônio do local.
A confecção do mosaico que contorna a Casa de Iemanjá levou cerca de três meses. O trabalho demonstra o cuidado e a dedicação envolvidos.
Significado das representações
- Frente da casa: O mosaico é uma homenagem a Iemanjá, destacando sua importância espiritual.
- Lateral direita: A obra homenageia os pescadores, com representações de canoas e peixes.
- Lateral esquerda: O mosaico é uma homenagem aos vendedores de peixe.
Essa narrativa visual completa celebra a comunidade em sua diversidade.
Reconhecimento como patrimônio
Valorização cultural e religiosa
Em 2020, a Festa de Iemanjá foi reconhecida como patrimônio imaterial municipal. Esse título oficializa a importância cultural e religiosa das celebrações em torno da orixá.
A Casa de Iemanjá, como ponto central dessas atividades, ganha destaque nesse contexto.
Preservação e significado atual
Além disso, o reconhecimento ajuda a preservar a memória e as práticas associadas ao local. Para os visitantes, a casa oferece uma janela para a rica herança afro-brasileira de Salvador.
Assim, ela continua a ser um símbolo de fé e resistência cultural na capital baiana.


















