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Política

CEI do Lixo entrega relatórios das investigações e PGA se posiciona

Relatório final da Comissão recomenda envio ao MP e TCE; empresa nega irregularidades e reafirma compromisso com a cidade.

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Foto: CMPG
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A Comissão Especial de Investigação (CEI) que apura possíveis irregularidades no Contrato nº 189/2008 e seu 36º aditivo, firmado entre a Prefeitura de Ponta Grossa e a empresa Ponta Grossa Ambiental (PGA), apresentou nesta quinta-feira (12) os relatórios finais dos trabalhos realizados ao longo dos últimos 90 dias. A PGA é responsável pela coleta e destinação final dos resíduos sólidos no município.

Durante a reunião de encerramento, foram protocolados dois documentos distintos: um assinado pela relatora da CEI, vereadora Teka dos Animais (União Brasil), e outro elaborado em conjunto pelo presidente da Comissão, vereador Professor Careca (PV), e pelo membro vereador Léo Farmacêutico (União Brasil).

Principais pontos

A CEI alega que houve vulnerabilidades de legalidade, fiscalização e execução no 36º aditivo do contrato firmado entre a Prefeitura de Ponta Grossa e a PGA. A comissão entende que a prorrogação contratual sem licitação caracterizam ato ilegal, o que foi permanentemente questionado pelos parlamentares durante as oitivas. “A falta de apreciação prévia da Câmara Municipal reforça a ausência de controle institucional adequado”, diz o documento.

A comissão também analisou o comprometimento da execução contratual em relação à construção e operação da usina de biogás, prevista no aditivo. “[…] foi custeada quase integralmente com recursos públicos, sem comprovação efetiva dos aportes por parte da concessionária. Além disso, a usina opera com menos da metade da capacidade projetada, não apresentando retorno financeiro claro nem indicadores de eficiência econômica.” 

Consta ainda no documento que a fiscalização do contrato não teria sido eficiente, sem controle técnico das determinações estabelecidas. “Não houve controle técnico rigoroso, tampouco articulação com outros órgãos, como a COPEL, para verificação das cláusulas de contrapartida contratual”. 

Recomendações

Com base nas conclusões obtidas, a Comissão propôs uma série de encaminhamentos aos órgãos de controle e sugestões de melhorias estruturais para evitar novas irregularidades. A primeira recomendação é o envio de cópia integral do relatório ao Ministério Público do Estado do Paraná, para que analise a possível prática de atos de improbidade administrativa e crimes contra a administração pública.

Os relatórios também serão enviados ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná, com o objetivo de realizar auditoria sobre as obrigações contratuais, verificar a economicidade do investimento na usina de biogás e apurar eventuais responsabilidades financeiras dos gestores públicos e da empresa concessionária.

À Prefeitura de Ponta Grossa, a CEI recomenda reavaliar a manutenção do Contrato nº 189/2008, especialmente quanto à validade jurídica do 36º Aditivo e sugere a abertura de um processo administrativo para apurar a responsabilidade dos agentes públicos envolvidos na autorização, gestão e fiscalização do aditivo.

Outras recomendações ao Executivo incluem a criação de um protocolo de capacitação técnica obrigatória para todos os fiscais de contratos de média e alta complexidade, especialmente nas áreas de infraestrutura, concessões e parcerias público-privadas. Por fim, a comissão também recomenda que sejam disponibilizadas no Portal da Transparência do Município informações completas sobre os contratos de concessão e suas alterações.

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À Câmara Municipal, a comissão propõe que seja aprovada uma legislação que obrigue a submissão prévia à Câmara de qualquer aditivo contratual que envolva prorrogação de prazo superior a cinco anos, inclusão de novo objeto não previsto inicialmente ou impacto orçamentário acima de 5% do valor global do contrato.

O presidente da CEI, o vereador Professor Careca (PV) comentou sobre a finalização das investigações. “Entregamos hoje o relatório final das investigações que fizemos. Foi um trabalho extenso, muitas oitivas, visitas e documentos que obtivemos. Optamos por fazer a indicação da abertura de uma CPI, para que possamos continuar investigando algumas questões que não foram esclarecidas nos 90 dias de trabalho e que foram apontadas no relatório final”, disse o parlamentar.

Posicionamento

A Ponta Grossa Ambiental se manifestou diante da conclusão das investigações. “Diante do encerramento da Comissão Especial de Inquérito (CEI) do Lixo, a Ponta Grossa Ambiental (PGA) vem a público reafirmar seu compromisso com a transparência e o respeito às instituições públicas. A PGA colaborou integralmente com a CEI, fornecendo todas as informações e documentos solicitados, demonstrando total disposição para o esclarecimento das dúvidas dos vereadores”, diz em nota.

A entidade contrapôs o argumento da Comissão e reafirmou que o aditivo do contrato é legal. “É importante ressaltar que as questões relacionadas ao contrato de concessão já foram devidamente analisadas pelo Poder Judiciário, que reconheceu a legalidade do processo e garantiu, explicitamente, a continuidade do 36º Termo Aditivo. A PGA permanece aberta ao diálogo com as autoridades e confiante de que análises técnicas criteriosas continuarão a evidenciar a seriedade e a regularidade de sua atuação”.

A empresa responsável pela coleta de resíduos em Ponta Grossa diz que tem se destacado não apenas pelos serviços operacionais, como coleta de lixo, varrição e manutenção de áreas verdes, mas também por investir em soluções sustentáveis, como a Usina Termelétrica a Biogás (UTB).

“A PGA reafirma seu compromisso com Ponta Grossa, atuando com responsabilidade, planejamento técnico e respeito à população. Mantemos nossa postura de cooperação com os órgãos fiscalizadores, convictos da importância de seguir oferecendo um serviço essencial com qualidade, inovação e total transparência”, diz em nota.

Vinicius Sampaio
Autoria
Vinicius Sampaio
Sou formado em Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa. Sou repórter do jornal Boca no Trombone, responsável por policial, esportes e política. Facilidade em comunicação visual, textual e verbal. Possuo conhecimento e um apreço especial por jornalismo de dados.
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