O filme O Agente Secreto, que conta a história do pesquisador Marcelo (Wagner Moura) em 1977, utiliza sua construção visual como elemento central para criar atmosfera. A direção de arte, desenvolvida com peças-chave e objetos encontrados em campo, foi essencial para traduzir a dimensão vivida pelos personagens durante o período da ditadura militar no Brasil.
A construção da atmosfera visual
A construção visual do filme, a partir da direção de arte, é fundamental para conferir a atmosfera de suspense e thriller. A proposta foi criar cenários e ambientes que trouxessem a dimensão vivida para o espaço e garantissem um diálogo com a história de cada um dos personagens.
Peças-chave e objetos encontrados
Para isso, a direção de arte trazia algumas peças-chave para cada ambiente, como:
- Um móvel
- Um quadro
- Uma luminária
Ao longo dos meses, novos objetos encontrados por diferentes membros da equipe em campo ajudavam a redefinir e conceber os cenários. Essa abordagem permitiu que cada espaço contasse sua própria história, preparando o terreno para os desenvolvimentos narrativos.
Os desafios da produção cenográfica
A produção envolveu múltiplas fontes e técnicas, exigindo coordenação cuidadosa da equipe. O objetivo era equilibrar autenticidade histórica com viabilidade prática.
Fontes e técnicas utilizadas
- Aluguel em acervos de São Paulo e Rio de Janeiro
- Uso de móveis e objetos de pessoas e instituições parceiras no Recife
- Produção de móveis e cenários do zero
Outro aspecto desafiador foi articular a produção e o orçamento. Os eletrônicos também são um desafio à parte, principalmente se queremos que eles funcionem. O resultado foi uma cenografia que respeita o período retratado enquanto mantém funcionalidade para as necessidades da filmagem.
Recife como personagem central
Recife assume um papel central no desenvolvimento do longa-metragem. A narrativa também ajuda a entender o tempo presente.
Reflexão sobre memória e cidade
O filme propõe uma reflexão sobre a memória em uma cidade que hoje enfrenta questões sociais e urbanas como:
- A especulação imobiliária
- A manutenção de construções e patrimônios históricos e culturais
Quando o filme vai para o Cinema São Luiz, isso fica ainda mais forte, com o interior monumental. Para Mariana, a experiência de participar do longa foi uma forma de conhecer e viver Recife de maneira interessante e intensa. A cidade não serve apenas como pano de fundo, mas como elemento ativo na construção da história.
As casas que contam histórias
Os ambientes residenciais foram cuidadosamente planejados para revelar aspectos dos personagens e do contexto histórico.
Casa de Dona Sebastiana
A casa de Dona Sebastiana, administradora de um conjunto de apartamentos no Edifício Ofir para abrigar opositores da ditadura, como Marcelo, carrega toda sua história. Um sofá ou uma vitrola foram fundamentais para entender como seria concebida essa residência.
No filme, Sebastiana conta que a sobrinha “viajou”, mas a narrativa depois indica que, na verdade, Geisa foi morta ou está desaparecida em função da atuação das forças militares.
Casa de Cláudia
No cenário da casa de Cláudia, vizinha de Marcelo interpretada pela atriz Hermila Guedes, a ideia foi traduzir esse lugar de passagem. A fonte não detalhou elementos específicos desse ambiente.
O impacto na equipe criativa
Beatriz Rufino é designer de interiores, fundadora do escritório RUBE Interiores e sobrinha da atriz Tânia Maria, que interpreta Dona Sebastiana no longa.
Reconhecimento e vínculos profissionais
Na visão de Beatriz, o longa-metragem foi uma oportunidade para:
- Reconhecer suas habilidades
- Valorizar os aspectos de sua atuação como designer de interiores
- Fortalecer a criação de vínculos
A experiência permitiu que profissionais locais contribuíssem com seu conhecimento da cidade e sua história. Essa colaboração entre equipe técnica e contexto urbano resultou em uma representação mais autêntica do período retratado, enriquecendo tanto o processo criativo quanto o produto final.


















