Código do pão, por Renata Régis Florisbelo
Existem códigos informais descobertos acidentalmente. O destino das noites de sábados era longo. Começava num bairro distante. No final da avenida o rio, cortado somente por um vagaroso ferry-boat. No vento fresco pelas águas um descanso depois do trajeto percorrido. E ainda mais uns dez quilômetros. Percurso a pé… Por fim, o lugar incrível que […]

Existem códigos informais descobertos acidentalmente.
O destino das noites de sábados era longo. Começava num bairro distante. No final da avenida o rio, cortado somente por um vagaroso ferry-boat. No vento fresco pelas águas um descanso depois do trajeto percorrido. E ainda mais uns dez quilômetros. Percurso a pé… Por fim, o lugar incrível que se desejava alcançar em momentos indizíveis.
Em um dado momento era necessário retornar, madrugada a avançar. Novamente, vencer os dez quilômetros de caminhada na avenida para então chegar na outra e alcançar o ferry-boat. Retorno. Madrugada com cheiro da manhã. E o cheiro da manhã é o do pão nas primeiras fornadas da panificadora que ainda abriria. Batidas na porta metálica e vigora o código do pão: um pacote quentinho graciosamente ofertado aos caminhantes. Ninguém negaria o pedido da madrugada. E em cada fornada, primeira fornada há um quinhão do pão dos errantes sem que ninguém nunca declarasse o código.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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