Papel manteiga, por Renata Régis Florisbelo
Memórias afetivas revelam a relação poética com o papel manteiga, símbolo de delicadeza, trabalho, amor e da passagem do tempo.

Era comum me deparar com ele décadas atrás: o inusitado papel manteiga. Reproduções delicadas, desenhos. Cenas vão se somando em minha mente como se fossem as camadas das delicadas folhas. Parecia como desenhar sobre asas de borboleta. Fragilidade que remete à unicidade dos momentos da vida que não tem mais volta.
As despedidas cuja lembrança é como a sutileza daquela folha. Trabalhos universitários, tantos e a exigência da reprodução de próprio punho por sobre o original papel. Fui feliz com ele por muitas décadas como a incidência do amor que se faz presente num por romântico. Tivemos sim, eu e o papel manteiga uma romântica interação e nossos corpos se fizeram únicos na mágica do amor na entrega de quando atuamos juntos.
Agora que o tempo passou e tanta coisa e gente amada se foi, a recordação de meus braços debruçados sobre este papel trabalhando. A manteiga que se derrete sou eu e ele é muito mais do que um papel.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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