Confiança em vacinas contra sarampo cai nos EUA, diz pesquisa
A confiança dos norte-americanos nas vacinas contra doenças infantis fatais, incluindo o sarampo, caiu nos últimos anos, segundo pesquisa Reuters/Ipsos. Apenas 76% consideram a vacina tríplice viral segura, ante 84% em 2020. O país registra mais de 3.000 casos de sarampo este ano, o maior número em 35 anos.

A confiança dos norte-americanos nas vacinas contra doenças infantis fatais, incluindo o sarampo, caiu nos últimos anos, segundo uma nova pesquisa Reuters/Ipsos — um sinal preocupante para o país, que enfrenta os piores surtos de sarampo das últimas décadas. O levantamento, realizado online e em todo o território nacional, reuniu respostas de 1.143 adultos e tem margem de erro de 3 pontos percentuais.
Os dados foram coletados ao longo de quatro dias e concluídos na segunda-feira. A pesquisa mostrou que uma maioria bipartidária da população ainda apoia a vacinação de crianças contra o sarampo, doença que praticamente desapareceu dos EUA por mais de duas décadas, até que um ressurgimento se consolidou nos últimos anos, após uma queda nas taxas de vacinação.
Queda na percepção de segurança
Cerca de 76% dos norte-americanos afirmaram acreditar que as vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola são seguras para as crianças, uma queda em relação aos 84% registrados em uma pesquisa Reuters/Ipsos de maio de 2020. A queda na confiança foi mais acentuada entre os republicanos, já que alguns membros do partido minimizaram a importância das vacinas.
Essa redução de oito pontos percentuais em cinco anos reflete um cenário de crescente hesitação vacinal, mesmo diante de evidências científicas robustas. A fonte não detalhou os motivos específicos para a mudança de percepção, mas o contexto político e a disseminação de informações incorretas podem ter contribuído.
Surtos ativos e mortes
Pensilvânia, Utah e Carolina do Sul estão enfrentando surtos de sarampo este ano. A Pensilvânia anunciou três mortes relacionadas ao sarampo nas últimas semanas. O país registrou mais de 3.000 casos confirmados este ano, o maior número em 35 anos.
O sarampo é altamente contagioso e pode causar sintomas como febre, erupção cutânea e problemas respiratórios. A doença é facilmente evitável com a vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola — uma vacina de rotina para crianças que tem 97% de eficácia na prevenção da infecção após duas doses.
Vacinação abaixo do ideal
A cobertura média de vacinação nos EUA entre crianças do jardim de infância caiu no ano passado para 92,5%, de acordo com dados do CDC, ficando abaixo do nível de 95% que, segundo especialistas, é necessário para alcançar a chamada imunidade coletiva, capaz de proteger aqueles na comunidade que não podem receber a vacina.
A vacina tríplice viral é normalmente administrada entre 12 e 15 meses de idade e, novamente, entre 4 e 6 anos. A queda na cobertura vacinal deixa comunidades vulneráveis a surtos, especialmente em áreas com bolsões de não vacinados.
Aprovação da gestão federal
A pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que apenas 19% dos norte-americanos aprovam a maneira como Trump tem lidado com o surto de sarampo, em comparação com 52% que desaprovam. O restante afirmou não ter opinião ou não respondeu à pergunta.
Esse índice de desaprovação majoritário indica insatisfação com as políticas federais de resposta ao surto. A fonte não detalhou quais ações específicas geraram a avaliação negativa, mas o dado reforça a pressão sobre as autoridades de saúde pública.
Impacto para a saúde pública
A queda na confiança vacinal e a redução da cobertura vacinal colocam em risco décadas de progresso no controle do sarampo. A imunidade coletiva é essencial para proteger bebês muito novos para serem vacinados, pessoas com sistema imunológico comprometido e outros grupos vulneráveis.
O ressurgimento do sarampo nos EUA serve de alerta para outros países, incluindo o Brasil, que já enfrentou surtos recentes. Manter altas taxas de vacinação é fundamental para evitar o retorno de doenças preveníveis.
O Portal Boca no Trombone continuará acompanhando os desdobramentos dessa crise de saúde pública e seus impactos globais. Para mais notícias sobre saúde e políticas de vacinação, navegue pelo nosso site.
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