Conflito no Estreito de Taiwan seria desastroso, diz EUA
O diretor do Instituto Americano em Taiwan, Raymond Greene, afirmou que qualquer conflito no Estreito de Taiwan teria impacto econômico global superior ao da Segunda Guerra Mundial. Ele destacou a próxima cúpula entre EUA e China como oportunidade para evitar erros de cálculo e reforçou o apoio à capacidade de defesa da ilha.

O principal diplomata dos Estados Unidos em Taipé alertou nesta quarta-feira que qualquer conflito no Estreito de Taiwan teria um impacto maior na economia global do que a Segunda Guerra Mundial. Raymond Greene, diretor do Instituto Americano em Taiwan, fez a declaração durante um fórum de defesa na capital taiwanesa, ressaltando a importância de evitar erros de cálculo entre Washington e Pequim.
“Além do custo humano, qualquer conflito no Estreito de Taiwan teria um impacto maior na economia global do que a Segunda Guerra Mundial”, disse Greene. A fala ocorre em um momento de tensões crescentes na região, com a China reivindicando a soberania sobre a ilha e intensificando sua pressão militar.
Diplomacia vigorosa como prioridade
Greene enfatizou que não há tema mais oportuno ou importante do que garantir a paz no Estreito de Taiwan. Segundo ele, os Estados Unidos, sob o governo Trump, fizeram da preservação da paz no Indo-Pacífico uma de suas principais prioridades. Isso inclui uma diplomacia “vigorosa”, especialmente nos níveis mais altos.
O diplomata destacou que a próxima cúpula entre os EUA e a China é uma oportunidade para avançar ainda mais em uma relação de estabilidade estratégica, com base na justiça e na reciprocidade, capaz de evitar mal-entendidos e erros de cálculo. O presidente da China, Xi Jinping, deve viajar aos Estados Unidos ainda este mês para uma reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump.
Equilíbrio de poder regional
Além da diplomacia, Greene afirmou que os EUA estão reforçando sua presença e suas parcerias na região do Indo-Pacífico para manter um “equilíbrio de poder regional favorável”. Ele também mencionou o apoio direto a Taiwan: “Em terceiro lugar, e especialmente relevante para a discussão de hoje, estamos apoiando os esforços de Taiwan para aprimorar sua capacidade de se defender.”
Embora os EUA, assim como a maioria dos países, não tenham relações diplomáticas formais com Taiwan — território reivindicado pela China —, eles são o mais importante apoiador internacional e fornecedor de armas da ilha, que é governada democraticamente. Essa postura tem sido um ponto de atrito constante nas relações sino-americanas.
Taiwan aumenta gastos com defesa
O governo do presidente de Taiwan, Lai Ching-te, priorizou o aumento dos gastos com defesa e a modernização militar, diante do nível de ameaça proveniente da China. O governo taiwanês, que rejeita as reivindicações de soberania de Pequim, previu no orçamento para o próximo ano que os gastos com defesa ultrapassem, pela primeira vez, 1 trilhão de dólares taiwaneses.
Esse investimento reflete a preocupação de Taipé com a possibilidade de uma ação militar chinesa. A China, por sua vez, mantém exercícios militares regulares ao redor da ilha e não descarta o uso da força para garantir a reunificação. A fonte não detalhou os valores exatos do orçamento em dólares americanos.
Riscos para a economia global
O alerta de Greene ecoa análises de especialistas que apontam o Estreito de Taiwan como um dos pontos mais perigosos do planeta. Um conflito na região interromperia cadeias de suprimentos globais, especialmente no setor de semicondutores, essenciais para a indústria de tecnologia. O impacto econômico, segundo o diplomata, superaria o da Segunda Guerra Mundial, um conflito que redesenhou a economia mundial.
A declaração ocorre em um contexto de incertezas sobre a política externa americana para a Ásia. A cúpula entre Trump e Xi, prevista para este mês, será um teste para a capacidade de ambos os países de gerenciar suas diferenças sem escalada militar. Para Taiwan, o apoio americano continua sendo vital para sua segurança.
O Portal Boca no Trombone continuará acompanhando os desdobramentos dessa tensão geopolítica e seus possíveis reflexos para o Brasil e o Paraná, especialmente no que diz respeito ao comércio internacional e à estabilidade econômica global.
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