Histórias que constroem: Uma trajetória construída pelo trabalho, pelo conhecimento, pela família e pelo propósito de preservar vidas
Uma trajetória que começou na agricultura familiar, passou pela Polícia Militar do Paraná e encontrou na Segurança do Trabalho o propósito de preservar vidas.Conheça a história do colunista e técnico de segurança de trabalho José Leal que formou sua família e se desenvolveu profissionalmente entre Salto do Itararé e Ponta Grossa.

Prefácio
Existem histórias que nascem do conforto. Outras, da necessidade. Mas há aquelas que florescem da coragem de mudar o próprio destino.
Esta é a história de um homem simples, nascido no interior do Paraná, que aprendeu ainda criança que o trabalho duro molda o caráter, mas que o conhecimento transforma vidas.
Das plantações familiares nas terras vermelhas de Salto do Itararé aos grandes projetos industriais, da disciplina militar à missão de preservar vidas por meio da Segurança do Trabalho, esta caminhada foi construída com esforço, fé, resiliência e amor pela família.
Mais do que uma trajetória profissional, esta é uma jornada humana marcada por desafios, recomeços, perdas, aprendizados e conquistas.
Capítulo 1 — As raízes no interior do Paraná
Nasci em Salto do Itararé, no interior do Paraná, divisa com São Paulo, em uma família simples, onde a agricultura familiar era a base do nosso sustento.
Minha infância foi marcada pelo trabalho no campo. Não havia máquinas modernas, funcionários ou facilidades. Dependíamos das próprias mãos. Meus pais, meus irmãos e eu trabalhávamos juntos diariamente para garantir o sustento da família.
O sol forte das terras vermelhas do Norte Pioneiro fazia parte da rotina. Cada plantio, cada colheita e cada saca carregada representavam sobrevivência.
Foi nesse ambiente que aprendi valores que passariam a acompanhar toda a minha caminhada:
O trabalho dignifica;
A união familiar fortalece;
A simplicidade ensina;
A dificuldade pode se transformar em força.
Ainda criança, comecei a perceber que aquela realidade não poderia durar para sempre. O campo exigia muito de nossa pequena família, e as oportunidades eram limitadas. Mesmo sem compreender completamente o futuro, algo dentro de mim dizia que seria necessário buscar novos caminhos.
Capítulo 2 — Aos 14 anos: responsabilidade antes do tempo
Com o passar dos anos, a agricultura tornou-se insustentável para nossa família. Meus pais decidiram partir em busca de novas oportunidades em outra cidade. Antes que pudéssemos nos reunir novamente, eu e meus irmãos ficamos responsáveis por concluir a venda das últimas sacas produzidas.
Eu tinha apenas 14 anos.
Naquela idade, muitos jovens ainda estão descobrindo o significado da responsabilidade. Eu já precisava lidar com decisões importantes e ajudar minha família em um momento decisivo. Foi ali que aprendi que maturidade nem sempre depende da idade, mas das circunstâncias.
Mesmo diante das dificuldades, nunca faltaram esperança e fé dentro de casa. Meus pais acreditavam que dias melhores viriam, e essa esperança também passou a fazer parte da minha essência.
Capítulo 3 — Ponta Grossa, SENAI e os primeiros novos caminhos
Quando finalmente chegamos a Ponta Grossa, encontrei a oportunidade de começar uma nova história.
Meu tio Gentil foi uma das pessoas mais importantes dessa fase. Seu nome representava exatamente quem ele era: um homem humilde, trabalhador, generoso e dedicado à família.
Foi ele quem me incentivou a buscar formação profissional e a acreditar que eu poderia construir um futuro diferente.
Por sua orientação, ingressei no SENAI. A formação profissional representou uma mudança concreta de perspectiva e iniciou uma transformação que marcaria toda a minha trajetória.
Capítulo 4 — Serviço Militar e Polícia Militar do Paraná
Pouco tempo depois, ingressei no serviço militar. A experiência reforçou valores que eu já havia começado a desenvolver desde a infância: comprometimento, organização, respeito, disciplina e responsabilidade.
Posteriormente, ingressei na Polícia Militar do Paraná, atuando inicialmente como soldado e, depois, como cabo. Fui lotado em Guarapuava, cidade onde permaneci por aproximadamente cinco anos.
Atuação na Polícia Militar do Paraná.
Na Polícia Militar vivi experiências intensas, com momentos de coragem, tensão e grande aprendizado. Durante um confronto armado envolvendo assaltantes de ônibus, três colegas foram baleados. Em meio ao caos e ao risco extremo, precisei agir rapidamente para socorrê-los e contribuir para a organização de uma resposta segura.
Aquele episódio marcou profundamente minha vida. Foi uma experiência que me ensinou, na prática, o significado de responsabilidade e liderança sob pressão.
Capítulo 5 — Guarapuava, Sandra e uma decisão que mudou minha vida
Foi em Guarapuava que conheci Sandra, minha esposa. Mais do que companheira de vida, ela se tornou um dos maiores pilares da minha trajetória.
Sandra enxergava em mim possibilidades que, muitas vezes, eu mesmo não conseguia enxergar. Percebendo as dificuldades da rotina policial e acreditando que eu poderia construir uma nova carreira, passou a me incentivar a buscar outros caminhos.
Inicialmente, resisti. Eu já possuía uma carreira estável, construída com esforço e disciplina, e recomeçar parecia um risco grande demais.
Até que um dia descobri que minha matrícula no curso Técnico em Segurança do Trabalho já estava feita. Sandra havia tomado a iniciativa.
O curso, oferecido em escola pública estadual, tinha duração de três anos. No início, fui contrariado. Mas bastaram os primeiros estágios na indústria para que algo mudasse dentro de mim.
Pela primeira vez, percebi que Segurança do Trabalho não era apenas uma profissão. Era propósito.
Compreendi que preservar vidas, promover bem-estar e contribuir para que as pessoas trabalhassem com segurança era uma missão de enorme valor. A partir dali, minha visão profissional mudou completamente.
Capítulo 6 — 1995: a coragem de recomeçar na Segurança do Trabalho
Após concluir minha formação como Técnico em Segurança do Trabalho, tomei uma das decisões mais difíceis da minha vida: pedi exoneração da Polícia Militar.
Deixei para trás uma carreira estável para iniciar praticamente do zero em uma nova área. Foi um salto de fé, movido pela coragem, pelo desejo de crescimento e pela vontade de construir uma trajetória alinhada ao propósito que havia descoberto.
Desde 1995, passei a dedicar minha vida profissional ao fortalecimento da Saúde e Segurança Ocupacional.
Ingressei na Unilever – Gessy Lever, unidade de Ponta Grossa. Ali começou uma das etapas mais importantes da minha história profissional.
Ao longo de quase 25 anos de atuação na empresa, tive a oportunidade de aprender com grandes profissionais, desenvolver pessoas, implantar projetos e crescer continuamente.
Minha trajetória foi construída passo a passo:
Técnico em Segurança do Trabalho;
Coordenador Divisional;
Coordenador Corporativo de Saúde, Segurança e Meio Ambiente;
Responsável por novos projetos e processos estratégicos.
Nesse período, participei da criação e implantação de ferramentas, processos e sistemas voltados à construção de ambientes de trabalho mais seguros, incluindo formulários de inspeção, Permissões de Trabalho para atividades críticas, procedimentos para espaços confinados, procedimentos operacionais de segurança, sistemas de auditoria, controle de EPIs, gestão de saúde ocupacional, preparação para emergências e controles de engenharia em novos projetos.
Mais do que sistemas e documentos, essas iniciativas contribuíram para fortalecer uma cultura de prevenção. Ao longo dos anos, compreendi que Segurança do Trabalho vai muito além das normas: representa cuidado com a vida humana.
Capítulo 7 — O conhecimento como caminho de transformação
Paralelamente à carreira profissional, retornei aos estudos. A experiência acumulada no chão de fábrica e na gestão despertava em mim uma necessidade permanente de compreender melhor os processos, os riscos e as soluções técnicas.
Ao longo dessa caminhada, concluí e desenvolvi formações nas áreas de:
Tecnologia em Processos;
Engenharia Civil;
Pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho;
Auditorias e formações em sistemas DNV e DuPont;
Outras especializações voltadas à gestão, segurança e desenvolvimento humano.
Aprendi que estudar não apenas abre portas. O conhecimento muda destinos.
Capítulo 8 — Liderança, formação de pessoas e compartilhamento do conhecimento
Sempre acreditei que ninguém cresce sozinho. Ao longo da minha trajetória, tive líderes e mentores que acreditaram em mim e contribuíram para minha formação.
Entre eles, destaco Cosmo Palásio, uma grande referência na área de Segurança e Saúde Ocupacional. Com ele reforcei uma convicção que carregaria por toda a vida: conhecimento não deve ser guardado; deve ser compartilhado.
Por isso, procurei desenvolver equipes, incentivar pessoas e preparar profissionais para crescerem. Um princípio que sempre transmiti foi:
“Me empurre que eu te puxo também.”
Para mim, liderança verdadeira não se resume à autoridade. Ela está na capacidade de inspirar, orientar, compartilhar experiências e abrir caminhos para que outras pessoas também possam avançar.
Essa convicção também me levou à formação acadêmica de profissionais, por meio da atuação como professor de Pós-Graduação em Segurança do Trabalho.
Capítulo 9 — Engenharia, Perícia Judicial, CREA e atuação associativa
Com a experiência profissional consolidada e a formação acadêmica ampliada, minha trajetória passou a reunir diferentes frentes de atuação técnica, sempre relacionadas à engenharia, à prevenção e à valorização profissional.
Passei a exercer atividades como Engenheiro Civil e Engenheiro de Segurança do Trabalho, além da atuação como Perito Judicial e professor de Pós-Graduação em Segurança do Trabalho.
Também passei a contribuir institucionalmente com a engenharia, por meio da atuação como Inspetor do CREA e da Presidência da Associação dos Engenheiros de Segurança dos Campos Gerais, além de outras atividades destinadas ao fortalecimento da área técnica.
Essas atividades representam uma continuidade natural de tudo o que começou nas terras vermelhas do interior: trabalhar, aprender, compartilhar conhecimento e contribuir para que outras pessoas encontrem ambientes de trabalho mais seguros.
Capítulo 10 — O legado que desejo deixar
Ao olhar para trás, vejo que minha trajetória foi construída sobre valores simples, porém extremamente fortes.
O trabalho dignifica, mas o conhecimento transforma
Quero que minha história mostre que estudar muda vidas e cria oportunidades onde antes existiam limitações.
Ninguém chega sozinho
Sou profundamente grato às pessoas que me ajudaram ao longo do caminho. Meu tio Gentil, minha esposa Sandra, meus pais, meus irmãos, colegas, líderes e mentores fizeram parte dessa construção.
Proteger vidas é um valor inegociável
A maior missão que carreguei na vida profissional foi contribuir para que trabalhadores pudessem retornar para suas casas em segurança.
É possível sair do pouco e construir muito
Minha história começou na simplicidade do campo. Foi justamente dessa simplicidade que nasceram minha força, minha disciplina e minha vontade de crescer.
A família é a base de tudo
Foi pela família que lutei. Foi pela família que recomecei. E foi nela que encontrei forças para continuar.
Capítulo 11 — Frases que representam minha caminhada
“O trabalho dignifica, mas o conhecimento transforma.”
“Ninguém cresce sozinho; quando ajudamos alguém a subir, crescemos juntos.”
“Proteger vidas não é apenas profissão, é propósito.”
“Não importa de onde você veio, mas a coragem que tem para seguir.”
Mensagem final
Da agricultura familiar à engenharia, da disciplina militar à Segurança do Trabalho, da experiência industrial à formação de novos profissionais, cada etapa teve seu tempo e seu significado.
Hoje compreendo que os caminhos aparentemente diferentes sempre estiveram ligados pelo mesmo propósito: aprender, crescer, servir e preservar vidas.
Das terras vermelhas ao propósito de preservar vidas: uma história construída passo a passo.
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