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Democratas criam plano para confundir eleitores no Alasca

Reportagem do New York Times aponta que a campanha de Mary Peltola recrutou um candidato com o mesmo nome do senador republicano Dan Sullivan para fragmentar votos no Alasca. Trump acusou os democratas de fraude e pediu punições.

Democratas criaram plano para confundir eleitores no Alasca
O senador Dan S. Sullivan (esquerda) e candidato Dan J. Sullivan (direita) disputam o Senado no Alasca — Foto: Mark Thiessen e Becky Bohrer/AP
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A campanha do Partido Democrata trabalhou para recrutar candidatos com o mesmo nome de um senador republicano, com o objetivo de confundir eleitores no Alasca, segundo investigação publicada pelo jornal The New York Times nesta quarta-feira (28). A notícia irritou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reagiu nas redes sociais acusando os democratas de tentar fraudar a eleição.

O projeto teria sido conduzido por integrantes da equipe da democrata Mary Peltola, ex-deputada que concorre ao Senado pelo Alasca. A estratégia incluía encontrar pessoas com o mesmo nome do senador Dan Sullivan, que disputa a reeleição, e convencê-las a entrar na corrida eleitoral.

Estratégia para fragmentar votos republicanos

De acordo com o jornal, em meados de 2025, um integrante da equipe de Peltola recebeu instruções de assessores da campanha para encontrar o maior número possível de pessoas chamadas Dan Sullivan no Alasca. A intenção era clara: colocar um segundo Dan Sullivan na cédula para dividir os votos do eleitorado conservador e enfraquecer o senador republicano.

A estratégia teria avançado nos meses seguintes, com viagens a comunidades remotas do estado e a atuação de um operador político que, segundo a reportagem, usava um nome falso para abordar possíveis candidatos em bares e cervejarias. O New York Times afirma ter chegado às conclusões a partir de entrevistas, mensagens de texto e documentos preparados para uma possível ação judicial contra a campanha democrata.

Advogados e cúpula democrata envolvidos

Advogados da campanha de Peltola e integrantes da cúpula do DSCC também participaram de conversas sobre a iniciativa. Os envolvidos chegaram a considerar a criação de um novo partido político para atrair eleitores conservadores, segundo o New York Times. A reportagem afirma que o grupo também tentou atrair outros candidatos para a disputa, com a intenção de fragmentar o apoio ao senador republicano.

Neste ano, um professor aposentado que vive em uma pequena comunidade pesqueira do Alasca e se chama Dan J. Sullivan anunciou a candidatura ao Senado. O candidato, que não tem vínculo com o senador, entrou na disputa e agora aparece na cédula ao lado do republicano Dan S. Sullivan.

Sistema eleitoral do Alasca favorece confusão

No sistema eleitoral do Alasca, os quatro candidatos mais votados nas primárias avançam para a eleição geral. Com isso, os dois candidatos chamados Dan Sullivan disputam a mesma vaga na votação marcada para 3 de novembro. Nas primárias realizadas em agosto, Mary Peltola terminou em primeiro lugar, com 49,5% dos votos. O senador republicano Dan S. Sullivan ficou em segundo, com 41,4%. Dan J. Sullivan recebeu 2,5% dos votos, o equivalente a 4.107 votos.

A presença de dois candidatos com o mesmo nome pode gerar confusão entre os eleitores, especialmente aqueles menos familiarizados com a política local. Especialistas apontam que a tática, embora não seja ilegal em si, levanta questões éticas sobre a integridade do processo eleitoral.

Trump reage e pede punições

Após a publicação da reportagem, o presidente Donald Trump reagiu nas redes sociais e acusou os democratas de tentar fraudar a eleição. Trump afirmou que o recrutamento de um segundo Dan Sullivan teria sido ilegal e buscaria confundir eleitores para tirar votos do senador republicano.

Ele também acusou integrantes da campanha de Peltola de mentir sob juramento em um tribunal federal e pediu que a democrata enfrente consequências legais e políticas. Na publicação, o presidente defendeu que Dan S. Sullivan dispute a eleição sem a presença de Mary Peltola ou do outro candidato chamado Dan Sullivan na cédula.

A campanha de Peltola ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações. O senador Dan S. Sullivan, por sua vez, classificou a estratégia como “uma tentativa desesperada de manipular o resultado” e prometeu lutar para garantir a lisura do pleito.

Impacto na disputa pelo Senado

A controvérsia pode influenciar o resultado da eleição no Alasca, um estado historicamente republicano, mas que tem demonstrado tendências independentes nos últimos anos. A disputa pelo Senado é considerada crucial para o equilíbrio de poder em Washington, e qualquer confusão na cédula pode alterar o resultado final.

Analistas políticos observam que a tática de recrutar candidatos com nomes semelhantes não é nova, mas raramente é documentada com tantos detalhes. A reportagem do New York Times, baseada em documentos e mensagens, pode levar a investigações formais e até mesmo a ações judiciais.

Enquanto isso, os eleitores do Alasca se preparam para ir às urnas em 3 de novembro, em uma eleição que promete ser uma das mais observadas do país. A expectativa é que o caso gere debates sobre a necessidade de reformas no sistema eleitoral para evitar confusões semelhantes no futuro.

O Portal Boca no Trombone continuará acompanhando os desdobramentos dessa história e trará atualizações assim que novas informações forem divulgadas.

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