Desabamento em mina de ouro no Sudão deixa 82 mortos
O desabamento de uma mina de ouro informal deixou 82 mortos em uma região remota do Sudão nesta quarta-feira (16). Outras 50 pessoas ficaram feridas e acredita-se que ainda haja mais vítimas sob os escombros. As operações de resgate prosseguem com métodos rudimentares, enquanto a guerra civil no país impulsiona a mineração artesanal.

O desabamento de uma mina de ouro informal deixou 82 mortos em uma região remota do Sudão nesta quarta-feira (16). Outras 50 pessoas ficaram feridas e acredita-se que ainda haja mais vítimas sob os escombros. O acidente ocorreu na mina de Al-Zaraa, perto da cidade de El-Nahud, em Kordofan Ocidental, e mobilizou equipes de resgate que trabalham com ferramentas precárias.
A tragédia expõe os riscos da mineração artesanal em um país devastado pela guerra civil. Desde o início, em abril de 2023, da guerra entre o Exército sudanês e as paramilitares Forças de Apoio Rápido (FAR), as minas de ouro financiam o esforço bélico das duas partes. O conflito devastou a já frágil economia do Sudão e deixou grande parte do país sem trabalho, empurrando muitos para uma perigosa corrida do ouro.
Desabamento começou na terça-feira e resgate segue precário
Os poços da mina de Al-Zaraa, perto da cidade de El-Nahud, em Kordofan Ocidental, começaram a desabar na terça-feira (15). As operações de resgate prosseguiram durante toda a noite com a ajuda de outros operários, que utilizaram as mesmas ferramentas rudimentares que empregam para extrair ouro. “Os trabalhos de resgate estão sendo realizados com métodos rudimentares”, disse uma autoridade ouvida pela agência France Presse, sob condição de anonimato.
A falta de equipamentos pesados dificulta a remoção de rochas e terra, aumentando o risco de novos desmoronamentos. “Todo mundo está trabalhando muito para recuperar os corpos ou encontrar sobreviventes, mas é difícil. Precisamos de máquinas pesadas para retirar as rochas e a terra”, afirmou um dos sobreviventes, Khair al-Sayyed Jabara, à France Presse. A situação é agravada pela localização remota da mina, que dificulta o acesso de ajuda especializada.
Proximidade entre poços ampliou a tragédia
Al-Amin Suleiman, outro mineiro que trabalhava na terça-feira perto de Al-Zaraa, disse à AFP que “os poços ficam muito próximos uns dos outros; se um desaba, derruba todos os que estão ao lado”. Essa configuração, comum em minas informais, transformou um colapso inicial em uma reação em cadeia. “Ainda há pessoas soterradas. Não acredito que estejam vivas”, lamentou.
A mineração artesanal e em pequena escala, executada em minas abandonadas ou em áreas não oficiais como Al-Zaraa, responde pela maior parte do ouro extraído no Sudão. Sem fiscalização ou normas de segurança, os trabalhadores cavam poços profundos e estreitos, muitas vezes sem escoramento adequado. O resultado é um cenário de alto risco, onde acidentes como o desta semana se repetem com frequência.
Guerra civil impulsiona corrida do ouro
O conflito entre o Exército sudanês e as FAR, iniciado em abril de 2023, devastou a economia do país e deixou grande parte da população sem emprego. Nesse contexto, a extração de ouro tornou-se uma das poucas fontes de renda para milhares de famílias. As minas informais, como Al-Zaraa, atraem trabalhadores desesperados em busca de sustento, mesmo diante dos perigos evidentes.
Além de servir como meio de sobrevivência, o ouro extraído nessas áreas também financia o esforço bélico das duas partes em conflito. A disputa pelo controle das minas e das rotas de escoamento do minério intensificou a violência em regiões como Kordofan Ocidental. A tragédia desta quarta-feira, portanto, não é um evento isolado, mas reflexo de uma crise humanitária e econômica mais ampla.
Resgate continua e número de vítimas pode aumentar
As equipes de resgate seguem trabalhando no local, mas as esperanças de encontrar sobreviventes diminuem a cada hora. A autoridade ouvida pela France Presse não detalhou quantas pessoas ainda estariam soterradas, mas afirmou que os trabalhos continuam. A falta de máquinas pesadas e a instabilidade do terreno tornam a operação lenta e arriscada.
Enquanto isso, familiares das vítimas aguardam notícias em meio ao luto e à incerteza. A comunidade de El-Nahud, já afetada pela guerra e pela pobreza, agora enfrenta mais uma perda coletiva. O desabamento em Al-Zaraa reforça a urgência de medidas de segurança na mineração artesanal, mas a continuidade do conflito dificulta qualquer ação efetiva por parte das autoridades.
A tragédia no Sudão serve de alerta para os riscos da exploração mineral sem regulamentação, um problema que também afeta outras regiões da África e do mundo. Enquanto a guerra persistir, a corrida do ouro deve continuar, e com ela, o perigo para milhares de trabalhadores.
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