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Geógrafo explica fatores que podem ter provocado deslizamento na Ronda em Ponta Grossa

Geógrafo da UEPG explica fatores do deslizamento na Ronda em Ponta Grossa e alerta para riscos em áreas com características semelhantes

Geógrafo explica fatores que podem ter provocado deslizamento na Ronda em Ponta Grossa
BnT Online
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O deslizamento na Ronda em Ponta Grossa, que deixou três pessoas mortas nesta semana, ocorreu em uma região considerada complexa do ponto de vista geológico, do relevo e dos solos. Em entrevista ao BnT, o geógrafo e professor do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Isonel S. Meneguzzo explicou os fatores presentes na área e alertou para os riscos em outros pontos da cidade com características semelhantes.

Durante a entrevista, o professor utilizou mapas e estudos científicos para mostrar as características da região da Bacia do Ronda e do Arroio do Padre.

Segundo Meneguzzo, um dos primeiros aspectos que chamam a atenção é a complexidade geológica do local. O mapa apresentado durante a entrevista indica o contato entre diferentes tipos de rochas e a existência de uma falha geológica ao longo do Arroio do Padre.

O professor ressaltou, porém, que o deslizamento não pode ser explicado por um único fator.

Região possui registros de processos desde os anos 1980

Outro ponto apresentado na entrevista foi o histórico da região.

Mapas produzidos no contexto de pesquisas científicas da UEPG indicam registros de processos semelhantes ou relacionados a movimentos de massa desde pelo menos a década de 1980. Os documentos também mostram um aumento dessas ocorrências durante os anos 1990.

Segundo o professor, esse crescimento também está relacionado ao processo de urbanização desordenada em determinados pontos da cidade.

Os estudos mostram ainda que a região possui nascentes e terrenos com declividade significativa. Meneguzo destacou que áreas de nascente deveriam ser protegidas e apontou a existência de ocupações irregulares em locais com essas características.

Declividade aumenta complexidade da área

Um dos mapas apresentados também demonstrou a declividade da Bacia do Ronda.

Segundo o geógrafo, as áreas próximas às nascentes, incluindo regiões próximas ao Centro, Prefeitura e Instituto de Educação, apresentam terrenos bastante inclinados.

No ponto onde ocorreu o deslizamento, a declividade também é elevada e aparece como mais um dos fatores que podem contribuir para a ocorrência de movimentos de massa.

Dessa forma, o professor apontou uma combinação de características: geologia complexa, inclinação acentuada do terreno, presença de água e ocupação urbana.

Professor alerta para áreas de risco

Durante a entrevista, Meneguzzo afirmou que existem estudos sobre áreas de risco não apenas na Ronda, mas também em outros pontos de Ponta Grossa.

Segundo ele, em locais classificados como áreas de risco, a recomendação técnica é que moradores não permaneçam expostos às situações identificadas pelos estudos.

O professor também mencionou, de forma preliminar, que teria chovido aproximadamente 85 milímetros no período anterior à ocorrência. Ele próprio ressaltou durante a entrevista que o dado ainda precisava ser verificado com maior precisão.

Com a continuidade das chuvas, o alerta não se limita ao ponto onde ocorreu a tragédia.

“Não só as pessoas desse local, dessa região específica, mas de outras áreas da cidade com características ambientais semelhantes” podem estar em situação de risco, afirmou o professor.

Alertas precisam ser respeitados

Ao final da entrevista, Meneguzzo destacou a importância de acompanhar e respeitar os alertas emitidos pelos órgãos responsáveis, como a Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.

O professor reconheceu a dificuldade de moradores deixarem suas casas e pertences, especialmente devido aos vínculos construídos com o local, mas reforçou que a segurança deve ser prioridade diante de uma situação de risco.

Segundo ele, informações divulgadas pela Defesa Civil, imprensa e demais órgãos responsáveis podem ser fundamentais para preservar vidas.

 

Leia: Audiência sobre caso de racismo envolvendo Miguelito em jogo do Operário é adiada

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Iolanda Lima
Autoria
Iolanda Lima
Jornalista formada pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, com interesse e experiência na área de Cultura, Política e Cotidiano. Natural de Telêmaco Borba, é apaixonada em contar histórias reais do dia-a-dia de Ponta Grossa e região!
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