Domínio dos EUA nas Américas não será questionado, diz vídeo
O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou um vídeo afirmando que o domínio do país nas Américas “nunca mais será questionado”. A peça cita a prisão de Nicolás Maduro e a Doutrina Monroe como exemplos da política externa americana.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos tornou público, nesta terça-feira (11), um vídeo institucional que reafirma o domínio do país sobre as Américas. Na gravação, o órgão diplomático declara que essa hegemonia “nunca mais será questionada”.
Para ilustrar a força de sua política externa, o material cita a prisão do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, ocorrida no início do ano.
Trajetória de intervenções em foco
A produção audiovisual não apenas expõe conceitos, mas também recapitula ações históricas. O vídeo relembra diferentes episódios da atuação americana na América Latina.
Um dos exemplos mencionados é a crise dos mísseis de Cuba, em 1962. Segundo a publicação do Departamento de Estado, o presidente John F. Kennedy apelou à Doutrina Monroe logo após a confirmação da presença de armas soviéticas na ilha.
A peça percorre outros momentos, mostrando como os EUA intervieram na região ao longo das décadas, embora a fonte não tenha detalhado quais outros eventos são citados.
Maduro: o exemplo mais recente
O vídeo dedica atenção especial à operação que resultou na captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro. A ação é descrita como a mais recente aplicação prática da doutrina norte-americana no continente.
Após ser preso, Maduro foi transportado para território dos Estados Unidos, onde passou a responder por acusações de narcoterrorismo. Atualmente, o ex-mandatário venezuelano cumpre pena em uma penitenciária localizada em Nova York.
De acordo com o conteúdo divulgado, a prisão de Maduro transmitiu um “forte sinal a todo o hemisfério”. A frase busca enfatizar que os EUA não hesitam em agir quando seus interesses ou a estabilidade regional estão em jogo, reforçando a mensagem de poder inabalável.
Monroe: a ‘pedra angular’ da hegemonia
A narrativa do vídeo insere a detenção de Maduro em um contexto histórico mais amplo. O material lembra que a política de domínio regional remonta ao século 19, mais especificamente ao presidente James Monroe.
A Doutrina Monroe, conforme explica o Departamento de Estado, surgiu inicialmente como um alerta às potências europeias para que não interferissem nos assuntos do continente americano. Com o tempo, essa doutrina evoluiu e passou a embasar intervenções diretas na América Latina.
Na visão do governo americano, ela é hoje a “pedra angular” da estratégia dos EUA no hemisfério. Essa definição, apresentada no vídeo, procura justificar as ações recentes como parte de uma longa tradição de proteção e liderança regional.
Apoio político a governos alinhados
Paralelamente ao discurso de domínio, os Estados Unidos têm demonstrado apoio a forças de direita na América Latina. Um dos exemplos citados é o suporte do ex-presidente Donald Trump a aliados de Javier Milei nas eleições legislativas argentinas de 2025.
Além disso, neste ano, Abelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia, o que sinaliza uma convergência de interesses entre Washington e lideranças conservadoras no continente. Esses movimentos, embora não diretamente ligados ao vídeo, ilustram a atuação americana em múltiplas frentes.
Omissões históricas sob críticas
O apanhado histórico exibido pelo Departamento de Estado, contudo, não é isento de controvérsias. O vídeo deixa de mencionar intervenções americanas na América Latina que, durante o século 20, contribuíram para a ascensão de regimes ditatoriais em diversos países. A ausência desses capítulos sombrios na narrativa oficial levanta questionamentos sobre a versão apresentada como um domínio benevolente e incontestável.
Trump e a ordem executiva sobre vacinas
Em uma atividade paralela, mas sem relação declarada com o tema do vídeo, Donald Trump compareceu, em 10 de agosto de 2026, a um evento para assinar uma ordem executiva. O decreto tratava de flexibilidade nas políticas de vacinação.
O gesto, embora focado em saúde pública, reafirma o estilo de governança com decretos presidenciais e mantém o ex-presidente em evidência.
A exibição do vídeo pelo Departamento de Estado consolida um discurso de poder que remonta a quase duzentos anos. Enquanto Nicolás Maduro responde à Justiça nos EUA, a mensagem de que o domínio americano não será questionado ecoa pelas capitais do hemisfério, embora as lacunas históricas permaneçam como um contraponto à retórica triunfal.























