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Zelensky relata 50 mil soldados norte-coreanos na Rússia

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Rússia mobilizou até 50 mil soldados norte-coreanos. O número, muito superior às estimativas anteriores, evidencia a dependência russa de tropas estrangeiras em meio às dificuldades de recrutamento próprio.

Zelensky aponta 50 mil soldados norte-coreanos na Rússia
Crédito: G1
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A dependência da Rússia de tropas norte-coreanas ficou ainda mais evidente após a declaração do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, no domingo (9). Além disso, ele afirmou que até 50 mil militares da Coreia do Norte teriam sido mobilizados para combater ao lado das forças russas na guerra da Ucrânia. O número é expressivamente maior que a estimativa anterior de 30 mil, feita em julho. Zelensky, contudo, não revelou como obteve essa cifra, deixando em aberto a origem da informação.

A guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, já dura mais de dois anos e tem sido extremamente custosa para a Rússia. Ademais, segundo estimativas, cerca de 1,5 milhão de soldados russos foram mortos, feridos ou estão incapacitados.

Esse cenário tem forçado o Kremlin a buscar combatentes fora de suas fronteiras, recorrendo a aliados como a Coreia do Norte. Dessa forma, a declaração de Zelensky sobre os 50 mil soldados norte-coreanos lança luz sobre essa estratégia.

Acordo formaliza aliança militar

A aproximação entre Moscou e Pyongyang se intensificou em junho de 2024, quando os presidentes Vladimir Putin e Kim Jong-un firmaram um tratado de parceria estratégica. Além disso, o acordo contém uma cláusula que determina assistência mútua caso uma das partes sofra agressão externa.

Na prática, esse entendimento permitiu que a Coreia do Norte enviasse, ainda em 2024, aproximadamente 14 mil soldados para a região de Kursk, na Rússia. Dessa forma, essas tropas auxiliaram na contenção de uma ofensiva ucraniana na área. Além disso, a aliança foi reforçada simbolicamente em 2025, quando os dois líderes trocaram cumprimentos durante uma cerimônia pelo 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial.

Rússia enfrenta baixas e recrutamento difícil

Baixas elevadas e entraves no front

Marie Mendras, professora de Relações Internacionais da Sciences Po de Paris, traçou um panorama alarmante da situação do Exército russo. Segundo ela, já são aproximadamente 1,5 milhão de militares russos mortos, feridos ou incapacitados para o combate. “A revelação desses números expõe os entraves que impedem o avanço russo na linha de frente”, avaliou a especialista. Além disso, Mendras destacou ainda as dificuldades de recrutamento que Moscou enfrenta, a despeito da mobilização permanente decretada em setembro de 2022.

Recrutamento de estrangeiros em larga escala

A escassez de efetivos é tamanha que o Kremlin passou a recrutar combatentes estrangeiros em larga escala. Além disso, uma especialista consultada pela RFI ressaltou que essa dependência externa é um sintoma claro da insuficiência de soldados próprios. “As necessidades são crescentes caso o Kremlin queira manter a guerra no terreno, e o Exército russo não consegue mobilizar as centenas de milhares de homens necessários para retomar uma ofensiva na Ucrânia”, declarou.

A mesma fonte acrescentou que as forças russas lidam com graves problemas nos territórios que ocupam, como a Crimeia e o leste ucraniano. Assim sendo, não por acaso, parte da população dessas localidades tenta deixar as zonas controladas por Moscou, em busca de segurança.

População civil adota defesas extremas

Enquanto isso, nas cidades ucranianas que resistem, a população adapta sua rotina aos riscos constantes. Por exemplo, uma delas chegou a instalar redes de proteção suspensas sobre as ruas, numa tentativa de deter os drones russos. Consequentemente, a medida reflete a dureza de um conflito que já dura mais de dois anos e cujos impactos se estendem por todo o país.

Dependência externa preocupa

Para o governo ucraniano, a mobilização de até 50 mil norte-coreanos é uma realidade incontestável. Dessa forma, o número, se confirmado, demonstra o grau de dependência que Moscou desenvolveu em relação a aliados como a Coreia do Norte. Ademais, Marie Mendras reforça que, sem um recrutamento interno eficaz e com baixas estimadas em 1,5 milhão, a Rússia tende a se apoiar cada vez mais em parceiros externos para sustentar sua campanha militar. O futuro da guerra, portanto, passa pela capacidade do Kremlin de manter esse fluxo de combatentes estrangeiros. A dependência externa, contudo, evidencia as fragilidades da máquina de guerra russa.

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