Empresário que matou gari é indiciado por homicídio
Indiciado também por ameaça e porte ilegal de arma, empresário pode pegar até 36 anos de prisão pela morte do gari em Belo Horizonte

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu, nesta sexta-feira (29), o inquérito sobre o assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, ocorrido em Belo Horizonte. O autor do crime, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, foi indiciado por homicídio qualificado, além de ameaça e porte ilegal de arma de fogo. Ele está preso preventivamente desde o dia 11 de agosto.
A coletiva que oficializou o resultado do inquérito aconteceu no Departamento Estadual de Investigação de Homicídios, em Belo Horizonte. A defesa de Renê ainda não se pronunciou sobre o indiciamento.
O crime e as circunstâncias
No dia 11 de agosto, por volta das 9h, o gari Laudemir trabalhava na Rua Modestina de Souza, bairro Vista Alegre, quando houve uma discussão de trânsito. O empresário, ao se irritar com o caminhão de lixo que dificultava a passagem, sacou uma arma, ameaçou a motorista e, em seguida, disparou contra o coletor. Laudemir foi atingido e morreu no local.
Câmeras de segurança flagraram Renê mantendo uma rotina normal depois do crime: foi ao trabalho, almoçou, guardou a arma em uma mochila e chegou até a passear com seus cães antes de ser preso, algumas horas mais tarde, em uma academia.
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A defesa e a carta
Inicialmente, Renê negou envolvimento, porém após a divulgação das imagens, acabou confessando o homicídio. Em depoimentos posteriores, apresentou versões diferentes — inclusive afirmando que o disparo teria sido “acidental” ao tentar “resolver na mão”.
Em uma carta enviada recentemente a seu advogado, alegou que o crime teria sido um “acidente” e manifestou a intenção de “resolver esse mal-entendido” com seus defensores.
Histórico de violência e arma envolvida
Renê não é réu primário: possui passagens por agressões — incluindo contra ex-companheiras — e uma investigação por homicídio culposo envolvendo um atropelamento no Rio de Janeiro.
A perícia identificou que a arma usada no crime pertencia à esposa de Renê — a delegada da Polícia Civil Ana Paula Balbino Nogueira — que está afastada das funções por licença médica e é investigada pela Corregedoria por possível prevaricação.
Indiciamentos e possíveis penas
O empresário foi indiciado por homicídio qualificado com duas agravantes: motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele também responderá por ameaça e porte ilegal de arma de fogo. As penas podem somar até 35 a 36 anos de prisão, considerando as três infrações.























