“Entre o amor e a luta: a voz das mães atípicas”, por Janaina Czerwonka
Tem mulheres que passam a vida inteira traduzindo sentimentos que o mundo ainda não aprendeu a ouvir. E mesmo depois do Dia das Mães, celebrado ontem, 10 de maio, essa reflexão continua necessária. Hoje, nesta segunda-feira (11), eu não quero falar apenas sobre maternidade. Quero falar sobre aquelas mulheres que foram escolhidas para interpretar silêncios, […]
Por Janaina Czerwonka
11/05/2026 · 16:112 min de leitura
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Foto: Freepik
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Tem mulheres que passam a vida inteira traduzindo sentimentos que o mundo ainda não aprendeu a ouvir. E mesmo depois do Dia das Mães, celebrado ontem, 10 de maio, essa reflexão continua necessária. Hoje, nesta segunda-feira (11), eu não quero falar apenas sobre maternidade. Quero falar sobre aquelas mulheres que foram escolhidas para interpretar silêncios, construir pontes entre mundos diferentes e transformar amor em resistência diária.
Durante muito tempo, eu ouvi a expressão “mãe especial”. Mas, sinceramente, isso me parece pequeno demais diante da grandiosidade dessas mulheres. Elas são muito mais do que um rótulo. São força quando tudo parece desmoronar. São acolhimento quando o preconceito aparece. São voz para filhos que, muitas vezes, ainda lutam para serem compreendidos por uma sociedade despreparada.
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E eu sei que não é fácil.
Existem dias de exaustão profunda. Dias de medo, insegurança e dúvidas. Dias em que essas mães também precisariam de colo, cuidado e alguém dizendo que vai ficar tudo bem. Só que, por muito tempo, muitas delas foram invisibilizadas. Carregaram sozinhas responsabilidades emocionais, financeiras e sociais que deveriam ser compartilhadas com toda a sociedade.
Isso precisa mudar.
Como mãe e também como advogada, eu sinto a obrigação de lembrar algo fundamental: famílias com pessoas dentro do espectro autista têm direitos garantidos por lei. E isso não é favor, não é privilégio e muito menos caridade. É direito.
Existe, por exemplo, o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), que garante um salário mínimo mensal para auxiliar no cuidado, na dignidade e no suporte dessas famílias. Muita gente ainda desconhece essa informação, enquanto enfrenta batalhas diárias para garantir terapias, medicamentos, alimentação adequada e qualidade de vida para seus filhos.
Por isso, mesmo após o Dia das Mães, eu não quero apenas entregar flores ou mensagens bonitas. Quero entregar informação, acolhimento e consciência. Quero dizer para cada mãe de uma criança autista que ela não está sozinha.
Existe amparo. Existe direito. Existe carinho.
E, acima de tudo, existe uma rede de mães que entende exatamente o peso e a beleza dessa caminhada.