Ex-presidente do Paraguai presta depoimento após prisão
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña prestou depoimento na manhã deste sábado (7), na sede do Ministério Público, em Assunção. Preso desde sexta-feira (6), após impeachment unânime no Senado, ele é investigado por suspeitas de crimes no escândalo do Ueno Bank.

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña compareceu, na manhã deste sábado (7/11), à sede do Ministério Público do Estado, em Assunção, para prestar depoimento. Peña está preso desde a noite da última sexta-feira (6/11), após ordem da Justiça. A detenção ocorreu logo depois de o Senado paraguaio aprovar, por unanimidade, o impeachment do então mandatário.
Destituído do cargo nesta sexta, Peña foi detido pela Polícia Nacional em sua residência, localizada na capital do país. A prisão foi efetuada imediatamente após a decisão do Legislativo, que retirou sua imunidade política. Com isso, o ex-presidente passou a responder como cidadão comum perante a Justiça.
Investigação aponta indícios de crimes financeiros
Segundo a Justiça, foram encontrados indícios de abuso de confiança e outros crimes praticados por Peña no escândalo bancário que abalou o Paraguai nesta semana. O Ministério Público passou a investigar o agora ex-presidente após denúncia apresentada por parlamentares da oposição. Eles acusaram Peña de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, corrupção e fraude administrativa.
As apurações envolvem suspeitas sobre a gestão do banco e empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador, que teriam comprometido o patrimônio da instituição. A fonte não detalhou o montante dos valores envolvidos nem os nomes das empresas citadas. A investigação segue em sigilo, conforme informou o Ministério Público.
Vídeo: @MinPublicoPy via X/Twitter
Crise bancária derruba governo e leva à renúncia
O Ueno Bank, instituição financeira digital, teve as operações suspensas em 3 de novembro pelo Banco Central do Paraguai. A autoridade monetária considerou o banco insolvente, ou seja, incapaz de honrar seus compromissos financeiros, e iniciou um procedimento de resolução. O banco foi dissolvido na última terça-feira (3/11), após o Banco Central do Paraguai (BPC) considerar a instituição insolvente — quando não existem fundos para honrar compromissos financeiros.
Em meio à crise, Santiago Peña chegou a apresentar renúncia ao Congresso. O pedido, no entanto, não foi aceito. Com isso, o ex-presidente foi destituído do cargo por meio de um impeachment e perdeu a imunidade política. A decisão unânime do Senado refletiu a gravidade da situação e a pressão popular por respostas.
Banco Central pede investigação criminal
O Ministério Público paraguaio pediu a abertura de uma investigação criminal sobre a instituição e a prisão de dirigentes. A medida foi tomada após a denúncia dos parlamentares e a constatação de irregularidades na gestão do Ueno Bank. O pedido de prisão incluiu o ex-presidente, que ocupava cargo de direção antes de assumir o Executivo.
Carlos Carvallo, presidente do Banco Central desde 2023, renunciou ao cargo. Antes de assumir a autoridade monetária, ele havia presidido o Ueno Bank. A renúncia de Carvallo ocorreu em meio ao agravamento da crise e levantou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse na supervisão do banco.
Depoimento pode definir próximos passos
O depoimento deste sábado é considerado peça-chave para o andamento das investigações. Peña deve apresentar sua versão sobre os fatos e responder aos questionamentos dos promotores. A expectativa é que a Justiça decida nos próximos dias se mantém a prisão preventiva ou se concede liberdade provisória ao ex-presidente.
Enquanto isso, a crise política e financeira no Paraguai segue repercutindo na região. O caso levanta debates sobre governança corporativa, regulação bancária e responsabilização de agentes públicos. A fonte não detalhou os próximos passos do processo, mas informou que novas oitivas estão previstas para a próxima semana.
O Portal Boca no Trombone continuará acompanhando o desenrolar do caso e trará atualizações assim que novas informações forem divulgadas pelas autoridades paraguaias.
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