Itaipu afirma que crise no Paraguai não afeta operação
A Itaipu Binacional garantiu que a crise bancária no Paraguai não interfere na operação da usina no lado brasileiro. A administração brasileira negou ter recursos no Ueno Bank, enquanto o lado paraguaio possui fundos na instituição dissolvida. O episódio desencadeou pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña.

A Itaipu Binacional afirmou que, apesar do escândalo bancário no Paraguai — país que divide a administração da empresa com o Brasil —, a operação da terceira maior usina hidrelétrica do mundo segue “normalmente”. A declaração foi dada em resposta a questionamento do Metrópoles, na quinta-feira (5/11), sobre possíveis impactos da crise no país vizinho.
O caso envolve o Ueno Bank, instituição financeira digital dissolvida pelo Banco Central do Paraguai (BPC) no início da semana. A medida bloqueou cerca de US$ 850 milhões (aproximadamente R$ 4,5 bilhões) em fundos públicos do país, gerando turbulência política e econômica.
Administração brasileira nega vínculo com Ueno
Em nota, a administração brasileira da Itaipu Binacional esclareceu que não tem fundos no banco Ueno, pivô da crise no Paraguai. Além disso, a empresa disse que o caso não deve afetar a geração de energia na usina. A fonte não detalhou os motivos técnicos que sustentam essa avaliação, mas reforçou que as operações seguem dentro da normalidade.
A posição busca tranquilizar o mercado e os consumidores brasileiros, já que Itaipu responde por parcela significativa da energia consumida no Brasil. A usina é binacional, com gestão compartilhada entre os dois países, mas cada lado administra seus próprios recursos financeiros de forma independente.
Lado paraguaio tem fundos no banco fechado
Já o lado paraguaio da Itaipu se viu ligado à recente crise no país, envolvendo o Ueno Bank. A empresa faz parte da lista de instituições públicas no Paraguai que tem fundos na instituição financeira fechada nesta semana. Até o momento não está claro quanto foi aplicado no banco.
Essa exposição coloca a administração paraguaia sob pressão, pois os recursos bloqueados podem comprometer compromissos financeiros da usina no país vizinho. A falta de clareza sobre os valores aplicados aumenta a incerteza entre investidores e cidadãos paraguaios.
Crise política ameaça presidente Santiago Peña
Diante do escândalo, políticos paraguaios, inclusive aliados, abriram um processo de impeachment contra o presidente do país, Santiago Peña. Eleito em 2023, o líder paraguaio mantinha ligações com o banco, e foi acionista de uma empresa ligada ao Ueno até março do último ano.
Peña apresentou renúncia na quinta-feira (5/11), mas o Congresso do Paraguai rejeitou o pedido. O processo de impeachment segue em discussão, e pode culminar na perda de imunidade parlamentar para o político de 47 anos. A crise política adiciona mais um elemento de instabilidade à região.
Impactos para o Brasil e para a região
Embora a administração brasileira da Itaipu tenha negado exposição direta ao Ueno Bank, a crise no Paraguai pode gerar efeitos indiretos. A instabilidade política e econômica no país vizinho pode afetar o ambiente de negócios e a cooperação bilateral em projetos de infraestrutura e energia.
Além disso, a situação do Ueno Bank levanta questionamentos sobre a supervisão financeira no Paraguai e a gestão de recursos públicos. Para o Brasil, que compartilha a gestão de Itaipu, é fundamental acompanhar de perto os desdobramentos para garantir a segurança energética e a estabilidade das operações.
A Itaipu Binacional não informou se adotará medidas adicionais de monitoramento ou se há risco de contaminação financeira entre as administrações. A fonte não detalhou os próximos passos da empresa diante do cenário.
O que esperar nos próximos dias
O processo de impeachment contra Santiago Peña deve dominar a agenda política paraguaia nas próximas semanas. Caso o Congresso avance com o pedido, o país pode enfrentar um período de incerteza institucional, com reflexos na economia e nas relações bilaterais.
Para a Itaipu, o foco permanece na manutenção da geração de energia e na proteção dos interesses brasileiros. A empresa não sinalizou mudanças operacionais, mas o cenário exige atenção contínua por parte das autoridades e do setor elétrico.
O Portal Boca no Trombone seguirá acompanhando os desdobramentos da crise no Paraguai e seus possíveis impactos para o Paraná e para o Brasil.
Fonte
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