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Família clama por justiça: Júri reconhece que réu deu tiro fatal, mas decide por sua absolvição

Após sessão tensa, os jurados confirmaram que Luiz de Souza atirou na cabeça de Adriano em 2019, mas o absolveram na votação final. A acusação vai recorrer da decisão.

Família clama por justiça: Júri reconhece que réu deu tiro fatal, mas decide por sua absolvição
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A dor da perda somou-se ao sentimento de impunidade para a família de Adriano Santana da Rocha Leal. Em uma decisão que gerou revolta e indignação entre os familiares, o Tribunal do Júri do Foro Regional de Piraquara absolveu Luiz de Souza da acusação de homicídio, em sessão realizada na última quinta-feira, dia 16 de abril de 2026. A família agora se mobiliza e pede justiça, buscando reverter o resultado nos tribunais superiores.

Como o crime ocorreu em 2019

Para entender a frustração da família, é preciso voltar à dinâmica brutal do crime. O assassinato ocorreu na tarde do dia 29 de junho de 2019, por volta das 15h30. A cena do crime foi o estabelecimento comercial, situado na Rua Wismar da Costa Lima, em Piraquara.

De acordo com os autos do processo avaliados em plenário, Adriano caminhava pela via pública quando foi atacado de forma sorrateira. A vítima foi imobilizada ao sofrer um forte puxão pelo cabelo, que era no estilo ‘dreads’, e imediatamente atingida por um disparo de arma de fogo diretamente na cabeça. Esse tiro foi a causa da sua morte.

A investigação apontou que a motivação para tamanha violência foi um desacordo comercial considerado fútil.

Clima de medo no Tribunal

O julgamento, presidido pela Juíza Letícia Lilian Kirschnick Seyr, foi marcado por momentos de forte tensão desde o seu início, às 12h40. O medo de retaliações ficou evidente durante a fase de depoimentos. Pelo menos dois informantes chave do caso declararam à Justiça que a presença física do réu Luiz de Souza no local lhes causava “temor e constrangimento”. Por garantia de segurança, a juíza determinou que o réu fosse retirado do salão enquanto eles falavam.

Um princípio de tumulto também ocorreu quando a promotoria distribuiu documentos impressos aos sete jurados e à defesa. Os advogados do réu agiram rapidamente ao notar que entre os papéis estava uma página (a folha 10) que havia sido proibida pela Justiça de constar no processo. Os documentos foram recolhidos às pressas. A juíza decidiu manter o júri, afirmando que os jurados ficaram com as folhas na mão por poucos segundos e não teriam sido influenciados.

A votação: Autoria confirmada, mas réu absolvido

A maior fonte de indignação da família de Adriano reside em como ocorreu a votação dos quesitos na Sala Especial. O sistema do Tribunal do Júri faz perguntas aos sete jurados, que respondem com cédulas secretas. A apuração revelou o seguinte:

  • 1º Quesito (O crime existiu?): Os jurados confirmaram por 4 votos SIM que Adriano foi morto pelo tiro na cabeça no bar em Piraquara.

  • 2º Quesito (Quem foi o autor?): Os jurados também confirmaram, por 4 votos SIM, que o réu Luiz de Souza foi o autor do disparo que matou a vítima.

  • 3º Quesito (O réu deve ser absolvido?): Essa é uma pergunta obrigatória que os jurados devem responder independentemente das anteriores. Apesar de terem reconhecido que Luiz atirou na vítima, 4 jurados votaram SIM para a absolvição, contra 3 votos NÃO.

Como a maioria decidiu pela absolvição, as qualificadoras sobre o puxão de cabelo e o motivo do desacordo comercial nem chegaram a ser votadas. A ação foi julgada improcedente e o réu foi absolvido.

O clamor por Justiça 

Representando os interesses da família enlutada e clamando para que a morte de Adriano não vire apenas uma estatística de impunidade, o assistente de acusação, advogado Davi Sizanoski Filho, emitiu um forte pronunciamento sobre o desfecho inesperado:

“Foi um fato lamentável para todos nós pelo resultado. Foram produzidas provas suficientes para sustentarmos a acusação, as quais foram apreciadas pelo conselho de sentença formado por quatro mulheres e três homens. Houve, ao final, uma decisão por parte deles por maioria, da qual devemos respeitar. Fica aqui, meu respeito pelo trabalho desenvolvido pela defesa, a qual soube explorar as falhas do processo, aliado ao entendimento dos tribunais superiores.”

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Igor Rugilo
Autoria
Igor Rugilo
Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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