O trabalho de investigação criminal no Paraná conta agora com uma tecnologia biológica e altamente eficiente: o faro de Raman. O pastor-belga é o segundo cão no Brasil preparado especificamente para detectar vestígios mínimos de sangue em cenas de crime. Atuando como um direcionador de alta precisão para a Polícia Científica do Paraná (PCIPR), o animal acumula um histórico notório — foi acionado em 11 locais de crime e contribuiu positivamente em todos, mantendo uma taxa de 100% de acerto.
A atuação de Raman ocorre em um momento de otimização da segurança pública no Estado, que registrou uma redução de 10% nos homicídios e 22% nos roubos no primeiro trimestre de 2026, além de ampliar sua capacidade de coleta de perfis genéticos.
O Diferencial Canino
O principal trunfo de Raman é a capacidade de superar as limitações do olho humano, especialmente em cenários onde os criminosos tentaram apagar seus rastros.
“A diferença do trabalho do cão para as outras tecnologias é essa: o ambiente pode ser grande e a varredura dele é muito eficiente. Às vezes o local é muito grande, a mancha é muito pequena ou está escondida, ou já tentaram limpar, então fica difícil para o perito encontrar visualmente”, explica Viviane Zibe, perita oficial da PCIPR e uma das responsáveis pelo treinamento.
Na prática, Raman funciona como a “bússola” da perícia. A dinâmica ocorre da seguinte forma:
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A Polícia Civil aciona o perito de local para analisar a cena.
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Diante de cenários extensos ou com vestígios ocultos, o perito solicita o apoio canino.
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Raman faz a varredura e marca um ponto específico.
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O perito humano assume, aplicando reagentes químicos para confirmar a presença de sangue ou recolhendo o objeto (roupas, armas) para análise no laboratório de genética.
Histórico Invicto e o Desafio na Mata
Os resultados do pastor-belga em campo reforçam sua eficácia. Em varreduras realizadas em veículos e residências, Raman não cometeu erros:
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Veículos (4 analisados): Indicou a presença de sangue em um (confirmado) e não sinalizou nos outros três (onde de fato nada foi encontrado).
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Residências (5 analisadas): Marcou positivo em quatro (todas confirmadas) e ignorou vestígios em uma (onde não havia sangue).
O caso que mais exemplifica o potencial do cão ocorreu em uma área de mata de grande extensão e vegetação densa. A busca visual humana seria lenta e ineficiente. Durante a operação, Raman identificou resquícios de sangue em um sofá abandonado do lado de fora de uma casa. A partir dali, pegou o rastro do odor e seguiu até um ponto distante, onde encontrou as roupas da vítima escondidas. O laboratório confirmou a presença do sangue nas peças, validando o faro do animal.
Treinamento e Evolução
O desempenho perfeito não é acaso. Raman passa por um processo longo e contínuo de treinamento desde que chegou à instituição em 2023.
A formação foi dividida em fases:
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Fase Base: Disciplina, obediência e adaptação, essenciais para o controle em locais de crime ativos.
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Exposição Olfativa: Meses de contato e familiarização exclusiva com o odor do sangue.
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Estímulos Controlados: Identificação do cheiro isolado em laboratório.
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Buscas Complexas: Varreduras em ambientes amplos e variados com vestígios propositalmente ocultos.
O treinamento segue em aprimoramento contínuo para garantir que o faro de Raman acompanhe as novas complexidades das cenas de crime encontradas pelas equipes periciais do Paraná.
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