Formas orgânicas e arcos suavizam transições em lar carioca
Um apartamento no Rio de Janeiro ganhou nova vida através de um projeto que une memórias afetivas e design fluido. A arquiteta Rafaela Lucena reorganizou os espaços para a designer Gisela Milman, criando transições suaves com formas orgânicas e uma varanda simbólica. O resultado é um lar que reflete um momento de transformação pessoal, com tons claros e obras de arte.

No coração do Rio de Janeiro, um apartamento com história familiar se transformou em um refúgio contemporâneo que celebra memórias e novos começos. A designer e artista plástica Gisela Milman buscou um espaço menor e prático no mesmo bairro, após seu filho passar a viver em São Paulo. A arquiteta Rafaela Lucena, do perfil @casa.arua.arquitetura, foi a responsável por traduzir esse capítulo de mudança em um projeto que harmoniza lembranças e recomeço.
Um lar com história e afeto
O imóvel, que por anos pertenceu à irmã da moradora, carrega consigo uma carga emocional significativa para Gisela Milman. A mudança para esse apartamento aconteceu em um momento de transformação pessoal, marcado pela busca por um ambiente mais compacto e funcional.
Além disso, a proprietária desejava trazer um pouco da casa da serra, projetada pelo pai e onde viveu grande parte da vida, para o novo lar. Essa conexão com o passado se tornou a base para a criação de um espaço único e pessoal.
A criação de uma varanda simbólica
Como o apartamento não possuía uma varanda original, Rafaela Lucena criou uma versão simbólica desse espaço tão desejado. Localizada na área social, essa varanda interna se conecta diretamente ao jantar e ao living, promovendo uma integração fluida entre os ambientes.
Elementos que conectam passado e presente
Para compor o cenário, foram utilizados:
- Piso de seixos
- Plantas
- Uma rede idêntica à da antiga casa da serra
Dessa forma, o elemento simbólico não apenas agrega charme, mas também serve como uma ponte afetiva com o passado.
Reorganização e ampliação dos espaços
A intervenção arquitetônica focou em reorganizar o apartamento para melhor integrar os diferentes cômodos. Um dos principais ganhos foi a ampliação da suíte, que agora conta com um banheiro com atmosfera de spa.
Ambiente de relaxamento
Esse ambiente foi equipado com:
- Banheira
- Velas
- Luminária de conchas
- Escada de bambu
Por outro lado, a redistribuição dos espaços buscou otimizar a funcionalidade sem perder o conforto, atendendo às necessidades práticas da moradora.
Formas orgânicas que suavizam transições
Um dos elementos centrais do projeto são as formas orgânicas e os arcos, que desempenham um papel crucial em suavizar as transições entre os ambientes. Essas curvas e linhas fluidas criam um movimento natural pelo apartamento, evitando rupturas visuais.
Exemplo de integração visual
Um exemplo notável é uma parede curva de tijolo vazado, que separa o quarto do banheiro e permite a entrada generosa de luz natural. Assim, a arquitetura promove não apenas beleza, mas também uma sensação de continuidade e aconchego.
Paleta inspirada nas dunas
A escolha dos materiais e cores seguiu uma paleta de tons claros, complementada por madeira e tecidos naturais. Essa combinação resulta em um visual sereno e atemporal, que remete à simplicidade e à natureza.
Nome do projeto
A inspiração rendeu até mesmo o nome do projeto: apartamento Duna. Em contraste com cores vibrantes, a neutralidade da paleta permite que outros elementos, como as obras de arte, se destaquem. Dessa maneira, o ambiente ganha personalidade sem perder a harmonia visual.
Arte que conta histórias
Pelos paredes e estantes do apartamento, espalham-se obras de artistas consagrados. A coleção reflete o gosto apurado e a trajetória de Gisela Milman como artista plástica.
Artistas presentes na coleção
- Nelson Leirner
- Beatriz Milhazes
- Regina Silveira
- Miguel Rio Branco
A coleção também inclui gravuras de J. Borges e fotos da renomada agência Magnum Photos. Portanto, cada obra contribui para a narrativa visual do lar, enriquecendo-o com camadas de significado.
Um projeto que une passado e presente
O apartamento Duna se consolida como um exemplo de como a arquitetura pode transformar espaços físicos em refúgios emocionais. Através de soluções criativas, como a varanda simbólica e as formas orgânicas, Rafaela Lucena conseguiu materializar as memórias e desejos da moradora.
O resultado é um lar que equilibra funcionalidade, beleza e afeto, mostrando que mesmo em momentos de mudança, é possível criar um ambiente que acolhe e inspira. Por fim, o projeto demonstra que a verdadeira essência de um lar vai além das paredes, residindo nas histórias que ele abriga.






















