Frísia e Ponta Grossa: sucesso secular por Geraldo Slob
A Frísia em Ponta Grossa reúne produção, indústria e cooperativismo em uma relação centenária que gera empregos, renda e desenvolvimento regional.

Há 101 anos, em 1925, uma das primeiras iniciativas de criação de uma cooperativa de produção no Brasil nasceu em Carambeí, vizinha da aniversariante Ponta Grossa. A história da Frísia Cooperativa Agroindustrial começou com sete sócios e uma produção leiteira de 700 litros por dia – atualmente, essa é a quantidade de leite registrada por minuto pela cooperativa -, que uniram quatro pequenas fábricas para dar origem à Sociedade Cooperativa Hollandeza de Lacticínios. Três anos depois, surgia a marca Batavo. Mais do que o início de uma cooperativa, aquele movimento mostrou, já naquela época, a capacidade da união entre produtores de transformar desafios individuais em oportunidades coletivas.
Desde o início, a produção dos cooperados da Frísia, inicialmente de manteiga e queijo, foi muito bem aceita pelos ponta-grossenses. E isso tem um forte simbolismo. A Frísia sempre prezou pela qualidade, por produzir da melhor maneira, e saber que a população local valoriza esses produtos dá orgulho e estímulo para continuar produzindo e ampliando a capacidade.
Essa relação construída ao longo de décadas ajuda a explicar a própria força do cooperativismo nos Campos Gerais. Cooperar significa somar produção, conhecimento, tecnologia e capacidade de investimento para que o produtor tenha melhores condições de desenvolver sua atividade. Mais do que uma forma de organização, o cooperativismo se consolidou como um modelo econômico capaz de conciliar competitividade com desenvolvimento coletivo, mantendo o cooperado no centro das decisões e dos resultados.
Como resultado, a “Princesa dos Campos Gerais” é um dos principais focos de investimento da cooperativa. Atualmente, no município, a Frísia conta com quase 140 cooperados nos segmentos agrícola, suinícola e de bovinocultura leiteira. Na agricultura, são quatro safras em mais de 45 mil hectares, com capacidade de produção total de mais de 200 mil toneladas. No leite, são produzidos 40,3 mil litros por dia, com um plantel de 1.370 animais. Já na suinocultura, ultrapassa 1,3 mil animais.
A Frísia conta com diversas unidades no município: armazéns e secadores, lojas agropecuárias, Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS) e Laboratório de Análise de Sementes. São estruturas que aproximam serviços, assistência, tecnologia e oportunidades de mercado do produtor e, ao mesmo tempo, movimentam uma cadeia que gera trabalho, renda e desenvolvimento para a região.
Ao longo de nossa história, aprendemos também que a cooperação pode avançar para além da união entre produtores. Há 101 anos, pioneiros perceberam que juntos poderiam alcançar aquilo que individualmente seria muito mais difícil. Décadas depois, essa mesma lógica ganhou uma nova dimensão nos Campos Gerais, com cooperativas somando forças por meio da intercooperação.
Pelo sistema de intercooperação, Ponta Grossa é a casa do Moinho de Trigo Herança Holandesa, da Unidade de Beneficiamento de Leite (UBL) e da Queijaria, pela Unium, e também da Maltaria Campos Gerais. O município tornou-se, assim, um importante polo de projetos de intercooperação, aplicação prática da união de forças, produção, conhecimento e capacidade de investimento de diferentes cooperativas para ampliar o alcance daquilo que é produzido pelos cooperados.
Ao olhar a trajetória, fica evidente que Ponta Grossa se tornou parte importante da história e do desenvolvimento da Frísia. O perfil do município, sua vocação para o agronegócio e sua capacidade de conectar produção, indústria e mercado seguem criando um ambiente fértil para crescimento e valorização da comunidade. E é com essa visão de futuro, mantendo os mesmos princípios que orientaram os pioneiros há mais de um século, que a Frísia pretende continuar contribuindo para o fortalecimento de Ponta Grossa e dos Campos Gerais. Se a história nos ensinou algo, é que a cooperação continua sendo uma das ferramentas mais poderosas para transformar desafios em desenvolvimento. Foi assim há mais de um século e é com essa mesma convicção que seguimos construindo o futuro.























