Governo Lula tenta acelerar PEC da Segurança no Senado antes do segundo turno
PEC da Segurança Pública pode ser votada pelo Senado antes do segundo turno após articulação do governo Lula para acelerar a proposta.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha para acelerar a tramitação da PEC da Segurança Pública no Senado Federal e tentar levar a proposta a votação no plenário antes do segundo turno da eleição presidencial.
A estratégia do Palácio do Planalto é transformar o tema da segurança em uma das respostas do governo às preocupações manifestadas pelos brasileiros durante o período eleitoral. O cronograma discutido no Senado prevê uma nova etapa de análise nesta quarta-feira (14), quando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deve retomar a discussão da proposta.
Caso as pendências sejam resolvidas na comissão, a expectativa do governo é que a PEC possa seguir para o plenário já na próxima semana.
Segurança entra no centro da agenda política
A movimentação ocorre em um momento em que o Congresso também discute outra pauta com forte repercussão popular: a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
O governo pretende avançar com as duas matérias antes da votação que definirá a Presidência da República. A avaliação é de que propostas relacionadas às condições de trabalho e à segurança pública podem ganhar peso no debate eleitoral nesta reta final da campanha.
Mesmo com divergências entre governo e oposição, a segurança pública se tornou um dos principais assuntos da disputa presidencial.
PEC ainda tem pendências no Senado
A PEC da Segurança Pública já passou pela Câmara dos Deputados e teve o texto-base aprovado pela CCJ do Senado no início de setembro. A tramitação, porém, não foi concluída porque senadores apresentaram destaques, mecanismo utilizado para que determinados pontos da proposta sejam analisados separadamente.
A votação desses trechos é necessária para que a matéria possa avançar definitivamente para o plenário.
Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, o texto precisará ser aprovado em dois turnos pelo Senado.
Integração das forças é um dos principais pontos
Entre as mudanças previstas está a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição Federal. A proposta busca ampliar a cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios no enfrentamento à criminalidade organizada.
Na prática, o objetivo é facilitar ações conjuntas, compartilhamento de informações, integração de sistemas e operações entre órgãos como Polícia Federal, forças estaduais e demais instituições que integram a segurança pública.
A PEC também fortalece constitucionalmente mecanismos de financiamento do setor, entre eles o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional.
A maior integração, entretanto, provoca resistência de setores da oposição e de governadores, que manifestam preocupação com uma eventual ampliação da influência da União sobre políticas atualmente executadas pelos estados.
O governo federal argumenta que organizações criminosas atuam em diferentes estados e até internacionalmente, tornando necessária uma coordenação nacional mais ampla.
Ministério depende do avanço da PEC
A tramitação da proposta também está relacionada a outro projeto defendido por Lula: a criação de um Ministério da Segurança Pública separado do Ministério da Justiça.
O presidente tem indicado que pretende avançar com a nova estrutura depois da aprovação da PEC.
Com o segundo turno se aproximando, o governo agora tenta vencer as etapas regimentais no Senado e colocar a segurança pública entre os grandes temas em votação no Congresso antes da decisão nas urnas.
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