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Grupo Gafieirando lança álbum em tributo a Paulo Moura e Zé da Velha

O grupo carioca Gafieirando lança seu primeiro álbum em 18 de setembro, com repertório que homenageia a tradição das gafieiras e traz a voz de Guinga em ‘Bolero de Satã’. O disco celebra os 10 anos do coletivo e inclui músicas de Lupicínio Rodrigues, Paulo Moura e Zé Menezes.

Grupo Gafieirando lança álbum em tributo a Paulo Moura e Zé da Velha
Capa do álbum 'Gafieirando', do grupo carioca Gafieirando — Foto: Micael Hocherman / Divulgação
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O grupo carioca Gafieirando anuncia para 18 de setembro o lançamento de seu álbum de estreia, homônimo, pela gravadora Kuarup. O trabalho reúne um repertório que atravessa décadas da música brasileira, com destaque para a presença do compositor Guinga na faixa “Bolero de Satã”. A capa, assinada pelo fotógrafo Micael Hocherman, mostra o coletivo em formação de gafieira, antecipando o clima dançante do disco.

Liderado pela flautista e saxofonista Daniela Spielmann, doutora em música com pesquisa dedicada às gafieiras cariocas, o grupo nasceu da expansão do Daniela Spielmann Trio, formado em 2016. Para os integrantes, o álbum celebra os 10 anos de atuação do coletivo na cena do Rio de Janeiro, resgatando a memória afetiva dos bailes que marcaram gerações.

Repertório passeia por clássicos e raridades

O disco abre espaço para dois sambas de Lupicínio Rodrigues, compositor gaúcho imortalizado pelos sambas-canção amargurados. “Se acaso você chegasse” (parceria com Felisberto Martins, de 1938) e “Nunca” (1952) ganham novas roupagens instrumentais, mantendo a essência melódica que consagrou o autor. A escolha reforça o diálogo entre a gafieira e o samba-canção, gênero que embalou salões nas décadas de 1940 e 1950.

Além de Lupicínio, o repertório inclui “Fibra” (Paulo Moura e Eloir de Moraes, 1971), “Gafieira carioca” (Zé Menezes) e “Reencontro” (Silvério Pontes). Essas faixas conectam o grupo à linhagem de instrumentistas que fizeram história na gafieira, como o clarinetista Paulo Moura e o trombonista Zé da Velha, referências do gênero. A fonte não detalhou se há homenagem explícita a Zé da Velha, mas a presença de músicas associadas a esses mestres indica reverência à tradição.

Participações especiais enriquecem o álbum

Um dos momentos mais aguardados é “Bolero de Satã”, composta por Guinga e Paulo César Pinheiro em 1976. A faixa traz as vozes da cantora Alana Moraes e do próprio Guinga, criando um dueto que une a suavidade do bolero à dramaticidade da letra. A participação do compositor confere peso autoral ao projeto, aproximando o grupo de um dos nomes mais respeitados da MPB contemporânea.

Outra faixa de destaque é “Olha eu aqui oh oh oh”, de Roberto Corrêa e Jon Lemos, sucesso da cantora Evinha na década de 1970. A versão do Gafieirando promete resgatar o espírito dançante da época, com arranjos que valorizam os sopros e a percussão típica das gafieiras. A fonte não detalhou se Evinha participa da gravação, mas a escolha da música já indica um aceno à memória afetiva do público.

Formação instrumental valoriza a tradição

O Gafieirando conta com Daniela Spielmann na flauta e saxofone, além de Alexandre Romanazzi na flauta e Silvério Pontes no trompete. A combinação de sopros com a base rítmica da gafieira cria uma textura sonora que remete aos conjuntos clássicos dos bailes cariocas. A presença de Silvério Pontes, também compositor de “Reencontro”, reforça a conexão do grupo com a cena instrumental do Rio.

A pesquisa acadêmica de Daniela Spielmann sobre gafieiras cariocas se reflete na curadoria do repertório, que evita obviedades e busca peças menos conhecidas do grande público. O álbum funciona como um convite para que novas gerações conheçam a riqueza desse universo, que vai além do samba de raiz e incorpora influências do choro, do maxixe e do bolero.

Lançamento celebra uma década de estrada

O disco chega em um momento simbólico para o grupo, que completa 10 anos de trajetória desde a formação do trio original. A evolução para o formato de gafieira ampliou as possibilidades de arranjos e permitiu a inclusão de um repertório mais diversificado, como mostram as faixas selecionadas. A capa de Micael Hocherman, com o grupo em pose de baile, traduz visualmente a proposta de resgate e celebração.

Para os fãs de música instrumental brasileira e de gafieira, o álbum “Gafieirando” surge como um documento afetivo e histórico. A união de compositores consagrados, participações especiais e arranjos cuidadosos promete agradar tanto aos frequentadores de salões quanto aos ouvintes que buscam novas leituras de clássicos. O lançamento pela Kuarup, selo conhecido por valorizar a música brasileira de qualidade, garante distribuição e visibilidade ao projeto.

Com esse trabalho, o Gafieirando se firma como um dos grupos mais interessantes da cena carioca atual, unindo pesquisa, tradição e criatividade. O álbum estará disponível nas plataformas digitais a partir de 18 de setembro, e a expectativa é que o grupo leve o repertório aos palcos em breve, embora a fonte não tenha detalhado a agenda de shows.

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Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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