Rodas, por Renata Régis Florisbelo
Eu rodava num ônibus, estrada do interior a dentro. Folhas, árvores, nesgas de sol no leque dos raios. Um calor gostoso no afã de aconchegar. Paisagem nova, Campos desventrando o caminho. Itinerário rumo ao que nunca chegava. Um vácuo que se abriu numa clareira desolada. Uma construção, um restaurante, bar, no friso da mata recortada. […]

Eu rodava num ônibus, estrada do interior a dentro. Folhas, árvores, nesgas de sol no leque dos raios. Um calor gostoso no afã de aconchegar. Paisagem nova, Campos desventrando o caminho. Itinerário rumo ao que nunca chegava. Um vácuo que se abriu numa clareira desolada. Uma construção, um restaurante, bar, no friso da mata recortada.
E nele um homem à frente numa cadeira tudo mirava. No ônibus eu rodava, o homem em sua cadeira parada encontrei. Tinha rodas, mas estava estacionada. Na frente da fachada o homem não rodava e se cravava ao chão.
A cena gravou nos meus olhos, gravou na retina e vem visitar. Cadê o homem que não rodava? Em sua cadeira de rodas estava, mirava a estrada onde pouco se avistada. Ele não me avistou, eu gravei. Sua tez pacata que na minha memória teve vez.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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