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IA cria vírus que não existiam na natureza pela primeira vez

Vírus criados por inteligência artificial conseguem infectar e destruir bactérias em laboratório, mas avanço também levanta preocupações sobre biossegurança.

IA cria vírus que não existiam na natureza pela primeira vez
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Pesquisadores dos Estados Unidos conseguiram, pela primeira vez, utilizar inteligência artificial para projetar genomas completos de vírus que não existiam na natureza. O experimento foi realizado por cientistas do Arc Institute e da Universidade Stanford e publicado nesta quinta-feira (6) na revista científica Science.

A tecnologia utilizada foi o Evo, um sistema de inteligência artificial treinado para compreender e prever sequências de DNA. De maneira semelhante aos modelos de linguagem, que aprendem padrões para prever palavras, a ferramenta analisou as bases genéticas A, C, G e T a partir do material genético de milhões de organismos.

O objetivo dos pesquisadores foi desenvolver bacteriófagos, vírus que infectam bactérias. O modelo utilizado como referência foi o ΦX174, um pequeno vírus já amplamente estudado pela ciência.

16 vírus criados pela IA funcionaram

A inteligência artificial produziu centenas de milhares de possíveis genomas. Depois de uma seleção, aproximadamente 300 sequências consideradas mais promissoras foram sintetizadas e testadas em laboratório contra bactérias E. coli.

Nos experimentos, 16 vírus projetados pela IA se mostraram viáveis, conseguindo se multiplicar e destruir as bactérias.

Um dos resultados que mais chamou a atenção ocorreu quando os pesquisadores testaram os vírus contra bactérias que haviam desenvolvido resistência ao bacteriófago natural usado como referência. Uma combinação dos vírus criados pela inteligência artificial conseguiu superar essa resistência, enquanto uma mistura de vírus naturais semelhantes não obteve o mesmo resultado.

A descoberta abre possibilidade para que tecnologias semelhantes sejam estudadas futuramente no desenvolvimento de alternativas contra infecções bacterianas resistentes a antibióticos.

Pesquisa não envolveu vírus que infecta humanos

Apesar do avanço, os pesquisadores reforçam que o experimento não criou vírus capazes de infectar pessoas.

Durante o treinamento do sistema, informações genéticas relacionadas a vírus que infectam seres humanos foram excluídas. Sequências associadas a vírus de outros animais, plantas e fungos também ficaram de fora do processo.

Os bacteriófagos produzidos conseguiram infectar somente uma linhagem específica de E. coli utilizada em laboratório e considerada inofensiva para humanos.

O estudo também não representa a criação de “vida artificial”. Vírus nem sequer são classificados como seres vivos por parte da comunidade científica porque dependem das células de um hospedeiro para conseguir se reproduzir.

Avanço também levanta debate sobre segurança

A capacidade de uma inteligência artificial aprender padrões genéticos e criar genomas funcionais também trouxe preocupação entre especialistas.

Os próprios autores defendem que pesquisas envolvendo o desenvolvimento de genomas completos tenham acompanhamento de profissionais especializados em segurança biológica. A preocupação é que, no futuro, tecnologias mais avançadas possam eventualmente ser utilizadas para projetar organismos ou patógenos com características perigosas.

Especialistas avaliam ainda que será necessário avançar em regras, fiscalização e protocolos de biossegurança para acompanhar a evolução desse tipo de tecnologia.

Apesar dos resultados considerados promissores, ainda existem etapas importantes antes de possíveis aplicações médicas, como desenvolver bacteriófagos maiores, determinar com precisão quais bactérias eles conseguem atingir e comprovar segurança e eficácia em pacientes.

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Heryvelton Martins
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Heryvelton Martins
Jonalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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