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Marcello Casal/AB

Alta no preço dos combustíveis e alimentos influencia nova revisão do IPCA; projeção ultrapassa o teto da meta de inflação

A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do Brasil voltou a subir. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Banco Central (BC), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,04% para 5,09% em 2026.

Essa foi a 12ª semana consecutiva de aumento na projeção do indicador, considerado a referência oficial da inflação no país. A nova estimativa fica acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A meta central de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Com isso, o limite máximo perseguido pelo Banco Central é de 4,5%.

Entre os principais fatores que pressionam os preços estão os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os combustíveis, além do custo dos alimentos, que segue influenciando o orçamento das famílias.

Em abril, a inflação oficial ficou em 0,67%, puxada principalmente pela alimentação. No acumulado de 12 meses, o IPCA chegou a 4,39%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Juros seguem em patamar elevado

Para tentar controlar a inflação, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, a taxa está em 14,5% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Na última reunião, o colegiado reduziu os juros em 0,25 ponto percentual. Antes disso, a Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, maior patamar em quase duas décadas.

Apesar da redução recente, o Banco Central avalia os impactos do cenário internacional, especialmente a pressão sobre combustíveis e alimentos causada pelos conflitos no Oriente Médio.

O próximo encontro do Copom para definir os rumos da taxa Selic está marcado para os dias 16 e 17 de junho.

Pelo Boletim Focus, os analistas mantiveram a previsão de que a Selic encerre 2026 em 13,25% ao ano. Para os próximos anos, a expectativa é de queda gradual: 11,25% em 2027 e 10% ao ano em 2028 e 2029.

PIB tem leve melhora na projeção

A expectativa para o crescimento da economia brasileira teve pequena alteração positiva. O mercado financeiro elevou a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,89% para 1,9% neste ano.

Para 2027, a projeção permanece em 1,7%. Já para 2028 e 2029, a expectativa dos analistas é de crescimento de 2% ao ano.

Segundo o IBGE, a economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em comparação aos últimos três meses de 2025. No acumulado de 12 meses, o avanço registrado foi de 2%.

Dólar deve termnar o ano em R$ 5,16

O mercado também manteve as projeções para o câmbio. Conforme o Boletim Focus, a expectativa é que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,16.

Para o final de 2027, os analistas projetam a moeda norte-americana em R$ 5,25. (As informações são da Agência Brasil)

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